Os lucros da gripe

Vasco Cardoso
Durante longas semanas no ano que terminou não houve noticiário em que não fosse dado um amplo destaque à pandemia da Gripe A. Entretanto, nas últimas semanas, essas notícias quase desapareceram da comunicação social. Mas eis que surgem agora outros registos colocando a hipótese de ter havido pressões da indústria farmacêutica sobre a Organização Mundial de Saúde, que levaram os governos a comprar vacinas em grandes quantidades.
Sem precipitar conclusões mas conhecendo nós os caminhos tenebrosos por onde se movimentam as multinacionais da indústria farmacêutica e a subserviência dos diferentes governos, é legítimo interrogarmo-nos sobre algumas destas revelações. Sobretudo quando se sabe que só a venda e comercialização de vacinas e antivirais contra a Gripe A rendeu às multinacionais do sector qualquer coisa como 5000 milhões de euros de lucro e que só a Glaxo, o laboratório que fornece as vacinas para Portugal, teve 2642 milhões de euros de lucro com este negócio.
As dúvidas começaram a surgir em vários países. Esta semana foi o insuspeito presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, Wolfgang Wodarg, a requerer a abertura de um inquérito para apuramento desta questão e a afirmar que a «falsa pandemia da gripe, criada pela OMS e outros institutos em benefício da indústria farmacêutica, é o maior escândalo do século na Medicina». Entretanto, em vários países há milhões de vacinas em stock ou encomendadas que, aparentemente, «os povos não querem usar». É o caso da Holanda, da Alemanha, da Suíça ou da França, que pediu 94 milhões de doses e tem agora 50 milhões mais do que as suas «necessidades».
Estas notícias não surpreendem. O negócio da saúde é hoje, no quadro do capitalismo, uma fonte de lucros para o capital. Não são apenas os medicamentos. São os hospitais, os seguros de saúde, o fornecimento de equipamento, a investigação. É a lógica de favorecimento dos interesses privados que está presente na política do Governo PS, que na mesma semana em que anunciou o objectivo de encerrar serviços oncológicos no SNS lançou a construção de mais dois hospitais privados com dinheiros públicos.
A confirmar-se estas notícias sobre a Gripe A, está-se perante uma verdadeira monstruosidade que não pode ficar impune.


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