ONU investiga crimes de guerra
A missão das Nações Unidas encarregue de investigar os crimes de guerra e outras violações do Direito Internacional cometidas por Israel durante o ataque contra a Faixa de Gaza chegou, segunda-feira, ao território. O sul-africano Richard Goldstone lidera uma equipa de 15 pessoas que deverá permanecer em Gaza durante uma semana, mantendo-se, porém, a hipótese de nova ronda pela Faixa nos próximos meses.
Para além de visitarem algumas das zonas mais fustigadas pela guerra, o grupo de investigadores pretende falar com o governo do Hamas e outras autoridades locais, com a população, com profissionais de saúde e membros de organizações de assistência que trabalham em Gaza. O objectivo, dizem, é proceder a um levantamento rigoroso dos acontecimentos e das suas consequências.
A missão causa um profundo mal estar a Israel, que se recusou a colaborar, em qualquer circunstância, com a investigação da ONU e qualificou-a de tendenciosa. O governo de Telavive, que recentemente concluiu num inquérito interno não terem existido quaisquer registos de má conduta por parte dos militares envolvidos na operação, negou mesmo os vistos de entrada à equipa de Goldstone obrigando-a a entrar na Faixa de Gaza a partir do Egipto, pela passagem fronteiriça de Rafah.
No início do passado mês de Maio, a ONU concluiu que Israel cometeu crimes de guerra. O relatório das Nações Unidas incide apenas sobre os bombardeamentos cujos alvos foram instalações da organização na Faixa de Gaza. Dezenas de civis morreram, entre as quais mulheres e crianças, e centenas resultaram feridas, isto para além da destruição completa ou parcial de infraestruturas essenciais para que a população palestiniana tenha acesso a saúde, educação, saneamento básico, água potável ou géneros alimentares.
A acrescer a este documento, um outro, igualmente da responsabilidade da ONU, critica Israel por manter um centro de detenção e tortura secreto. O Comité Antitortura das Nações Unidas denuncia no texto que os israelitas negam ao Comité Internacional da Cruz Vermelha o acesso à base 1391, local onde, de acordo com relatos confirmados, os presos palestinianos são torturados durante os interrogatórios.
O Comité Antitortura revelou ainda que naquela prisão secreta, Israel priva os detidos de acesso a um defensor legal, prende familiares dos prisioneiros como forma de pressão, e detém, de acordo com uma lei em vigor no país, menores de 12 anos antes de os levar a julgamento.
Política vergonhosa
Entretanto, o presidente Barack Obama iniciou um périplo pelo Médio Oriente visando «conquistar a confiança do mundo muçulmano». A visita sucede a encontros com os líderes israelita e da Autoridade Nacional Palestiniana, Benjamin Netanyahu e Mahmoud Abbas, respectivamente, e uma série de declarações públicas nas quais o presidente norte-americano defende a diplomacia, o diálogo e a paciência para que palestinianos e israelitas convivam em paz no quadro de dois Estados soberanos. As palavras repetem anteriores compromissos norte-americanos para com a pacificação do conflito e, na prática, não só não acrescentam nada de novo como até contribuem para uma aparente normalização da situação existente, até que a «boa vontade» impere.
Com efeito, Washington não só não cessa a milionária ajuda militar a Israel, como não condena o Estado sionista, por exemplo, por se negar a colaborar com as Nações Unidas na investigação dos crimes de guerra cometidos em Gaza, complacência de que não gozam outros povos e nações. Muitos pagaram já um alto preço por se negarem a «colaborar» com a ONU.
Mais. Antes de Obama iniciar o giro pelo Médio Oriente, o primeiro-ministro Netanyahu recusou, sem papas na língua, parar a colonização na Cisjordânia, dizendo, tão somente, que o seu governo não construirá novos empreendimentos, destruirá os que considerar ilegais – qual juiz em causa própria –, mas nada fará para travar o «crescimento natural» dos colonatos existentes.
Recorde-se que nos colonatos da Cisjordânia (todos considerados ilegais pela «comunidade internacional») habitam cerca de 250 mil israelitas. O movimento israelita «Paz Agora» estima que quase metade das terras onde foram construídos os colonatos ilegais pertence a palestinianos. Em cidades Cisjordâneas como Nablus, Hebron, Tulkarm ou Ramallah, Israel socorre-se de diversos obstáculos físicos, administrativos e legais para impedir a movimentação dos palestinianos, o que não acontece com os colonos.
Para além de visitarem algumas das zonas mais fustigadas pela guerra, o grupo de investigadores pretende falar com o governo do Hamas e outras autoridades locais, com a população, com profissionais de saúde e membros de organizações de assistência que trabalham em Gaza. O objectivo, dizem, é proceder a um levantamento rigoroso dos acontecimentos e das suas consequências.
A missão causa um profundo mal estar a Israel, que se recusou a colaborar, em qualquer circunstância, com a investigação da ONU e qualificou-a de tendenciosa. O governo de Telavive, que recentemente concluiu num inquérito interno não terem existido quaisquer registos de má conduta por parte dos militares envolvidos na operação, negou mesmo os vistos de entrada à equipa de Goldstone obrigando-a a entrar na Faixa de Gaza a partir do Egipto, pela passagem fronteiriça de Rafah.
No início do passado mês de Maio, a ONU concluiu que Israel cometeu crimes de guerra. O relatório das Nações Unidas incide apenas sobre os bombardeamentos cujos alvos foram instalações da organização na Faixa de Gaza. Dezenas de civis morreram, entre as quais mulheres e crianças, e centenas resultaram feridas, isto para além da destruição completa ou parcial de infraestruturas essenciais para que a população palestiniana tenha acesso a saúde, educação, saneamento básico, água potável ou géneros alimentares.
A acrescer a este documento, um outro, igualmente da responsabilidade da ONU, critica Israel por manter um centro de detenção e tortura secreto. O Comité Antitortura das Nações Unidas denuncia no texto que os israelitas negam ao Comité Internacional da Cruz Vermelha o acesso à base 1391, local onde, de acordo com relatos confirmados, os presos palestinianos são torturados durante os interrogatórios.
O Comité Antitortura revelou ainda que naquela prisão secreta, Israel priva os detidos de acesso a um defensor legal, prende familiares dos prisioneiros como forma de pressão, e detém, de acordo com uma lei em vigor no país, menores de 12 anos antes de os levar a julgamento.
Política vergonhosa
Entretanto, o presidente Barack Obama iniciou um périplo pelo Médio Oriente visando «conquistar a confiança do mundo muçulmano». A visita sucede a encontros com os líderes israelita e da Autoridade Nacional Palestiniana, Benjamin Netanyahu e Mahmoud Abbas, respectivamente, e uma série de declarações públicas nas quais o presidente norte-americano defende a diplomacia, o diálogo e a paciência para que palestinianos e israelitas convivam em paz no quadro de dois Estados soberanos. As palavras repetem anteriores compromissos norte-americanos para com a pacificação do conflito e, na prática, não só não acrescentam nada de novo como até contribuem para uma aparente normalização da situação existente, até que a «boa vontade» impere.
Com efeito, Washington não só não cessa a milionária ajuda militar a Israel, como não condena o Estado sionista, por exemplo, por se negar a colaborar com as Nações Unidas na investigação dos crimes de guerra cometidos em Gaza, complacência de que não gozam outros povos e nações. Muitos pagaram já um alto preço por se negarem a «colaborar» com a ONU.
Mais. Antes de Obama iniciar o giro pelo Médio Oriente, o primeiro-ministro Netanyahu recusou, sem papas na língua, parar a colonização na Cisjordânia, dizendo, tão somente, que o seu governo não construirá novos empreendimentos, destruirá os que considerar ilegais – qual juiz em causa própria –, mas nada fará para travar o «crescimento natural» dos colonatos existentes.
Recorde-se que nos colonatos da Cisjordânia (todos considerados ilegais pela «comunidade internacional») habitam cerca de 250 mil israelitas. O movimento israelita «Paz Agora» estima que quase metade das terras onde foram construídos os colonatos ilegais pertence a palestinianos. Em cidades Cisjordâneas como Nablus, Hebron, Tulkarm ou Ramallah, Israel socorre-se de diversos obstáculos físicos, administrativos e legais para impedir a movimentação dos palestinianos, o que não acontece com os colonos.