É assim o amor…

Ângelo Alves
No passado Domingo um jornal diário dedicava um terço da sua primeira página a três fotos de Francisco Louçã, Joana Amaral Dias (JAD) e José Sócrates, por esta ordem e da esquerda para a direita – um critério possível, entre outros.
O título – pequeno, porque o destaque era dado às caras – afirmava: «A polémica Bloco-PS continua» (o hífen está lá mesmo, não é da nossa autoria). Na mancha - convenientemente destacada em tom verde velho – citam-se três frases: A do «líder» do BE – como é agora tratado o dirigente da formação política que no passado fez gala em afirmar que não tinha «um líder» – em que Louçã ataca a «credibilidade do governo» por causa deste caso; a da ex-deputada e ex-dirigente, agora «militante de Base do Bloco» - usando a linguagem da própria relativamente a um partido que se afirmou no passado como um «partido-movimento» – em que JAD refere que «a questão está encerrada» e, finalmente, uma frase do primeiro-ministro em que José Sócrates afirma que «Louçã faltou à verdade».
Lemos a «notícia», recorremos à memória, e a pergunta surge de imediato: Porque raio se transforma em acontecimento nacional o facto de alguém do PS ter «sondado» a ex-mandatária para a juventude da candidatura oficial do PS à Presidência da República nas eleições de 2007 para aferir da sua disponibilidade para ser candidata do PS? Dirão alguns: «ela é militante do BE». Pois é, e então? É que quem foi «sondada» foi a militante de um partido que tem na sua Comissão Política um homem que só não «chora» com a demissão de Manuel Pinho porque não calha; um partido cujos autarcas de maior destaque são uma Presidente de Câmara que o BE recebeu de braços abertos para a senhora prosseguir um projecto pessoal que não cabia nesse «retrógrado» hábito de discussão e decisão colectiva da CDU e um vereador que «fazia falta» a Lisboa e que agora não faz falta ao PS porque já lá está; um partido que em distritos de maioria CDU se alia ao PS no mais «puro» anticomunismo; um partido que alterou a sua lista numa Freguesia de Vizela para que um ex-militante do CDS-PP a pudesse encabeçar; um partido que candidata à Câmara Municipal de Ovar o actual vice-presidente eleito pelo Partido Socialista.
De facto não há nada de novo na salganhada entre o PS e o BE. Ambos descredibilizam a política, ambos esgrimem meias verdades, e o povo lá vai vendo as fotos no jornal. É assim o amor…


Mais artigos de: Opinião

Os «porquinhos» de Sócrates

Em matéria de promessas e demagogia dificilmente se encontrará, reconheça-se, quem se possa bater com Sócrates e PS. Em matéria de promessas conheciam-se já bastas variedades: as que se anunciam e rapidamente se esquecem; as que se formulam com o premeditado intuito de vir a fazer exactamente o contrário; as que se...

Alianças à esquerda – porque não?

No momento político português é inevitável constatar que reclamações (designadamente ao PCP) de integrar uma «nova política de alianças», mantêm um silêncio pudicamente discreto sobre quais as bases em que essas alianças poderão estabelecer-se.Verifica-se infelizmente a olho nu que muitos dos que falam da necessidade...

Uma Festa para todos

É já nos próximos dias 4, 5 e 6 de Setembro que a Quinta da Atalaia abre portas à 33ª edição da Festa do Avante!, justamente considerada a maior iniciativa político-cultural que se realiza no nosso país.

Não espanta…

Enquadrado no ciclo de iniciativas com vista à elaboração do seu programa eleitoral, o PCP realizou na passada semana, em Lisboa, uma audição em torno do tema «Uma política externa de cooperação e de paz, ao serviço do povo e do país. A solidariedade é a nossa força!». A iniciativa, concebida para recolher contributos...

A gaveta e o assobio

Numa semana em que todos os jornais falam nas desavenças internas que coroaram a aprovação das listas do PSD – ou seja, as listas a gosto de Manuela Ferreira Leite, que é quem manda nesse partido da alternância – e que mostram bem o tipo de «democracia» que por lá reina e que afasta todos os que divergem da amada líder,...