Orquestra Sinfonietta de Lisboa

Fundada em 1995, a Sinfonietta de Lisboa tem como base 29 instrumentistas de corda, podendo integrar sopros ou outros instrumentos de acordo com as exigências dos programas a executar. A sua direcção está a cargo de Vasco Pearce de Azevedo (Maestro Titular) e António Lourenço (Maestro Adjunto).

A Sinfonietta de Lisboa realizou já numerosos concertos, tendo-se apresentado em Lisboa, no Centro Cultural de Belém e no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian; no Porto, no Teatro Rivoli; e ainda em vários concelhos do país. Nestes concertos tem interpretado obras de diversos compositores desde o período barroco até ao séc. XX.

Um dos objectivos principais da Sinfonietta de Lisboa, enquanto membro da Associação Musical Ricercare, é o da divulgação de música do Século XX, em particular de compositores portugueses contemporâneos. É nesse contexto que se inserem as várias estreias absolutas que têm vindo a ser realizadas de obras encomendadas a compositores como Eurico Carrapatoso, Sérgio Azevedo, Carlos Marecos, Carlos Caires, Bernardo Sassetti, Mário Laginha, Carlos Fernandes, Vasco Pearce de Azevedo, Pedro Faria Gomes e Ivan Moody entre outros. São ainda de realçar algumas primeiras audições em Portugal efectuadas pela Sinfonietta de Lisboa de obras de compositores do Século XX, tais como Alexandre Delgado, Eugénio Rodrigues, Luís Tinoco.

Entre 2004 e 2007, a Sinfonietta de Lisboa foi convidada a realizar o concerto de abertura da Festa do Avante, tendo acompanhado os solistas Pedro Burmester, António Rosado, Mário Laginha e Miguel Borges Coelho, e ainda o Coral Lisboa Cantat. Participou em gravações de música original de Bernardo Sassetti para os filmes “O Milagre Segundo Salomé”, “Um amor de perdição” e “Second Life”, e ainda para a peça de teatro “Dúvida” de John Patrick Stanley.

Depois do lançamento pela etiqueta La Mà de Guido, em Março de 2002, do CD Leonoreta, inteiramente preenchido com obras para orquestra de cordas de Eurico Carrapatoso, a Sinfonietta de Lisboa encontra-se neste momento a preparar a edição de um CD com obras para Coro e Orquestra do mesmo compositor.

Desde 2003, a Sinfonietta de Lisboa tem colaborado, quer em espectáculos ao vivo, quer em gravações de DVDs e CDs, com artistas nacionais e internacionais tais como Caetano Veloso, Jaques Morelembaum, Mário Laginha, Bernardo Sassetti, Carlos Martins e outros.


António Rosado


Dele disse a revista francesa Diapason que é um "intérprete que domina o que faz. Tem tanto de emoção e de poesia, como de cor e de bom gosto."

António Rosado tem uma carreira reconhecida nacional e internacionalmente, corolário do seu talento e do gosto pela diversidade, expressos num extenso repertório pianístico que integra obras de compositores tão diferentes como Georges Enescu, Aaron Copland, Albéniz ou Liszt.

Actuou em palco, pela primeira vez, aos quatro anos de idade. Os estudos musicais iniciados com o pai tiveram continuidade no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, onde terminou o curso Superior de Piano, com vinte valores. Aos dezasseis anos parte para Paris, e aí vem a ser discípulo de Aldo Ciccolini no Conservatório Superior de Música e nos cursos de aperfeiçoamento em Siena e Biella (Itália).

Em 1980, estreou-se em concerto com a Orchestre National de Toulouse, sob a direcção de Michel Plasson e desde essa data tem tocado com inúmeras orquestras internacionais e notáveis maestros.

Laureado por várias Academias, foi igualmente distinguido por inúmeros Concursos Internacionais, o que constitui o reconhecimento internacional do seu virtuosismo e o impulso para uma brilhante carreira, com a realização de recitais por todo o Mundo e a participação em diversos festivais. Em 2007 foi distinguido pelo Governo Francês com o grau de Chevalier des Arts et des Lettres.

Da sua já longa discografia, destaca-se a integral das sonatas e suites de Lopes Graça. Em música de câmara gravou com nomes como Artur Pizarro, Gerardo Ribeiro,Paulo Gaio Lima ou Pedro Carneiro e vários concertos com a Orquestra Nacional do Porto e com a NDR Sinfonieorchesta.


Vasco Azevedo


Iniciou os seus estudos musicais aos 4 anos na Academia dos Amadores de Música. Interessa-se pela direcção desde a sua entrada para o Coro da Universidade de Lisboa, em 1981, onde desempenhou as funções de ensaiador de naipe. Frequentou vários cursos de direcção de orquestra e de direcção coral em Portugal, Espanha, França e Bélgica, tendo trabalhado com Jean-Sébastien Béreau, Ernst Schelle, Jenö Rehak e Octav Calleya (direcção de orquestra) e ainda com Erwin List, Josep Prats, Edgar Saramago e José Robert (direcção coral).

Estuda no Instituto Gregoriano de Lisboa e na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) onde obtém em 1989 o Bacharelato em Composição, estudando nomeadamente com Christopher Bochmann e Constança Capdeville. Entre 1990 e 1992 é Assistente na ESML de várias cadeiras do Curso de Composição, e entre 1995 e 1998, Professor de Análise e Técnicas de Composição no Conservatório Nacional. É desde 1995 Professor de Análise e Orquestração na Academia Superior de Orquestra (Orquestra Metropolitana de Lisboa), e desde 1998 Professor de Direcção Coral, Coro, Técnicas de Composição, Análise Musical e Harmonia na ESML.

Funda em 1985 o Coro de Câmara Syntagma Musicum, coro com o qual conquista em 1988 o 1º Prémio no concurso Novos Valores da Cultura na área de Música Coral, o que lhe concede o direito à gravação de um C.D. intitulado "Música Coral do Século XX". Nesse mesmo ano conquista uma Menção Honrosa no Concurso Novos Valores da Cultura na área de Composição (Música Erudita) com a obra “3 Pantoneças in Memoriam Alban Berg”. Em 1992 funda a Orquestra da Juventude Musical Portuguesa da qual foi Maestro Titular e Director Musical até 1995. É desde 1995 Maestro Titular e Director Musical da Sinfonietta de Lisboa, orquestra com a qual tem realizado estreias absolutas de obras de Eurico Carrapatoso, Sérgio Azevedo, Carlos Fernandes e Ivan Moody entre outros. Tem dirigido, na qualidade de Maestro Convidado, as Orquestras Sinfónica Portuguesa, Metropolitana de Lisboa, Clássica do Porto, Filarmonia das Beiras e Sinfónica Juvenil. Colabora regularmente com a Companhia Nacional de Bailado como Maestro convidado, tendo dirigido nomeadamente a estreia absoluta de “Dançares” de Lopes-Graça e a estreia em Portugal de “Agon” de Stravinsky . Em Fevereiro de 1999, a convite do Teatro Nacional de S. Carlos, dirigiu a Ópera “La Borghesina” do compositor português Augusto Machado, obra que não era apresentada ao público desde a sua estreia em 1909. Foi juri do III° Concurso de Interpretação do Estoril (1996).

É licenciado em Engenharia Electrotécnica pelo Instituto Superior Técnico, local onde foi também assistente entre 1985 e 1992, tendo leccionado as disciplinas de Álgebra e Análise Matemática. Foi membro do Coro Gulbenkian.

Terminou em Junho de 1995, na qualidade de bolseiro da Comissão Fulbright e da Fundação Calouste Gulbenkian, o mestrado em direcção de orquestra e coro no College-Conservatory of Music da Universidade de Cincinnati (EUA), estudando com Gerhard Samuel e Christopher Zimmermann (direcção de orquestra) e ainda com Elmer Thomas, John Leman e Earl Rivers (direcção coral). Foi Bolseiro da Universidade de Cincinnati (Graduate Scholarship) entre 1992 e 1995 e Bolseiro da Secretaria de Estado da Cultura (1994–95). Conquista em 1997 o 3º Prémio no IIIº Concurso Internacional Maestro Pedro de Freitas Branco, e em 1996, uma Menção Honrosa no II° Concurso Internacional Fundação Oriente para Jovens Chefes de Orquestra.


Mário Laginha


A sua "casa" é o jazz, mas recusa encerrar-se lá dentro. Na sua música podemos encontrar um pouco de quase tudo, porque não fecha as portas a quase nada. Mário Laginha procura em vários lugares a matéria com que constrói o seu próprio universo musical.

Para Mário Laginha, fazer música é também um acto de partilha. E tem-no feito com personalidades musicais fortes: Maria João, Bernardo Sassetti e Pedro Burmester. Nos três duos é evidente a sua criatividade, uma grande solidez rítmica, uma enorme riqueza harmónica e melódica.

Criou o Trio de Mário Laginha com o contrabaixista Bernardo Moreira e o baterista Alexandre Frazão com o qual acaba de editar o CD "Espaço" em que relaciona a sua música com o universo da Arquitectura. Na sua discografia, já extensa, tem ainda trabalhos a solo (o premiado "Canções e Fugas") em quinteto e ainda em duo com Maria João, com Bernardo Sassetti e um com Pedro Burmester.

Tem tocado e gravado com músicos excepcionais, como Wayne Shorter, Wolfgang Muthspiel, Trilok Gurtu, Gilberto Gil, Lenine, Ralph Towner, Manu Katché, Dino Saluzzi, Julian Argüelles, Django Bates.

Com enorme versatilidade e domínio da composição, escreveu para diversas formações, como a Big Band da Rádio de Hamburgo, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, a Orquestra Filarmónica de Hannover, o Remix Ensemble, o Drumming Grupo de Percussão, a Orquestra Nacional do Porto e a Orquestra Sinfónica de Bruxelas. Também compõe para cinema e teatro.



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