Até ao fim
Quem esta semana ouviu o ministro Teixeira dos Santos garantir que o Governo está disposto a «lutar até ao fim» contra o aumento do IVA (de 5 para 20 por cento) das pontes sobre o Tejo, terá decerto ficado descoroçoado com a insólita agressividade face a Bruxelas. E por várias razões. Em primeiro lugar, porque toda a gente está cansada de saber que da Europa do capital só vieram e virão coisas boas para Portugal, pelo que não se vislumbra motivo para suspeitar não estarmos perante mais uma medida que só pode ser excelente para o País. Em segundo lugar, porque como também toda a gente sabe os governantes portugueses actuais e passados são tão bons alunos, tão bons alunos dessa disciplina da União Europeia que não só acatam como aplaudem entusiasticamente com ambas as mãos toda a política ali cozinhada, seja ela para deixar de produzir, de pescar ou de semear, que para isso já existe quem faça entregas ao domicílio, pelo que também mais uma vez não se lobriga razão alguma para o pré-aviso de guerra de Teixeira dos Santos. E finalmente porque o IVA nas pontes – tal como na alimentação, nos medicamentos, na água, na luz, na habitação e noutros serviços básicos e essenciais à população – resulta de opções políticas assumidas de há muito por quem, entendendo que o Estado não tem «vocação» para quase nada, privatiza lucros e nacionaliza prejuízos.
Posto isto e os factos, cabe perguntar o que tanto aflige Teixeira dos Santos. Não será certamente uma questão de justiça social, dado ser público e notório que o Governo PS jamais em tempo algum questionou essa peculiaridade de sujeitar milhares de portugueses residentes na Margem Sul a pagar taxa para entrar na cidade. A menos que... as campainhas de alarme tenham soado em S. Bento por a exigência de Bruxelas quanto ao IVA das pontes ter surgido em período eleitoral, mais a mais em tempo de vacas magras.
Em tais circunstâncias, convenhamos, um aumento das portagens seria como um tiro no pé. Ou mesmo como uma saraivada nos dois pés, se o eleitorado levar em consideração que o actual Governo não mexeu um dedo para se livrar do apertado sapato que é o negócio da Lusoponte, concebido por Ferreira do Amaral-ministro antes de se transformar em Ferreira do Amaral-administrador-executivo da referida Lusoponte. Mais a mais porque o supracitado negócio está de tal forma aparelhado que, mesmo na remota hipótese de o PS decidir sacrificar potenciais votos taxando ainda mais os milhares de eleitores residentes na outra banda, mesmo nessa hipótese, dizíamos, resta por resolver o imbróglio da garantia de que a Lusoponte não perde dinheiro por quebra de clientes. É o que se chama um dilema, pois seja qual for a solução o erário público está em vias de levar mais um rombo. E isso é mau, muito mau, para o negócio eleitoral. Donde se conclui que Teixeira dos Santos tem razão para ir a Bruxelas de machado de guerra em punho, que no caso vertente é uma ameaça de veto, disposto a enfrentar de peito aberto, até ao fim, o que só pode ser mais uma negra campanha visando o Governo Sócrates.
Posto isto e os factos, cabe perguntar o que tanto aflige Teixeira dos Santos. Não será certamente uma questão de justiça social, dado ser público e notório que o Governo PS jamais em tempo algum questionou essa peculiaridade de sujeitar milhares de portugueses residentes na Margem Sul a pagar taxa para entrar na cidade. A menos que... as campainhas de alarme tenham soado em S. Bento por a exigência de Bruxelas quanto ao IVA das pontes ter surgido em período eleitoral, mais a mais em tempo de vacas magras.
Em tais circunstâncias, convenhamos, um aumento das portagens seria como um tiro no pé. Ou mesmo como uma saraivada nos dois pés, se o eleitorado levar em consideração que o actual Governo não mexeu um dedo para se livrar do apertado sapato que é o negócio da Lusoponte, concebido por Ferreira do Amaral-ministro antes de se transformar em Ferreira do Amaral-administrador-executivo da referida Lusoponte. Mais a mais porque o supracitado negócio está de tal forma aparelhado que, mesmo na remota hipótese de o PS decidir sacrificar potenciais votos taxando ainda mais os milhares de eleitores residentes na outra banda, mesmo nessa hipótese, dizíamos, resta por resolver o imbróglio da garantia de que a Lusoponte não perde dinheiro por quebra de clientes. É o que se chama um dilema, pois seja qual for a solução o erário público está em vias de levar mais um rombo. E isso é mau, muito mau, para o negócio eleitoral. Donde se conclui que Teixeira dos Santos tem razão para ir a Bruxelas de machado de guerra em punho, que no caso vertente é uma ameaça de veto, disposto a enfrentar de peito aberto, até ao fim, o que só pode ser mais uma negra campanha visando o Governo Sócrates.