O povo precisa de estabilidade

Manuel Gouveia
Este Ac­tual estava para ser sobre as eleições em Lisboa, e o misto de contradições, cobardias, oportunismos e imaturidades que permitem que um PS atolado na política de direita até ao pescoço, consiga o apoio de cidadãos que dizem agir em nome da «esquerda».
Esteve também para ser sobre a falta de memória, e para lembrar o cerco policial à So­re­fame, com o Governo a usar a força policial para impor a liquidação da produção de comboios em Portugal, processo que vivi do lado certo da barricada (com os trabalhadores e o Partido) e António Costa viveu como Ministro da Administração Interna.
Mas um breve rodapé no telejornal obrigou-me a escrever sobre outra questão. É que esse rodapé informava, coisa rara nos nossos dias, essa dos telejornais informarem. E informava sobre a Venezuela, coisa ainda mais rara e prodigiosa.
E essa informação, preciosa por rara e pela significância, é de que 10 anos de revolução reduziram para METADE a pobreza na Venezuela. Ou, traduzindo percentagens para números, e aproximando-nos da dimensão do processo, são SEIS MILHÕES de cidadãos que já saíram da pobreza, e SEIS MILHÕES que ainda falta sair.
O que diz TUDO da «democracia» que produziu 12 milhões de pobres até 1998 (quase metade da população país), e diz muito do potencial transformador de um processo que rompa com uma política ao serviço das classes dominantes. Um número que ainda permite explicar o ódio a Hugo Chávez e à revolução bolivariana, um ódio que une todos os vampiros que dentro e fora da Venezuela vivem do roubo dos recursos naturais e da exploração da força de trabalho, e se alimentam da miséria alheia.
Tinha razão o povo venezuelano quando em 1998 encerrou um período de mais de 40 anos de «estabilidade política», de governos ora de «esquerda» (AD), ora de «direita» (COPEI), mas sempre ao serviço do imperialismo e dos exploradores, e mergulhou na «instabilidade» e na revolução, começando a estabilizar a vida de milhões.
É que na Venezuela, como em Portugal, a estabilidade do povo e dos exploradores do povo é incompatível. É preciso, sempre, optar! Em Portugal, o povo também precisa da estabilidade que só na ruptura com a política de direita poderá alcançar!


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