Os Senhoritos não gostam dos Comunistas...

Manuel Gouveia
Ficaram uns senhoritos muito chocados por aqui se ter dito que a outra face da liberdade burguesa é a repressão dos trabalhadores. Estes senhoritos gostam de pairar acima das classes, e de fechar os olhos à realidade do mundo em que vivem e sobre o qual discorrem: a realidade da existência de classes antagónicas e da luta entre elas, onde a liberdade de explorar não pode coexistir com a liberdade de não ser explorado.
E não é preciso ir muito longe para confirmar esta fundamental tese marxista sobre o Estado. Nem sequer ler coisas muito «complicadas». Basta saltar por cima da falsa imagem do real criada pelos meios de comunicação social dominados, e conhecer a realidade das empresas portuguesas e da própria administração pública (quer lendo o Avante quer mergulhando na própria realidade que o Avante retrata).
O que estes senhoritos não querem ver é que hoje o medo existe. Que em milhares de empresas os trabalhadores não se podem sindicalizar sem serem despedidos. Que dirigentes e delegados sindicais são despedidos por o serem. Que ser comunista voltou a ser razão para se estar clandestino dentro de muitas empresas. Que na administração pública se promove e reprime de acordo com as opiniões políticas que cada um expressa. Que muitas empresas voltam a instituir o sistema de multas sobre os salários. Que 700 mil trabalhadores portugueses, que precisam de vender a sua força de trabalho para sobreviver, sofrem a violência suprema do desemprego. Que outros tantos são obrigados a vender essa força na mais absoluta precariedade e outros forçados à emigração.
E que apesar de tudo isto ser anti-constitucional e ilegal, acontece com a cumplicidade ou o apoio activo do Estado Português, crescentemente reconduzido ao seu papel de instrumento de repressão dos explorados.
Mas o que verdadeiramente incomoda estes senhoritos é que a sua utopia de um mundo de escravos felizes e agradecidos aos seus amos é violentada pela acção dos homens que não temem a repressão, a denunciam e a combatem, que se organizam para adquirir a força suficiente para acabar com ela, que transmitem confiança e perspectiva, que apontam a luta como o caminho, e Abril e o Socialismo como objectivo: os comunistas.


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