Johannes Brahms (1833-1897)

Johannes Brahms, compositor alemão, foi autor de alguns cumes estéticos da história da arte musical, como o 2º Concerto para Piano e Orquestra ou a 4ª Sinfonia. Em pleno Romantismo, Brahms perfilou-se como fiel representante da grande tradição Clássica criada por Haydn, Mozart e Beethoven, tornando-se na opinião de muitos especialistas o grande mestre do estilo sinfónico na segunda metade do século XIX.

Sendo filho de músico (o pai tocava trompa e contrabaixo), nasceu e cresceu num ambiente propício ao desenvolvimento de interesses e talentos musicais, se bem que no seio de uma família com poucos recursos financeiros, circunstância que o obrigou a trabalhar a partir dos 13 anos de idade, de forma a ajudar no sustento da família. Tocava em pequenas orquestras locais, que actuavam nos bailes, e também nas estalagens da zona portuária de Hamburgo. O seu instrumento de eleição era o piano. Fez carreira como pianista ao mesmo tempo que se dedicava à composição.

Partidário da chamada “música pura”, distanciou-se de Wagner e da revolução artística por este protagonizada e liderada. Isso fez com que a relação pessoal com Franz Liszt, grande defensor do inovador projecto wagneriano, nunca tivesse evoluído para um patamar de maior afectividade e proximidade.

O primeiro grande ponto de viragem na sua vida artística deu-se no ano de 1853 quando conheceu pessoalmente o afamado violinista Joseph Joachim. Foi este que o apresentou a Robert Schumann que de imediato percebeu estar diante de um jovem de enorme talento. Iniciou-se aí uma sólida amizade que depois se estendeu à pessoa de Clara Schumann, pianista e mulher de Robert. Os elogios que Schumann publicamente fez às suas composições, nomeadamente em artigos publicados em importantes revistas de música, contribuíram decisivamente para a projecção do seu nome e obra. Quando Schumann adoeceu gravemente ele deu generoso apoio ao casal. É provável que se tenha apaixonado por Clara. Mas Brahms era um homem tímido, fechado sobre si próprio e incapaz de expressar sentimentos a não ser através da música que criava.


Dança húngara nº5

 

Nesta dança nº5, mais popular ainda do que a maioria das outras (também em virtude da utilização que dela fez Chaplin em O Grande Ditador) são de notar as variações dinâmicas com os crescendos rápidos, o uso do glissando, assim como também as acentuações rítmicas tão características do idioma musical húngaro, cigano. Brahms sempre reteve o que aprendeu com o violinista húngaro e judeu E.Reményi com quem trabalhou a partir de 1850, dando concertos. Mas não se trata aqui de folclorismo, de utilização directa de autêntica música popular húngara, como virá a ser feio por Bela Bartók e Kodály no século XX.



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