Uma questão de independência

Alexandre Araújo (Membro do Secretariado do Comiré Central)
O reforço do Partido, da sua organização e acção política, assume neste início de 2010 uma redobrada importância. Entramos numa fase decisiva para a concretização com êxito das medidas e linhas de trabalho da acção geral de fortalecimento do Partido Avante por um PCP mais forte!, decidida pelo Comité Central na sua reunião de Novembro, no sentido da concretização das orientações do XVIII Congresso do PCP.

A quota é a receita mais regular de que o Partido dispõe

Um PCP mais forte, para estar em melhores condições de cumprir o seu papel com as acrescidas exigências que a situação actual comporta e onde se integram, entre outras, linhas de trabalho visando o reforço da organização e intervenção do Partido junto da classe operária e dos trabalhadores nas empresas e locais de trabalho, a responsabilização de quadros e a sua formação politica e ideológica, a criação e dinamização de organizações de base, o aumento da militância partidária, a promoção do recrutamento, a integração dos membros do Partido em organismos com a assumpção de tarefas e responsabilidades e o reforço dos meios financeiros.
No âmbito da acção Avante por um PCP mais forte!, o reforço da capacidade financeira do Partido é colocado como um dos objectivos para o qual é essencial o rigor no controlo financeiro, a contenção e redução e despesas, as iniciativas de recolha de fundos, o aumento das contribuições de militantes e, como elemento central, o aumento da quotização.
A existência de meios próprios para o desenvolvimento da actividade partidária é não só um aspecto decisivo para a garantia da manutenção da sua independência politica e ideológica, como é um aspecto essencial para vencer barreiras de silenciamentos e dificuldades que o capital procura criar à intervenção dos comunistas e do seu Partido.
No XVIII Congresso do PCP foi assumida a necessidade do estabelecimento do objectivo do efectivo equilíbrio financeiro, alargando a compreensão em todas as organizações do Partido e em todos os seus militantes para a importância decisiva dos fundos do Partido. A dinamização da recolha de fundos, o controlo financeiro e uma gestão rigorosa são indispensáveis na intervenção do Partido, exigindo a responsabilização de mais quadros, a criação de estruturas para o acompanhamento desta área e a sua discussão regular em todos os organismos partidários, com a adopção das medidas necessárias em cada momento.
E, como se referia na sua Resolução Politica, «o PCP assegura os seus recursos materiais com base na quotização, nas contribuições de militantes simpatizantes e dos seus eleitos nas instituições, nas acções de angariação de fundos e numa gestão rigorosa e criteriosa do seu património».

Depender de si próprio

O aumento da receita da quotização é, pois, um objectivo central, por se tratar de facto daquela receita mais regular e que depende única e exclusivamente das forças e da capacidade de organização do próprio Partido. E, também, pelo que representa de compromisso de cada um dos militantes com o seu Partido.
É para isso fundamental elevar a consciência politica e ideológica de todos e de cada um dos militantes do Partido sobre a sua própria responsabilidade de manter a quota em dia, cumprindo um dos deveres fundamentais de membro do Partido, e de manter o seu valor actualizado, tendo com referência o 1 por cento do rendimento mensal.
Para o aumento dos valores de quotização é ainda essencial que mais camaradas sejam responsabilizados pela sua cobrança, que cada um dos membros do Partido saiba onde pode proceder ao seu pagamento, que sejam aproveitadas as possibilidades abertas pelo pagamento por transferência bancária ou multibanco, que seja alargado o registo informático e promovida a discussão regular nas organizações e em todos os organismos.
Para reforçar a capacidade financeira do Partido é ainda essencial que se dê atenção ao aumento de outras receitas: à recolha de contribuições especiais de militantes e simpatizantes, nomeadamente no âmbito da campanha em curso de Um Dia de Salário para o Partido; às contribuições de eleitos do Partido em cargos públicos, dando cumprimento ao principio de não ser beneficiado nem prejudicado; à dinamização de iniciativas de carácter político, cultural e de convívio; à difusão e venda da imprensa partidária, nomeadamente do Avante!; e à dinamização dos centros de trabalho, tornando-os mais atractivos.
A entrega do novo cartão de militante do Partido, pelo contacto que permitirá com cada um dos membros do Partido, constituirá uma oportunidade privilegiada para que cada um considere também o seu contributo para tornar o PCP mais forte.


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