Velhas receitas na «ajuda» à Grécia

Perpetuar o atraso

O PCP criticou a «falta de solidariedade» da União Europeia e em especial das suas principais potências para com países que foram alvo do ataque dos especuladores, como a Grécia e Portugal, e considera que as «notações e as supostas inseguranças dos mercados» mais não são do que uma forma de «pressão para aumentar o juro das dívidas e assim as margens de lucros do capital especulativo».

Estagnação e pobreza é o que oferecem à Grécia

Capital que é, aliás, o grande beneficiário da política executada sob a batuta da União Europeia, uma política que «conduz à crescente financeirização da economia, à degradação das capacidades produtivas dos países menos desenvolvidos, à estagnação e à recessão», como sublinhou o presidente do Grupo Parlamentar do PCP, intervindo sexta-feira passada no debate de um diploma  destinado a viabilizar um empréstimo financeiro de Portugal à Grécia rondando os 2064 mil milhões de euros.

Com esta proposta de lei - que teve os votos favoráveis do PS, PSD, CDS e BE e os votos contra do PCP e «Os Verdes» -, fica aberta a possibilidade de o Governo «conceder empréstimos, realizar outras operações de crédito activas a Estados membros da Zona Euro e prestar garantias pessoais do Estado a operações que visem o financiamento desses Estados».

A «conveniência» da participação do nosso País nesta iniciativa europeia de apoio à Grécia foi justificada pelo Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Carlos Costa Pina, com a circunstância de o «risco de contágio da situação grega em relação a outros países» ter deixado de ser uma probabilidade para passar a ser «um facto», estando Portugal, Espanha e Irlanda «já a sofrer o efeito de contágio da situação da Grécia».

O que o governante não disse foi que toda esta situação de ataque à Grécia podia e devia ter sido travada, fosse essa a vontade das potências do directório da União Europeia. Não o sendo, ao de cima veio uma vez mais a irracionalidade do sistema vigente na União Europeia, segundo Bernardino Soares, que exemplificou com o funcionamento da União Económica e Monetária e em particular a acção do BCE.

«O BCE pode emprestar e empresta dinheiro a instituições bancárias, independentemente até da sua solidez, à taxa de um por cento. Mas está proibido de emprestar dinheiro aos Estados em dificuldades, por imposição e interesse da Alemanha», observou.

E por isso o PCP entende que a receita agora proposta à Grécia mais não é, afinal, do que «uma dose cavalar da mesma política que tem sido imposta todos estes anos e que também não queremos para o nosso País». Bernardino Soares afirmou-o com todas as letras, considerando inaceitáveis medidas como o «congelamento de salários e pensões, corte de subsídio de férias e de natal para trabalhadores e reformados, redução de salários na administração pública, aplicação de uma regra 5/1 nas entradas e saídas da administração pública, mais uma revisão brutal do investimento público, destruição de direitos e salários no sector privado, privatização e liberalização de sectores públicos essenciais, encerramento de serviços públicos, contracção fortíssima da despesa social», entre muitas outras.

Medidas estas que além de terem como alvo os mesmos de sempre – os trabalhadores e o povo -, agravarão as dificuldades e problemas, prosseguindo a mesma desastrosa linha de rumo. Daí que o PCP, que defende a ajuda da União Europeia à Grécia, entenda não ser esse o acto solidário que estamos a assistir. «O que está aqui em causa não é uma ajuda, é uma condenação ao atraso, à  dependência, à crise social», advertiu Bernardino Soares, para quem «as verdadeiras ajudas não chegaram a aparecer». É que, fez ainda notar, «sem dinamização do mercado interno, sem mais investimento, não há crescimento; sem crescimento não há receita; sem receita não há dinheiro para pagar a dívida pública».

Daí a rejeição categórica da bancada comunista a este caminho, do qual só tem resultado estagnação, recessão e pobreza, na certeza de que existe um «outro rumo» e uma outra política.



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