O paradigma Blackwater

Carlos Gonçalves
Um juiz norte- americano, escudado em questões processuais, rejeitou a acusação de homicídio contra 5 mercenários da empresa Blackwater que, em Setembro de 2007, em Bagdad, ao serviço do Governo USA, sem a mínima provocação, assassinaram 17 civis iraquianos e feriram mais 20. Face à indignação iraquiana, o próprio general Odierno, comandante das tropas de ocupação USA, reconheceu a «perturbação» por os criminosos não serem responsabilizados. E o marketing da empresa mudou-lhe o nome para Xe Corporation, garantindo assim a continuação das suas actividades.
Este facto - apenas mais um dos incontáveis crimes dos USA e seus «aliados» no Médio Oriente – coincide, significativamente, com a arrasadora campanha ideológica imperialista em desenvolvimento, para suscitar novos avanços na deriva securitária globalizada e novos passos da agressão imperialista no Iémen e na Somália, e para «justificar» um novo Conceito Estratégico NATO, um novo passo na planificação e expansão da agressão militar, na integração e projecção de forças, no militarismo e na guerra imperialista, intrínsecas à sua natureza de classe e «necessárias» à sua crise sistémica, na fase actual – pela destruição brutal de bens e recursos humanos e pelo desvio de capacidades produtivas «em excesso» para a esfera militar e a «reconstrução».
Esta campanha assume aspectos diversificados, explorando até a vertigem mediática as «ameaças do terrorismo» e os combates no Afeganistão contra as forças da NATO e da CIA, passando pela oportuna promoção na SIC da produção de Hollywood da história épica e oficiosa da CIA, «humanizada» até reconhecer alguns dos seus crimes, e culminando nos seminários selectos sobre a «resposta necessária» para os «novos riscos», que contam com o alto patrocínio dos inevitáveis ministros de Defesa dos «governos socialistas» de Portugal e Espanha e com a organização sofisticada da «comunidade de informações»/«central de comando» do Governo – sempre na linha da frente dos desígnios do «Império».
Assim vai avançando a fase Obama do imperialismo, cuidadosa na fachada Nobel e em esconder o premeditado incumprimento das suas promessas, por exemplo quanto a Guantánamo, mas determinada e com um sentido de maior «eficácia» na expansão da guerra imperialista. No fundo, a mesma impunidade da Blackwater e o mesmo paradigma - mudar de imagem para prosseguir os crimes imperialistas de sempre.


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