VI Assembleia da Organização Regional de Coimbra

Enfrentar a ofensiva

Com cerca de 200 delegados e convidados, a VI Assembleia da Organização Regional de Coimbra do PCP, realizada no sábado, debateu a situação social do distrito e a intervenção do Partido e elegeu a nova Direcção Regional.

A política de direita deixa marcas profundas no distrito de Coimbra

As marcas da política de direita no distrito de Coimbra estiveram em debate nos trabalhos da VI Assembleia daquela Organização Regional, realizada no sábado. No documento à discussão, e que seria aprovado por unanimidade, e em várias intervenções, salientava-se a destruição do aparelho produtivo, também naquela região.
Entre 2005 e 2008, ou seja, no período do Governo PS, encerraram muitas empresas industriais em Coimbra, acusaram os comunistas, nomeadamente dos sectores cerâmico e têxtil – encerraram até ao fim do ano passado 12 empresas têxteis, num total de mais de 500 trabalhadores; 9 empresas cerâmicas, com mais de 300 trabalhadores; 2 empresas metalúrgicas ultrapassando 100 trabalhadores e 2 empresas rodoviárias, atingindo mais de 130 trabalhadores. E estes são apenas alguns exemplos...
Outras das realidades do distrito é o favorecimento aos grandes grupos de distribuição. Entre 2005 e 2007, abriram 35 superfícies comerciais. Realidade que contrasta com a falta de apoios ao comércio tradicional e que levou à falência de centenas de pequenas empresas comerciais e ao desemprego de milhares de trabalhadores.
No que respeita ao desemprego, este não parou de aumentar desde 2005. As mulheres e os jovens estão entre os grupos mais afectados.
Também a agricultura tem vindo a sofrer muito com o agravamento da política de direita. Subsistem ainda no distrito cerca de 12 mil agricultores em produções tão importantes como o leite, o arroz, o vinho ou o milho. O aumento – especulativo – do preço dos factores de produção levou à pior crise no sector dos últimos 30 anos – 35 por cento dos produtores de leite do distrito desapareceram nos últimos 8 anos.

Retrocesso e exclusão

Outras das questões em debate foi a quebra do investimento público. A verba atribuída ao distrito, no âmbito do PIDDAC, sofreu uma quebra de 60 por cento nos últimos anos. Esta opção, sustentam os comunistas, tem condicionado o desenvolvimento da região e não tem permitido a realização de obras e infraestruturas essenciais. O PCP tem apresentado várias propostas – como a obra hidrográfica do Mondego ou a beneficiação das redes ferroviária e viária – que são sucessivamente chumbadas por PS, PSD e PP.
Os últimos anos, no distrito de Coimbra, foram também marcados pelo encerramento de urgências hospitalares, de vários serviços de atendimento permanente nos centros de saúde e da Maternidade da Figueira da Foz. Foi também aberta a porta à privatização do Centro Hospitalar de Coimbra e dos Hospitais da Universidade de Coimbra.
No que respeita à educação, encerraram escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico e jardins de infância. No Ensino Superior, há já propinas de 970 euros e as verbas para a Acção Social Escolar foram reduzidas, estando os apoios sociais a serem progressivamente substituídos por empréstimos bancários. Todos estes são factores explicativos da redução, nos últimos cinco anos, de 3 mil alunos na Universidade de Coimbra e no facto de apenas 4 por cento dos seus alunos serem filhos de operários.

Continuar a crescer

Pela VI Assembleia da Organização Regional de Coimbra do PCP passaram também os avanços alcançados no sentido do reforço da organização e intervenção partidárias. Ao nível da estruturação do Partido, foram criados e consolidados os sectores dos trabalhadores do sector ferroviário e dos metalúrgicos. Foi criado o sector de empresas da Figueira da Foz e eleito um Secretariado no sector dos Motoristas de Mercadorias.
Realizaram assembleias a célula dos Hospitais da Universidade de Coimbra, o Sector dos Professores e a Organização da Administração Pública Central. Avançou-se ainda na transferência de militantes das organizações locais para a organização por local de trabalho, cerca de uma centena, e foram também feitos recrutamentos directamente a partir das empresas.
Também o ciclo eleitoral de 2009 mereceu uma atenção especial dos comunistas de Coimbra. Foi debatida e aprovada por unanimidade uma resolução sobre os actos eleitorais, onde foram definidas as linhas de trabalho para a intervenção do Partido. A valorização da CDU como espaço de participação democrática e o alargamento do seu campo unitário, através da participação de independentes nas suas listas são dois dos objectivos.
Quanto às campanhas, ficou decidido definir uma programação de proximidade e de contacto directo com os trabalhadores e com as camadas que tiveram envolvimento em lutas onde o Partido marcou a sua presença. A identificação da CDU como força que marcou presença em cada luta e na denúncia da política deste Governo, constituirá também um elemento essencial nos três actos eleitorais.
A valorização da acção dos deputados comunistas e das acções desenvolvidas no distrito é um dos objectivos assim como concorrer aos órgãos municipais dos 17 concelhos do distrito e a um número de freguesias não inferior às últimas eleições.
A Direcção da Organização Regional de Coimbra foi eleita por unanimidade. Inclui 40 elementos, dos quais 20 por cento têm até 30 anos e 35 por cento são mulheres. A média de idades é de 45 anos.


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