EUA e Grã-Bretanha afinam mira
A guerra que o imperialismo desencadeia no Iraque e Afeganistão continua no Iémen. À tragédia segue-se a farsa cujo objectivo é a extensão da hegemonia na região.
«O “combate ao terrorismo” continua a ser a cortina de fumo»
O «combate ao terrorismo» alegadamente promovido pela Al-Qaeda continua a ser a cortina de fumo para o reforço (mais 30 mil soldados norte-americanos para o Afeganistão) e a abertura de novas frentes de agressão. As declarações de segunda-feira da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, não deixam dúvidas nesse aspecto. A situação no Iémen tem «implicações globais» e a Al-Qaeda usa o país «como base de ataques terroristas bem além da região».
As palavras de Clinton, para além de retomarem o discurso da anterior administração norte-americana sobre a matéria, expressam a orientação belicista que Barack Obama e os seus assessores têm assumido, e que são particularmente evidentes, nos últimos dias, em relação àquele território.
Primeiro foram as operações militares terrestres e aéreas de 17 e 24 de Dezembro. De acordo com um «perito norte-americano em operações especiais encarregue do treino de oficiais iemenitas», Sebastian Gorka, citado pela cadeia de televisão CBS, ambos os ataques foram «executados pelos EUA com um forte apoio do governo iemenita».
O bombardeamento de dia 17 com mísseis de cruzeiro, ordenado por Obama, foi justificado como tendo sido contra uma base da «rede terrorista», mas testemunhos locais dizem que a maioria das vítimas não foram militantes da Al-Qaeda mas civis, cerca de 64, entre as quais 23 mulheres e 17 crianças.
Depois, foi o atentado falhado contra um avião da Delta-Northwest Airlines, no dia de Natal, que fazia o percurso entre Amesterdão e Detroit, perpetrado por Umar Faruk Abdulmutallab. Obama diz que o jovem nigeriano foi treinado e equipado pela Al-Qaeda no Iémen, país onde se filiou na organização e que, segundo o presidente dos EUA, é terreno de «uma rede de ódio e violência de grande envergadura».
Preparação da investida
Ao atribuir ao suposto comando que a Al-Qaeda mantém no Iémen a responsabilidade do atentado, Obama concluiu a primeira fase de uma operação que parece há muito delineada.
Em Honolulo, no Havai, onde gozou uma semana de férias, recebeu informações do seus conselheiro «antiterrorista», John Brennan, o qual, por sua vez, lhe trasmitiu o resultado de um encontro, classificado como «produtivo», que o general David Petraeus (comandante das forças norte-americanas no Iraque e Afeganistão) teve com o presidente iemenita, Ali Abdallah Saleh.
Acto contínuo, sublinhou que «todos os que estão implicados na tentativa de atentado do Natal devem saber que terão de prestar contas», antevisão de movimentações futuras que teve eco imediato do outro lado do Atlântico quando o primeiro-ministro Gordon Brown sublinhou que «o Iémen deve ser identificado, assim como a Somália, como uma das áreas onde temos que fazer mais do que simplesmente monitorar».
Brown acrescentou que a Grã-Bretanaha e os EUA estão de acordo na criação de uma unidade policial antiterrorismo na região, medida complementada com um reforço das operações costeiras entre o território iemenita e a Somália. Washington e Londres vão tentar que o Conselho de Segurança das Nações Unidas subscreva a criação de uma ampla força a enviar para a região, e a conferência sobre o Afeganistão, agendada para a capital britânica no próximo dia 28, transformar-se-á, igualmente, num encontro sobre o Iémen e a luta antiterrorista, explicou Brown.
Para apimentar a história e fazer recrudescer o clima de medo e insegurança – mas também a aceitação da necessidade de uma nova intervenção – entre a população dos EUA, o mesmo Brennan disse à CNN que o tiroteio de Novembro na base militar em Fort Hood e o atentado falido estão relacionados. O elo é um imã, Anwar al-Aulaqi, nascido nos EUA mas que entretanto emigrou para o Iémen.
O que não dizem é que a CIA começou, há cerca de um ano, a treinar comandos iemenitas e que Patraeus e Brennan, para além das deslocações recentes, ter-se-ão deslocado ao Iémen várias vezes desde o Verão.
Ocultam, também, que se a ajuda militar dos EUA ao governo do Iémen era, em 2006, de 4,6 milhões de dólares, em 2009 saltou para quase 70 milhões, e que em 2010 será de 190 milhões. Tudo em nome do «combate ao terrorismo global».
As palavras de Clinton, para além de retomarem o discurso da anterior administração norte-americana sobre a matéria, expressam a orientação belicista que Barack Obama e os seus assessores têm assumido, e que são particularmente evidentes, nos últimos dias, em relação àquele território.
Primeiro foram as operações militares terrestres e aéreas de 17 e 24 de Dezembro. De acordo com um «perito norte-americano em operações especiais encarregue do treino de oficiais iemenitas», Sebastian Gorka, citado pela cadeia de televisão CBS, ambos os ataques foram «executados pelos EUA com um forte apoio do governo iemenita».
O bombardeamento de dia 17 com mísseis de cruzeiro, ordenado por Obama, foi justificado como tendo sido contra uma base da «rede terrorista», mas testemunhos locais dizem que a maioria das vítimas não foram militantes da Al-Qaeda mas civis, cerca de 64, entre as quais 23 mulheres e 17 crianças.
Depois, foi o atentado falhado contra um avião da Delta-Northwest Airlines, no dia de Natal, que fazia o percurso entre Amesterdão e Detroit, perpetrado por Umar Faruk Abdulmutallab. Obama diz que o jovem nigeriano foi treinado e equipado pela Al-Qaeda no Iémen, país onde se filiou na organização e que, segundo o presidente dos EUA, é terreno de «uma rede de ódio e violência de grande envergadura».
Preparação da investida
Ao atribuir ao suposto comando que a Al-Qaeda mantém no Iémen a responsabilidade do atentado, Obama concluiu a primeira fase de uma operação que parece há muito delineada.
Em Honolulo, no Havai, onde gozou uma semana de férias, recebeu informações do seus conselheiro «antiterrorista», John Brennan, o qual, por sua vez, lhe trasmitiu o resultado de um encontro, classificado como «produtivo», que o general David Petraeus (comandante das forças norte-americanas no Iraque e Afeganistão) teve com o presidente iemenita, Ali Abdallah Saleh.
Acto contínuo, sublinhou que «todos os que estão implicados na tentativa de atentado do Natal devem saber que terão de prestar contas», antevisão de movimentações futuras que teve eco imediato do outro lado do Atlântico quando o primeiro-ministro Gordon Brown sublinhou que «o Iémen deve ser identificado, assim como a Somália, como uma das áreas onde temos que fazer mais do que simplesmente monitorar».
Brown acrescentou que a Grã-Bretanaha e os EUA estão de acordo na criação de uma unidade policial antiterrorismo na região, medida complementada com um reforço das operações costeiras entre o território iemenita e a Somália. Washington e Londres vão tentar que o Conselho de Segurança das Nações Unidas subscreva a criação de uma ampla força a enviar para a região, e a conferência sobre o Afeganistão, agendada para a capital britânica no próximo dia 28, transformar-se-á, igualmente, num encontro sobre o Iémen e a luta antiterrorista, explicou Brown.
Para apimentar a história e fazer recrudescer o clima de medo e insegurança – mas também a aceitação da necessidade de uma nova intervenção – entre a população dos EUA, o mesmo Brennan disse à CNN que o tiroteio de Novembro na base militar em Fort Hood e o atentado falido estão relacionados. O elo é um imã, Anwar al-Aulaqi, nascido nos EUA mas que entretanto emigrou para o Iémen.
O que não dizem é que a CIA começou, há cerca de um ano, a treinar comandos iemenitas e que Patraeus e Brennan, para além das deslocações recentes, ter-se-ão deslocado ao Iémen várias vezes desde o Verão.
Ocultam, também, que se a ajuda militar dos EUA ao governo do Iémen era, em 2006, de 4,6 milhões de dólares, em 2009 saltou para quase 70 milhões, e que em 2010 será de 190 milhões. Tudo em nome do «combate ao terrorismo global».