Uma operação à maneira

José Casanova
O «critério informativo» dominante nos média do grande capital é a defesa da política de direita – seja ela praticada pelo PS ou pelo PSD, com ou sem CDS/PP ou Queijo Limiano.
Se o proprietário de um dado órgão de comunicação está satisfeito com o partido de serviço à política de direita, esse órgão será o seu fiel propagandista; se, pelo contrário, por esta ou aquela razão, não está satisfeito com a prestação desse partido, então o órgão criticará o partido de serviço e fará propaganda ao outro...
Por força desse critério, constitui prioridade complementar desses média o ataque sistemático a quem combata a política de direita – daí o tratamento de excepção, pela negativa, aplicado ao PCP e à CDU; daí o tratamento de excepção, pela positiva, a tudo o que eles pensem que pode impedir ou limitar o avanço do PCP/CDU: daí, então, a intensa e permanente campanha de propaganda em favor do BE...
Um aspecto curioso é o que tem a ver com a diversidade de expressões que, pela força das circunstâncias, esse «critério informativo» assume. E nesse aspecto, pode dizer-se que a imaginação criadora de quem dirige os média dominantes é incomensurável, surpreendendo-nos todos os dias pelo grau sempre mais elevado de desvergonha e de insulto à inteligência dos seus leitores.
É o caso desta espectacular operação propagandística em curso visando a caça ao voto para o PS – ou seja: para a política de direita praticada pelo PS – iniciada na terça-feira com a publicação pelo Jornal de Notícias de um artigo de José Sócrates, intitulado «Uma escolha decisiva».
Trata-se de uma peça de propaganda – aliás, mal enjorcada, de baixo nível inteligencial e de seriedade mais do que duvidosa - na qual o primeiro-ministro tenta vender o exemplo «positivo» do seu Governo, remetendo para o «negativo» tudo o que provém daquilo a que, impropriamente, chama «oposição».
A operação prosseguiu na quarta-feira, no Diário de Notícias: aí, foi a vez de José Lello repetir o chefe, num artigo «Boas Novas», onde nos garante, vejam bem!, que «a economia está mais sólida e com maior capacidade» e blá-blá-blá.
Veremos quais os órgãos de comunicação que se seguem...


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