A luta de quem trabalha marca a hora de mudar
As comemorações do 1.º de Maio, promovidas pela CGTP-IN em 44 localidades de todos os distritos e regiões autónomas, sob o lema «É tempo de mudar, com a luta de quem trabalha», reuniram muitos milhares de pessoas. Assinalando que este Dia Internacional dos Trabalhadores ocorre «num crescendo de luta», a central apelou ao alargamento desta mobilização, numa grande manifestação nacional, no sábado, dia 29 de Maio, em Lisboa.
Este deverá ser «um momento alto da luta dos trabalhadores e do sindicalismo que protagonizamos, a favor do progresso social e do desenvolvimento do País», apelou Manuel Carvalho da Silva, no final do discurso na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, tal como outros dirigentes da central e da Interjovem fizeram, nos demais comícios, concentrações, convívios... A CGTP-IN, pela voz do seu secretário-geral, numa intervenção com base comum às pronunciadas por todo o País, fez questão de salientar que este estava a ser um grande 1.º de Maio, para combater o desemprego, a precariedade, a redução de salários, as desigualdades e a pobreza, e que tinha lugar «num crescendo de luta social, de lutas justas, em muitos sectores e empresas».
Uma palavra de saudação, ouvida e aplaudida por muitos dos que a motivavam, foi dirigida precisamente às trabalhadoras e aos trabalhadores que têm recorrido à luta colectiva, nos últimos meses, nalguns casos já com resultados positivos: nos transportes e CTT, nas minas de Neves-Corvo e da Panasqueira, na Petrogal, na metalurgia, química e indústrias eléctricas, no sector corticeiro, nos super e hipermercados, na hotelaria, nas cantinas e na Centralcer, na vigilância e limpeza industrial, nos têxteis, vestuário e calçado, na administração local e central, incluindo professores e enfermeiros...
Carvalho da Silva acusou o Governo, os grandes patrões e gestores de fazerem o oposto do que a própria OIT defende e que contempla as reivindicações da Intersindical.
Ao evocar os 120 anos do 1.º de Maio, a central recorda que «a justeza da reivindicação» da jornada de trabalho de oito horas e «a violência da repressão com que o poder capitalista a tentou travar», em Chicago, no ano de 1886, despertaram «revolta e indignação por todo o mundo». No ano em que a Inter faz 40 anos, vem a propósito notar que «as causas que deram origem às reuniões sindicais em 1970» - horários de trabalho, salários, protecção social, direitos sindicais e laborais - «estão na ordem do dia, a exigir, mais uma vez, uma grande unidade na acção».
«Num quadro de grandes dificuldades para a grande maioria dos trabalhadores», a CGTP-IN criticou severamente o PEC e a «plena sintonia» entre o Governo, os partidos de direita e o Presidente da República. A par de alternativas para cortar nas despesas e aumentar as receitas do Estado, a central exige «uma nova política» e vai empenhar-se no reforço do esclarecimento e da mobilização.
Neste 1.º de Maio, segundo a informação dada por Carvalho da Silva, no final do seu discurso, e completada mais tarde por algumas das estruturas distritais da Intersindical, integraram-se 90 mil pessoas, em Lisboa; 20 mil, no Porto; mais de dez mil, em Guimarães (sete mil na manifestação); duas mil na concentração e manifestação em Coimbra; cinco mil em Aveiro; 4 mil em Évora. A estes números juntam-se os dos muitos participantes em provas desportivas e nas demais iniciativas, num total que quase atingiu a centena. É daqui que a CGTP-IN parte para 29 de Maio, o dia em que «a uma só voz, trabalhadores da Administração Pública, do sector privado e, também camadas da população vítimas de políticas injustas», vão exigir «Um novo rumo, com a luta de quem trabalha».