A RFA ontem e hoje
A história da Alemanha contemporânea encerra lições da maior actualidade
O papel da Alemanha na União Europeia e as suas ambições imperialistas não tem estado em discussão nas eleições para o Parlamento Europeu. Mas deviam estar. As responsabilidades dos monopólios e do Estado alemão na configuração neoliberal, federalista e militarista da UE é enorme e há mesmo círculos do grande capital germânico que não escondem a aspiração a uma «Europa alemã». É o que está a acontecer com as celebrações do 60.º aniversário da «Lei Fundamental da República Federal da Alemanha» de Maio de 1949.
É por isso oportuno recordar que a criação da RFA foi um acto de força contrário aos tratados que puzeram fim à II Guerra Mundial, nomeadamente os acordos de Potsdam. Estava-se no auge da «guerra fria» desencadeada pelo imperialismo. No Extremo Oriente a Coreia fora já dividida e na parte Sul da Península, ocupada pelos EUA, imposto o regime títere de Syngman Rhee. Em Abril acabava de ser criada a NATO. Com o pretexto da «ameaça soviética» os EUA, a França e a Grã Bretanha rasgavam solenes compromissos de erradicação do fascismo ao mesmo tempo que os partidos comunistas eram afastados dos governos da França, da Itália e de outros países. A Federação Sindical Mundial e outras organizações unitárias internacionais forjadas no combate antifascista eram sistematicamente cindidas com base no anticomunismo. E a fronteira entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental, a começar por Berlim, transformou-se no mais perigoso foco de tensão internacional.
Sessenta anos depois a Alemanha tornou-se de novo uma grande potência cujas ambições se revelam particularmente no impulso expansionista para Leste que a guerra da Jugoslávia evidenciou. Isso aconteceu com o apoio do imperialismo norte-americano que tudo fez para salvar os monopólios e os latifúndios, que constituíam a base de apoio de Hitler, e reabilitar gente profundamente comprometida com o nazismo. Isso aconteceu graças à instalação na RFA das mais poderosas bases militares dos EUA no estrangeiro e a transformação da Alemanha Ocidental em plataforma avançada contra a URSS e o campo socialista. Isso passou pela perseguição e ilegalização do Partido Comunista Alemão e as célebres Berufsverbot (interdições profissionais) visando destruir as tradições revolucionárias da classe operária alemã e a sua rendição à colaboração de classes. Isso foi possível com a derrota da República Democrática Alemã, o primeiro Estado socialista em solo alemão que, apesar dos inegáveis êxitos alcançados na construção da nova sociedade não conseguiu resistir à ofensiva anexionista de finais dos anos oitenta.
Sessenta anos depois de a criação da RFA ter coartado o desenvolvimento antifascista e antimonopolista da parte ocidental da Alemanha, é necessário não esquecer, por um lado o colossal apoio recebido dos EUA para tornar a Alemanha «a montra do capitalismo» na disputa histórica com o socialismo e por outro lado o vergonhoso papel desempenhado pela social-democracia na recuperação e expansão do grande capital alemão, a começar pela traição na revolução alemã de 1918 que o assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht tão dramaticamente simboliza. Trata-se de pilares fundamentais em que continua a assentar a «grande Alemanha» dos nossos dias e poderosos obstáculos à construção da Europa de progresso social, paz e cooperação por que lutamos.
A história da Alemanha contemporânea encerra lições da maior actualidade perante a crise profunda do capitalismo, crise que atinge fortemente a economia e a sociedade alemã e tende a agudizar as contradições inter- imperialistas. Que não haja qualquer ilusão: a crescente militarização do Estado alemão e as suas aspirações de grande potência encerram perigos que só a vigilância e a luta solidária dos comunistas, dos progressistas, dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo pode conjurar.
É por isso oportuno recordar que a criação da RFA foi um acto de força contrário aos tratados que puzeram fim à II Guerra Mundial, nomeadamente os acordos de Potsdam. Estava-se no auge da «guerra fria» desencadeada pelo imperialismo. No Extremo Oriente a Coreia fora já dividida e na parte Sul da Península, ocupada pelos EUA, imposto o regime títere de Syngman Rhee. Em Abril acabava de ser criada a NATO. Com o pretexto da «ameaça soviética» os EUA, a França e a Grã Bretanha rasgavam solenes compromissos de erradicação do fascismo ao mesmo tempo que os partidos comunistas eram afastados dos governos da França, da Itália e de outros países. A Federação Sindical Mundial e outras organizações unitárias internacionais forjadas no combate antifascista eram sistematicamente cindidas com base no anticomunismo. E a fronteira entre a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental, a começar por Berlim, transformou-se no mais perigoso foco de tensão internacional.
Sessenta anos depois a Alemanha tornou-se de novo uma grande potência cujas ambições se revelam particularmente no impulso expansionista para Leste que a guerra da Jugoslávia evidenciou. Isso aconteceu com o apoio do imperialismo norte-americano que tudo fez para salvar os monopólios e os latifúndios, que constituíam a base de apoio de Hitler, e reabilitar gente profundamente comprometida com o nazismo. Isso aconteceu graças à instalação na RFA das mais poderosas bases militares dos EUA no estrangeiro e a transformação da Alemanha Ocidental em plataforma avançada contra a URSS e o campo socialista. Isso passou pela perseguição e ilegalização do Partido Comunista Alemão e as célebres Berufsverbot (interdições profissionais) visando destruir as tradições revolucionárias da classe operária alemã e a sua rendição à colaboração de classes. Isso foi possível com a derrota da República Democrática Alemã, o primeiro Estado socialista em solo alemão que, apesar dos inegáveis êxitos alcançados na construção da nova sociedade não conseguiu resistir à ofensiva anexionista de finais dos anos oitenta.
Sessenta anos depois de a criação da RFA ter coartado o desenvolvimento antifascista e antimonopolista da parte ocidental da Alemanha, é necessário não esquecer, por um lado o colossal apoio recebido dos EUA para tornar a Alemanha «a montra do capitalismo» na disputa histórica com o socialismo e por outro lado o vergonhoso papel desempenhado pela social-democracia na recuperação e expansão do grande capital alemão, a começar pela traição na revolução alemã de 1918 que o assassinato de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht tão dramaticamente simboliza. Trata-se de pilares fundamentais em que continua a assentar a «grande Alemanha» dos nossos dias e poderosos obstáculos à construção da Europa de progresso social, paz e cooperação por que lutamos.
A história da Alemanha contemporânea encerra lições da maior actualidade perante a crise profunda do capitalismo, crise que atinge fortemente a economia e a sociedade alemã e tende a agudizar as contradições inter- imperialistas. Que não haja qualquer ilusão: a crescente militarização do Estado alemão e as suas aspirações de grande potência encerram perigos que só a vigilância e a luta solidária dos comunistas, dos progressistas, dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo pode conjurar.