Sindicatos alemães sobem o tom

Luta por salários

Num ano em que as previsões indicam um crescimento económico na ordem dos três por cento, os sindicatos alemães mostram-se empenhados em recuperar o poder de compra perdido, considerando que é tempo de pôr fim aos sacrifícios.

Na metalurgia, o poderoso sindicato IG Metall, com 2,3 milhões de associados, já colocou a fasquia das actualizações salariais em seis por cento, e faz outras reivindicações que o patronato recusa liminarmente, tais como a melhoria das condições de trabalho e a igualdade salarial entre trabalhadores temporários e os restantes.

O presidente da maior confederação sindical do país, DGB, Michael Sommer, reconheceu que durante a crise os sindicatos temperaram as exigências dos trabalhadores: «Fizemos sacrifícios aceitando o desemprego parcial, mas com a retoma não nos vamos conter».

Porém, tal como noutros países, na Alemanha a degradação salarial é muito anterior à crise, sendo aliás uma das suas principais causas. Na verdade, entre 2000 e 2008, o custo unitário da mão-de-obra alemã apenas aumentou 2,7 por cento, muito abaixo dos 16,5 por cento registados em média na zona euro, o que provocou uma redução drástica do poder de compra das massas trabalhadoras.

Assim, não surpreende que, hoje, na maior economia europeia, mais de um milhão e 400 mil trabalhadores aufiram rendimentos abaixo do limiar de sobrevivência, e que por isso tenham de beneficiar de ajudas sociais. Acrescente-se que 18 por cento dos alemães ganham menos de 800 euros por mês, o que corresponde a 60 por cento do rendimento médio, e portanto encontram-se no limiar da pobreza.

Mas apesar da aparente recuperação da economia, governo e patronato não se mostram dispostos a fazer concessões. O executivo de Angela Merkel acaba de aprovar um pacote de austeridade que vai reduzir ainda mais o poder de compra das camadas desfavorecidas, cortando a eito nas prestações sociais. Por seu turno, o patronato, embora ciente de que sem o aumento da procura interna a economia se arrisca a voltar à recessão, defende com egoísmo os seus lucros, sonhando o aumento ilimitado das exportações.



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