Mais atenção à saúde mental
A Direcção da Organização Regional do Porto do PCP realizou recentemente uma conferência de imprensa na qual analisou a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde aos problemas da saúde mental e avançou com propostas tendentes a resolver alguns dos problemas mais sérios nesta área. Culminava assim um longo processo de encontros e reuniões com médicos, enfermeiros, pessoal auxiliar, dirigentes sindicais e directores hospitalares.
Dos contactos efectuados, revelou o PCP, «saíram reforçadas as nossas preocupações quanto às opções assumidas no quadro do Plano Nacional de Saúde 2004-2010 (PNS) e a capacidade de resposta aos problemas da saúde mental na região». Os serviços de psiquiatria e saúde mental são «tradicionalmente os menos valorizados, menos financiados e menos dotados de técnicos», acusaram os comunistas. A agravar a situação está o PNS, que «reduz drasticamente as possibilidades de internamento, sem que crie qualquer alternativa».
Este plano passa ainda para as famílias grande parte das responsabilidades com o tratamento destes doentes, o que, para o PCP, é errado. O que a realidade comprova é que os casos graves da psiquiatria, «apesar da evolução das possibilidades de tratamento e de apoio farmacológico, apresentam quadros clínicos muito graves que nenhuma família pode suportar para sempre».
Analisando a realidade do distrito, o PCP alerta para o perigo de ser criada uma situação de vazio provocada pela diminuição de serviços no Hospital Magalhães Lemos que não é compensada pelos restantes hospitais. Em muitas instituições, os serviços estão criados «apenas no papel, com psiquiatras contratados», sem espaços para trabalhar. Também a criação das Unidades de Saúde Familiar, em substituição dos centros de saúde, «tem diminuído a capacidade de resposta» dos serviços aos casos de saúde mental.
Os comunistas defendem a criação de condições de resposta no Serviço Nacional de Saúde aos problemas da saúde mental, o que passa por travar a redução da capacidade do Hospital Magalhães Lemos sem que os restantes passem a ter condições de compensar o acolhimento de doentes mentais; pela criação de condições de acompanhamento aos doentes e de pequenas unidades residenciais de Vida Apoiada. A ligação entre a psiquiatria e a rede de cuidados continuados é outra das propostas do Partido.