A vingança
Tony Blair não acreditava que o seu «New Labour» pudesse sofrer uma derrota na eleição parcial que se realizou na quinta-feira na circunscrição de Brent-East (Londres). Por isso, dirigindo-se a deputados trabalhistas cujo alarme era já evidente, declarou: «Mantenham firmes os vossos nervos». E, depois, lançou-se na defesa das suas propostas de natureza de mercado para os problemas que persistem nas áreas da Saúde e da Educação. Mas, na hora da verdade, os eleitores da circunscrição acima referida disseram, inequivocamente, aquilo que pensam do primeiro-ministro e das suas propostas. A votação não foi uma daquelas a que os governos se habituaram desde há muito quando o eleitorado, a meio de um mandato, está cansado de promessas e deseja registar um voto de protesto. Foi uma vingança. Um primeiro dia de vingança contra a má fé e a traição daquele que desde há seis anos se apresenta como um homem de bem, um senhor advogado da moderna escola em cujo pensamento vive o interesse do povo britânico.
Agora, o lugar de Brent-East no Parlamento pertence aos liberais democratas cuja candidata derrotou, também, a conservadora, Uma Fernandes, e colocou a Grã-Bretanha, imediatamente, diante de uma questão que de há muito não se punha - a da hipótese de uma Câmara dos Comuns com três partidos representados, todos eles, por número aproximado de deputados. Esta possibilidade está a aterrorizar muita gente no Partido Trabalhista (New Labour-Old Labour), posto que cerca de 90 deputados não dispõem actualmente de maiorias superiores a cerca de 5 000 votos. Os seus lugares, evidentemente, estão desde já em perigo sério.
Eis como se distribuíram os votos na última quinta-feira:
Sarah Teather (Liberal-Democrata): 8158 votos (39,1%); Robert Evans (Trabalhista): 7040 votos (33,8%); Uma Fernandes (Conservadora): 3368 votos (16,2%). Nas últimas eleições gerais, os três partidos tinham alcançado os seguintes resultados: Trabalhistas: 18 325 votos (63,2%); Conservadores: 5278 votos (18,2%); Liberais-Democratas: 3065 votos (10,6%).
Os números saídos desta eleição parcial criaram pânico em todos os meios trabalhistas de cujo Congresso, que terá lugar dentro de dias em Bournemouth (Hampshire-sul de Inglaterra), daremos conta aos leitores do «Avante!». Como se espera, tanto a esquerda tradicional, liderada pelos ex-ministros, Robin Cook e Clare Short, como muitos outros delegados com opiniões mais centristas e, principalmente, os representantes dos sindicatos, exigirão a imediata demissão de Blair se o Congresso desejar que o partido mantenha o poder e possa evitar, ainda, a generalizada vingança de todo o povo nas próximas eleições gerais. O Congresso exigirá o fim da ligação à aventura americana no Iraque, a libertação da economia que as grilhetas do mercado estrangulam, a retirada das actuais propostas blairistas para o aumento das propinas e para o lançamento dos hospitais-fundação.
Herança heróica
Bournemouth é uma estância de férias, terra aprazível, repleta de hotéis e de compridas avenidas onde se alinham vivendas da classe média ou de outros que, reformados com razoáveis pensões e prémios de «retirement» escolheram a cidade para viver, tranquilamente, os últimos dias. Nessa atmosfera, o Congresso trabalhista, à vista do mar, poderá sentir-se inspirado pelas condições naturais em que vai realizar-se e deixar-se iludir pela retórica dos delegados blairistas, que não são poucos.
Mas o Partido Trabalhista está ofendido, profundamente ofendido pela trajectória dos homens do «New Labour» que, tão desejosos de a si atrair as simpatias e os votos da classe média e média-alta, desprezaram as raízes do trabalhismo, esqueceram a sua História, a sua tradição, a heróica herança de sacrifícios da classe trabalhadora britânica e passaram à vergonhosa condição de partido «Tory» número dois. É assim que os eleitores catalogam, agora, Tony Blair, a sua desastrosa política, o seu «New Labour» impossível.
Agora, o lugar de Brent-East no Parlamento pertence aos liberais democratas cuja candidata derrotou, também, a conservadora, Uma Fernandes, e colocou a Grã-Bretanha, imediatamente, diante de uma questão que de há muito não se punha - a da hipótese de uma Câmara dos Comuns com três partidos representados, todos eles, por número aproximado de deputados. Esta possibilidade está a aterrorizar muita gente no Partido Trabalhista (New Labour-Old Labour), posto que cerca de 90 deputados não dispõem actualmente de maiorias superiores a cerca de 5 000 votos. Os seus lugares, evidentemente, estão desde já em perigo sério.
Eis como se distribuíram os votos na última quinta-feira:
Sarah Teather (Liberal-Democrata): 8158 votos (39,1%); Robert Evans (Trabalhista): 7040 votos (33,8%); Uma Fernandes (Conservadora): 3368 votos (16,2%). Nas últimas eleições gerais, os três partidos tinham alcançado os seguintes resultados: Trabalhistas: 18 325 votos (63,2%); Conservadores: 5278 votos (18,2%); Liberais-Democratas: 3065 votos (10,6%).
Os números saídos desta eleição parcial criaram pânico em todos os meios trabalhistas de cujo Congresso, que terá lugar dentro de dias em Bournemouth (Hampshire-sul de Inglaterra), daremos conta aos leitores do «Avante!». Como se espera, tanto a esquerda tradicional, liderada pelos ex-ministros, Robin Cook e Clare Short, como muitos outros delegados com opiniões mais centristas e, principalmente, os representantes dos sindicatos, exigirão a imediata demissão de Blair se o Congresso desejar que o partido mantenha o poder e possa evitar, ainda, a generalizada vingança de todo o povo nas próximas eleições gerais. O Congresso exigirá o fim da ligação à aventura americana no Iraque, a libertação da economia que as grilhetas do mercado estrangulam, a retirada das actuais propostas blairistas para o aumento das propinas e para o lançamento dos hospitais-fundação.
Herança heróica
Bournemouth é uma estância de férias, terra aprazível, repleta de hotéis e de compridas avenidas onde se alinham vivendas da classe média ou de outros que, reformados com razoáveis pensões e prémios de «retirement» escolheram a cidade para viver, tranquilamente, os últimos dias. Nessa atmosfera, o Congresso trabalhista, à vista do mar, poderá sentir-se inspirado pelas condições naturais em que vai realizar-se e deixar-se iludir pela retórica dos delegados blairistas, que não são poucos.
Mas o Partido Trabalhista está ofendido, profundamente ofendido pela trajectória dos homens do «New Labour» que, tão desejosos de a si atrair as simpatias e os votos da classe média e média-alta, desprezaram as raízes do trabalhismo, esqueceram a sua História, a sua tradição, a heróica herança de sacrifícios da classe trabalhadora britânica e passaram à vergonhosa condição de partido «Tory» número dois. É assim que os eleitores catalogam, agora, Tony Blair, a sua desastrosa política, o seu «New Labour» impossível.