Segmentação da CP

Sair fora dos carris

O PCP formalizou a entrega de um projecto de lei destinado a revogar um decreto-lei de Junho que, em sua opinião, «abre a porta à segmentação da CP em várias unidades de negócio», com vista à sua posterior privatização.
Para o deputado comunista Bruno Dias, um dos subscritores do diploma, está em curso uma «estratégia de segmentação e privatização de serviços fundamentais» de empresas públicas. O referido diploma que alterou o regime e os estatutos da CP, aprovado pelo anterior Governo liderado por José Sócrates, é disso testemunho.
«Antes do Verão, foi publicado um decreto-lei que abre a porta à segmentação da CP em várias unidades de negócio, em várias áreas e sectores, autonomizando, à cabeça, desde logo, a CP Carga S.A. e abrindo a porta, naturalmente, à sua privatização, que é muito atractiva, seguramente, para alguns grupos económicos», denunciou.
Segundo o deputado do PCP, o decreto-lei em causa «abre a porta inclusivamente à segmentação e à entrega a privados» da «exploração de linhas ferroviárias de partes do país, de regiões, de certas áreas mais atractivas», através da «subconcessão por parte da CP».
Com a apresentação do seu projecto de lei, para o PCP, trata-se, pois, de defender o «caminho-de-ferro como um serviço público» e da CP «como operador público nacional desse caminho de ferro, que tem de ser gerido de uma forma integrada, gerido como um todo».
O deputado comunista lembrou, a propósito, o caso da TAP, considerando que nessa empresa «ainda há poucos anos foi aplicada uma estratégia muito semelhante a esta da segmentação» da CP.
«O sector do handling, da assistência em escala nos aeroportos foi autonomizado, depois foi privatizado, foi vendido aos espanhóis da Globalia, deu um prejuízo monumental e deu cabo da vida não só aos trabalhadores como aos passageiros», sustentou.
«Ainda há quem se lembre» das consequências de tal operação, assinalou ainda Bruno Dias, recordando que os impactos foram tais que a TAP teve de comprar novamente muito mais barato do que o que vendeu na altura». E concluiu: «isto é a estratégia de segmentação e privatização de serviços fundamentais para estas empresas, que são fundamentais para o País, para a economia, para o desenvolvimento, para a vida das populações».


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