Bestas

Jorge Cordeiro

Teixeira dos Santos foi a Wall Street tocar o sino. Não aquele de que quase todos guardamos imagem, accionado logo que fosse depositada a modesta moeda na tromba da volumosa criatura. Ali em Wall Street a coisa tem nome mais fino - opening bell; em vez dos tostões a coisa funciona em milhões; e o mundano e mais rudimentar processo do entra-moeda-sai-cenoura ali estará substituído pelo mais labiríntico jogo das cotações e dividendos que, simplificando, conduzirá ao desejado robustecimento da besta, no caso, especulativa.

Acompanhado pelos mais altos responsáveis das empresas do PSI 20 – essa instituição maior dos mercados e da especulação financeira cá da praça – Teixeira dos Santos terá ido, ao que nos dizem, acalmar os «mercados». Pelo que vimos e ouvimos, pela companhia escolhida e pelo lá anunciado, diríamos que foi vender o país. A deslocação tem um triplo significado. Primeiro, o de em tempos de crise e da necessária resposta no plano económico, Teixeira dos Santos ter deixado confirmado que a opção da política governativa é a da prioridade absoluta aos centros financeiros e ao jogo especulativo que neles medra. Segundo, o da confirmação (dispensável, dir-se-ia com verdade) de que o discurso sobre as malfeitorias do «mercado» – essa «besta» quando se trata de o invocar nos momentos de imposição de sacrifícios – soçobra na rendida veneração e empenhado estímulo que o Governo lhe dedica. O Governo e a sua visão económica não enxerga para lá do que os olhos do capital vêem, não vai além do que os interesses dos mercados financeiros lhe ditam, escolhe sem hesitação o lado dos que contra o país especulam. Terceiro, e seguramente o não menos importante, o desprezível acto de submissão nacional aos interesses e gula das praças especulativas financeiras que o anúncio da venda da EDP e da GALP feita naquele antro representa – a confirmação de que nestes processos de centralização e concentração capitalista e de estímulo aos processos especulativos há quem esteja disposto a vender o país.

Não impunemente. Tal como a história o testemunha nas não poucas traições e entregas de Portugal ao estrangeiro, esta política e os seus autores acabarão como os Andeiros deste país.



Mais artigos de: Opinião

Concertação

Uma responsável sindical afirma: «[….] o nosso país destaca-se, por exemplo, pelo “aumento fenomenal do desemprego” [….] e pelo ataque perpetrado pelo Código do Trabalho aos instrumentos de protecção e regulação do mercado de trabalho...

A reacção não passará!

Este sábado ocorreu a maior manifestação nacional das últimas décadas. Fomos mais de trezentos mil em Lisboa, no combate à política de direita do PS, PSD e CDS. Foi uma impressionante jornada da luta de classe contra a exploração e rapina do capital...

Quatro notas e um compromisso

Mais de 300 mil pessoas manifestaram-se em Lisboa contra a política de desastre nacional do PS e PSD, uma massa imensa de indignação, protesto e luta que respondeu ao apelo da CGTP-IN e realizou a maior manifestação das últimas décadas.

Terrorismo de Estado

A notícia chegou cedo na manhã de segunda-feira. Israel havia atacado militarmente a missão humanitária multinacional que navegava em direcção à Faixa de Gaza, provocando dezenas de mortos e feridos. Trata-se de mais um crime ignominioso do regime sionista de Tel Aviv...