Investvar começou a pagar salários

A força da luta

Os trabalhadores do Grupo Investvar persistem na luta pela viabilização do maior grupo de calçado nacional, exigindo que o Governo passe das declarações públicas às medidas concretas.

Os bancos e grandes grupos já receberam milhões

Na segunda-feira ficou-se a saber que o Grupo Investvar - conhecido por comercializar calçado da marca Aerosoles, para quem também produz, e que anunciou que a partir de Fevereiro trocará a marca americana pela MoveOn, uma marca própria - começou a pagar parte dos salários de Outubro aos seus 650 trabalhadores portugueses.
«Vale a pena lutar», salientou a Comissão Concelhia de Ovar do PCP, saudando a manifestação de centenas de trabalhadores que, no dia 19, percorreram as ruas de Ovar, concentrando-se frente aos Paços do Concelho - uma acção decidida na véspera, em plenário. Entre este e aquela, o ministro Vieira da Silva veio publicamente assegurar que o Governo «vai intervir na perspectiva de encontrar a melhor solução». Mas urge uma decisão do Ministério da Economia sobre o plano de reestruturação que a administração apresentou, ou outra solução que viabilize as empresas daquele grupo - do qual o Estado é, há mais de um ano, accionista maioritário, através do Inovcapial e Aicep Capital Global, dois fundos públicos de capital de risco. Concretamente, é preciso pagar os salários e disponibilizar rapidamente os créditos necessários para retomar a produção em pleno.
Continuar unidos, manter a pressão e não deixar que as palavras do ministro caiam em saco roto foi o principal apelo feito aos trabalhadores da Investvar, na sexta-feira de manhã, quando Ilda Figueiredo e outros camaradas distribuíram, à porta da sede do grupo, em Esmoriz, um comunicado e o texto de mais um requerimento da deputada comunista no Parlamento Europeu.
Também na sexta-feira, um grupo de trabalhadores da Investvar foi ao encontro do Presidente da República, que visitou uma empresa do concelho de Ovar. Concentrados junto à Flex 2000, os operários acabaram por ser recebidos pelo chefe da Casa Civil e um assessor de Cavaco Silva, a quem expuseram a grave situação social e as claras potencialidades de prosseguimento da actividade das empresas e preservação dos postos de trabalho.

Rohde

O plano de viabilidade da Rohde, em Santa Maria da Feira, não foi aceite pelos seus quase mil trabalhadores. Reunidos sexta-feira, no Pavilhão da Lavandeira, em assembleia de credores, os trabalhadores (na maioria, mulheres) da fábrica de calçado da multinacional alemã aceitaram adiar por vinte dias a discussão daquele plano, que preconiza o despedimento de 400 ou 450 pessoas. Como terminava naquele dia o período de lay-off iniciado a 11 de Setembro, as operárias vão suspender os contratos de trabalho, para poderem aceder ao Fundo de Desemprego.
Ao Governo, a concelhia do PCP exige que assuma as suas responsabilidades. Condenando o «plano de viabilidade» como «uma baixa manobra de divisão e chantagem por parte do Governo», os comunistas reclamam actos que correspondam à preocupação oficial de defesa do emprego: investir e defender a laboração e a produção da Rohde, com todos os seus meios técnicos e humanos - refere um comunicado, distribuído na manhã de dia 20, junto ao local da reunião, por Ilda Figueiredo e outros camaradas.


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