Polémica volta a dominar eleições no Afeganistão
A segunda volta das eleições afegãs ameaça ser tão polémica como a primeira: Abdullah Abdullah exige a demissão do presidente da Comissão Eleitoral e os taliban apelam ao boicote.
Os membros da CEI foram nomeados pelo presidente em exercício
O candidato presidencial Abdullah Abdullah defende o «afastamento imediato» de Azizullah Ludin, presidente da Comissão Eleitoral Independente (CEI), e a sua substituição por outro membro da comissão, por considerar que ele «retirou toda a credibilidade a esta instituição».
Em conferência de imprensa realizada a 26 de Outubro, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros considerou que a «solução» para o descrédito é a substituição de Azizullah, já que por uma questão «prática e técnica» não é possível a substituição de todos os membros da comissão quando faltam apenas duas semanas para as eleições (marcadas para 7 de Novembro).
Os membros da CEI foram nomeados pelo presidente em exercício e candidato à reeleição, Hamid Karzai, a quem cabe também a responsabilidade de ter entregue a direcção do organismo dito «independente» ao seu antigo conselheiro Ludin, agora alvo das críticas de várias organizações de defesa dos direitos humanos, como a Human Rights Watch, que o acusam de parcialidade e lamentam a sua nomeação directa pelo presidente sem qualquer tipo de controlo parlamentar.
As dúvidas quanto à isenção dos membros da CEI já haviam sido suscitadas por Abdullah Abdullah aquando das denúncias de fraude na primeira volta das presidenciais, a 20 de Agosto. A confirmação das ilegalidades pela Comissão de Queixas Eleitorais, em Outubro, levaram à anulação de quase um quarto dos boletins de voto e trouxeram de novo a questão da idoneidade da CEI para a ordem do dia. Na primeira volta, recorda-se, segundo os resultados oficiais definitivos anunciados dois meses depois da votação, Hamid Karzai obteve 49,67 por cento dos votos e Abdullah Abdullah 30,59 por cento.
Condições mínimas
Abdullah advoga também a suspensão de funções dos ministros que violaram as regras de imparcialidade ao fazer campanha por Hamid Karzai ainda antes do início oficial da campanha eleitoral, e aponta como exemplo os ministros do Interior, da Educação e dos Assuntos Tribais.
Por outro lado, Abdullah defende que as assembleias de voto «fantasmas», que na primeira volta não abriram portas mas enviaram resultados, devem permanecer encerradas na segunda volta, a 7 de Novembro. De acordo com o candidato, estas são as «condições mínimas» exigidas para uma segunda volta transparente e justa. «Com a aplicação destas condições, temos uma oportunidade para que o povo afegão possa exprimir a sua vontade num ambiente mais favorável», disse.
As condições em que se realizam as eleições estão no entanto longe de poder ser consideradas «favoráveis». O país está sob ocupação estrangeira, em estado de guerra, e os taliban voltaram a apelar ao boicote eleitoral e a ameaçar com represálias os eleitores que se atreverem a ir às urnas.
Na primeira volta, marcada pela violência e pela fraude massiva, a participação ficou-se pelos 38,7 por cento a nível nacional e não foi além dos 5 por cento nos bastiões dos taliban no Sul do país.
Em conferência de imprensa realizada a 26 de Outubro, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros considerou que a «solução» para o descrédito é a substituição de Azizullah, já que por uma questão «prática e técnica» não é possível a substituição de todos os membros da comissão quando faltam apenas duas semanas para as eleições (marcadas para 7 de Novembro).
Os membros da CEI foram nomeados pelo presidente em exercício e candidato à reeleição, Hamid Karzai, a quem cabe também a responsabilidade de ter entregue a direcção do organismo dito «independente» ao seu antigo conselheiro Ludin, agora alvo das críticas de várias organizações de defesa dos direitos humanos, como a Human Rights Watch, que o acusam de parcialidade e lamentam a sua nomeação directa pelo presidente sem qualquer tipo de controlo parlamentar.
As dúvidas quanto à isenção dos membros da CEI já haviam sido suscitadas por Abdullah Abdullah aquando das denúncias de fraude na primeira volta das presidenciais, a 20 de Agosto. A confirmação das ilegalidades pela Comissão de Queixas Eleitorais, em Outubro, levaram à anulação de quase um quarto dos boletins de voto e trouxeram de novo a questão da idoneidade da CEI para a ordem do dia. Na primeira volta, recorda-se, segundo os resultados oficiais definitivos anunciados dois meses depois da votação, Hamid Karzai obteve 49,67 por cento dos votos e Abdullah Abdullah 30,59 por cento.
Condições mínimas
Abdullah advoga também a suspensão de funções dos ministros que violaram as regras de imparcialidade ao fazer campanha por Hamid Karzai ainda antes do início oficial da campanha eleitoral, e aponta como exemplo os ministros do Interior, da Educação e dos Assuntos Tribais.
Por outro lado, Abdullah defende que as assembleias de voto «fantasmas», que na primeira volta não abriram portas mas enviaram resultados, devem permanecer encerradas na segunda volta, a 7 de Novembro. De acordo com o candidato, estas são as «condições mínimas» exigidas para uma segunda volta transparente e justa. «Com a aplicação destas condições, temos uma oportunidade para que o povo afegão possa exprimir a sua vontade num ambiente mais favorável», disse.
As condições em que se realizam as eleições estão no entanto longe de poder ser consideradas «favoráveis». O país está sob ocupação estrangeira, em estado de guerra, e os taliban voltaram a apelar ao boicote eleitoral e a ameaçar com represálias os eleitores que se atreverem a ir às urnas.
Na primeira volta, marcada pela violência e pela fraude massiva, a participação ficou-se pelos 38,7 por cento a nível nacional e não foi além dos 5 por cento nos bastiões dos taliban no Sul do país.