Despachos I
O despacho final do Ministério Público (MP) no inquérito ao licenciamento do Freeport não detectou a existência de crimes de corrupção e de tráfico de influências, mas, segundo o Público, «deixa claro que não se sabe qual foi o destino de verbas num valor indeterminado que, pelo menos, ultrapassará os sete milhões de euros».
Portanto, não foram detectados «crimes de corrupção e de tráfico de influências» mas descobriu-se que sete milhões de euros (pelo menos) «desapareceram» em parte incerta no decurso de todo o negócio para a construção do Freeport.
Para onde teriam ido esses milhões todos? Se calhar foram fazer compras ao outlet de Alcochete...
Despachos II
Entretanto, o Procurador-Geral da República, Pinto Monteiro, reagiu à notícia também saída no Público, onde se informava que os procuradores do Ministério Público que dirigiram o inquérito ao Freeport declaravam que «só os prazos impostos pela Procuradoria-Geral da República para o fim do processo impediram que o primeiro-ministro José Sócrates fosse interrogado», nomeadamente para responder a 27 perguntas concretas. E a reacção de Pinto Monteiro foi... ordenar novo inquérito, agora às «questões de índole processual ou deontológica» do caso.
Uma coisa é certa: a Procuradoria-Geral da República é rápida e abundante a despachar.
Médicos
Consta que o Governo, através do Ministério da Saúde, está a contratar mais médicos estrangeiros para colmatar as falhas nos cuidados primários (servidos pelos «médicos de família» ou médicos de clínica geral), falhas essas agravadas com a saída antecipada de 400 clínicos desta especialidade. Também corre o «boato» que o Ministério vai também começar a contactar médsicos aposentados para regressarem ao activo, mas tudo isto está no «segredo dos deuses» e, portanto, vale o mesmo que os tais boatos.
O extraordinário é o Governo e o Ministério da Saúde não se lembrarem de tomar a medida realmente decisiva e determinante, para resolver esta questão da falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde – a da criação de carreiras estruturadas, consistentes e adequadamente remuneradas...
Naves
A Fundação Vodafone Portugal ofereceu, em 2004, quatro aeronaves ultra-leves à Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) para vigilância de incêndios. Duas delas caíram, num caso matando duas pessoas e no outro ferindo outras duas, decorrendo ainda inquéritos para determinar as causas. Entretanto, o secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco, veio agora a terreiro informar que as duas naves restantes não vão ser utilizadas este Verão, pois «não garantem nenhuma eficácia».
A não ser a cair, pelos vistos. Onde é que a Fundação Vodafone Portugal foi desencantar estas «prendas»? Na sucata?