JCP realiza Congresso nos dias 22 e 23 de Maio de 2010

Renovar a luta para transformar a sociedade

Na celebração, em Lisboa, do 30.º aniversário da JCP, Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, afirmou que «numa sociedade dividida em classes, em que o poder económico cada vez mais se sobrepõe ao poder político, a juventude não pode esperar que os direitos, aspirações e sonhos serão concretizados pela dádiva ou rebate de consciência dos que por razões da sua própria natureza vivem da exploração e para amassar lucro ao lucro. Os direitos não se dão! Conquistam-se! Os direitos defendem-se exercendo-os!». Por seu lado, Andreia Pereira, da Direcção Nacional da JCP, anunciou que nos dias 22 e 23 de Maio, em Lisboa, os jovens comunistas vão realizar, em Lisboa, o seu 9.º Congresso, «um grande momento de discussão, de esclarecimento e mobilização para a luta, de afirmação do ideal comunista».

Uma alternativa que se constrói com a iniciativa das forças revolucionárias e com a luta dos trabalhadores, das massas e dos povos

Extractos da intervenção de Jerónimo de Sousa

Uma saudação fraterna do Comité Central do nosso Partido à JCP, a todo o seu colectivo nesta celebração do seu 30.º aniversário, culminando o processo que unificou a União das Juventudes Comunistas e a União dos Estudantes Comunistas.
Saudação a todas as gerações de jovens comunistas que desde a fundação do nosso Partido até hoje assumiram o ideal comunista sempre ao lado da juventude, dos seus anseios e direitos no ensino, no trabalho, na cultura e na vida!
Inspirada nos princípios do marxismo-leninismo, mantendo as suas posições patrióticas e internacionalistas, a JCP mantém-se na linha da frente contra o imperialismo, pela paz e segurança dos povos, com o sonho avançado da transformação da sociedade que incorpora esse anseio milenar do ser humano de se libertar da exploração do homem pelo homem.
Alicerçada na organização e na luta organizada, com uma natureza, identidade, ideologia e projecto que se enquadram na luta do PCP por grandes transformações sociais, pela construção do socialismo e do comunismo, a JCP é chamada a encontrar caminhos e respostas às situações concretas que se colocam particularmente à juventude.
Se no quadro, nas condições do capitalismo, a raiz e a matriz dos problemas e da situação da juventude têm um carácter permanente, torna-se urgente que se encontrem respostas concretas, novas e acertadas aos problemas novos que hoje afectam e envolvem particularmente a juventude e percorrem a sociedade contemporânea. O mundo move-se e as coisas acontecem mais depressa que há 30 anos.
Num mundo pior, mais injusto e desigual e menos democrático onde contraditoriamente convivem enormes perigos para a humanidade e simultaneamente potencialidades de desenvolvimento de luta dos povos em processos progressistas e até revolucionários! Num quadro de profunda crise do capitalismo cuja natureza sistémica demonstra que está confrontado com os seus limites históricos, a tendência é para tentar sair da crise aumentando a exploração dos trabalhadores e dos povos, aumentar a agressividade, os conflitos e a guerra no confronto com quem resiste e luta em defesa dos seus direitos e da sua soberania, do seu direito inalienável de construir livremente o seu devir colectivo.
A necessidade que o capitalismo teve e tem de desencadear uma avassaladora ofensiva ideológica como aconteceu com as denominadas comemorações dos 20 anos da queda do muro de Berlim, mais do que o acto em si, demonstrou o estado de necessidade e o medo do capitalismo de que a juventude, os trabalhadores e os povos tomem consciência não só da necessidade, mas da possibilidade duma alternativa, da alternativa do socialismo a este sistema capitalista causador de tanto flagelo e injustiça social, da destruição e saque ambiental do planeta. Flagelos, injustiças e destruição concretizadas em nome de uns poucos, em nome dos interesses de uns poucos que centralizam e concentram fortunas que davam para irradicar a fome, a doença e a pobreza.
Recorrendo à falsificação e ao reescrever da história, escondendo aos povos e particularmente à juventude as transformações e conquistas sociais e civilizacionais alcançadas com a Revolução de Outubro, o papel decisivo da União Soviética na derrota da barbárie nazi, nos processos libertadores dos povos submetidos ao colonialismo, tentando criminalizar o socialismo e o comunismo e esconder os seus próprios crimes de invasão, ocupação e exploração, o imperialismo quer aprisionar e embutir nas consciências que o capitalismo é o fim da história da humanidade. Dizem hoje o que os esclavagistas diziam aos escravos, os senhores feudais aos servos que apresentavam o seu mundo e o seu domínio como imutáveis, mas a roda da história continuou a rodar.
Não foi o esclavagismo, não foi o feudalismo, não será o capitalismo que impedirá o curso da história e o socialismo afirma-se como alternativa. Uma alternativa que se constrói com a iniciativa das forças revolucionárias e com a luta dos trabalhadores, das massas e dos povos. Não nos fiquemos pelo optimismo histórico. Não esperemos que o capitalismo caia por si apenas pelas suas contradições! Temos de ser protagonistas do nosso tempo no nosso país concreto com os jovens que o são agora para agir, lutar, mudar e transformar! (...)

«Os direitos conquistam-se!»

(...) Temos todos a consciência de que actualmente a juventude é particularmente sujeita aos valores e à ideologia dominante, que lhe são oferecidos outros pólos de atracção e fruição, que o poder económico e o poder político, aliados objectivamente às forças que têm uma visão instrumental e eleitoral da juventude, procuram priorizar questões que tendo relevância e força de atracção nem de longe nem de perto substituem aquilo que é central e o chão mais sólido e seguro para um jovem! Ter um emprego com direitos, uma carreira profissional onde possa ter sucesso e pôr em prática os seus saberes e conhecimentos, um salário e um horário de trabalho mais justos!
É a partir desta base que um jovem está em condições de ser independente, de usufruir dos seus tempos livres, de participar na vida política, social e cultural e projectar com segurança e confiança a sua vida e o seu futuro. É a partir desta base que está em condições de ser um protagonista activo nas suas próprias causas, de, pensando com a sua própria cabeça, evoluir na consciência e descobrir que a força própria que reside em qualquer jovem tem mais força quando se junta e luta com outros e se transforma numa força de ruptura e de mudança! Força de acção e intervenção que comporte a conquista e a defesa dos seus interesses e direitos e possa construir a sua felicidade.
Numa sociedade dividida em classes, em que o poder económico cada vez mais se sobrepõe ao poder político, a juventude não pode esperar que os direitos, aspirações e sonhos serão concretizados pela dádiva ou rebate de consciência dos que por razões da sua própria natureza vivem da exploração e para amassar lucro ao lucro.
Os direitos não se dão! Conquistam-se! Os direitos defendem-se exercendo-os! E se ao longo da história as classes dominantes sempre se incomodaram com o protesto e a luta dos jovens, o que mais temem é a luta organizada da juventude! Eis uma tarefa dos jovens comunistas deste tempo! Sempre renovada e rejuvenescida em cada situação concreta, em cada tempo concreto, sem perder de vista a linha do horizonte e do nosso projecto de transformação da sociedade e da luta pelo socialismo que está na distância exacta entre a realidade que vivemos e o sonho avançado que temos!


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