Desemprego e fome alastram nos EUA

Crise bate recordes

Com a economia e o desemprego a baterem todos os recordes negativos nos EUA, os trabalhadores norte-americana enfrentam a fome e a degradação das condições de vida.

31 milhões nos EUA dependem das senhas de alimentação

Só durante o mês de Fevereiro, segundo dados do governo norte-americano, registou-se a perda de cerca de 700 mil empregos, cifra idêntica às apuradas em Dezembro de 2008 e Janeiro deste ano. Estes números elevam a taxa de desemprego nos EUA para os 8,1 por cento, o valor mais elevado dos últimos 25 anos, diz o Departamento do Trabalho. Pela primeira vez desde 1939 a delapidação de postos de trabalho supera os 600 mil em três meses consecutivos.
Às estatísticas oficiais, acresce a pesquisa elaborada pela consultora privada Automatic Data Processing (ADP), que reúne os dados de mais de meio milhão de empresas. De acordo com a ADP, os sectores dos serviços e da indústria contribuíram decisivamente para o aumento do desemprego, com perdas de 359 e 338 mil efectivos em Fevereiro, respectivamente. A ADP concluiu ainda que as empresas que mais despedem são as pequenas e médias, com um valor agregado de aproximadamente 576 mil funcionários a menos no período considerado, contra menos 121 mil nas grandes corporações (mais de 500 trabalhadores).
Desde Dezembro de 2007, a economia norte-americana já perdeu quase 4,5 milhões de empregos, a maior perda desde a Segunda Guerra Mundial. A Reserva Federal estimava que, ainda este ano, a taxa de desemprego chegasse aos 9 por cento, mas a previsão da Fed foi avançada antes da correcção da taxa dos 7,6 para os 8,1 por cento.

Porto Rico despede 30 mil

A situação na América do Norte é de tal forma grave que nem as entidades públicas se coibem de fazerem cair sobre aos trabalhadores as consequências da crise capitalista. No mesmo dia em que o Comité Olímpico dos EUA anunciou a dispensa de 10 a 15 por cento da sua força de trabalho, o governador de Porto Rico – protectorado dos EUA – veio à televisão comunicar que cerca de 30 mil funcionários públicos podem vir a ser despedidos. Luis Fortuno justificou a medida com a necessidade de emagrecimento do aparelho administrativo, e informou ainda os porto-riquenhos que vai aumentar os impostos devido à bancarrota das contas públicas.
O governo de Porto Rico é o maior empregador da ilha sendo responsável pelo emprego de 218 mil pessoas, isto é, mais de 20 por cento da população activa.

Milhões passam fome

Mas se os primeiros meses revelam a profundidade da crise capitalista no que ao desemprego diz respeito, outros dados confirmam que esta é a maior crise da história dos EUA.
A acompanhar a queda de 6,2 por cento do Produto Interno Bruto norte-americano durante o último trimestre de 2008, a maior queda desde 1982, está a deterioração dos investimentos das empresas, menos 21,1 por cento e a maior retracção desde 1975, e a redução abrupta das exportações, menos 23,6 por cento e o valor mais baixo desde 1971. No que ao consumo diz respeito, a confiança dos norte-americanos caiu para os níveis observados em 1967, e a despesa concreta destes caiu para valores só comparáveis aos observados há 28 anos.
Barómetros da falta de capacidade de aquisição da população norte-americana e da degradação das condições de vida da são a quebra acentuada das vendas de automóveis novos, com uma média de menos 40 por cento de veículos vendidos face a Fevereiro de 2008 (Ford, menos 48 por cento, GM, menos 52,9 por cento, Chrysler, menos 44 por cento, Toyota e Nissan menos 37 por cento e Honda menos 35 por cento), e o crescimento abrupto do número de dependentes dos cupons alimentares, um em cada dez cidadãos, cerca de 31 milhões de pessoas.
Os responsáveis pelo programa de auxílio dizem, no entanto, que este número fica muito aquém da realidade, uma vez que o estigma na sociedade norte-americana em relação ao pedido de ajuda alimentar é grande, e as dificuldades de troca das senhas nos supermercados é enorme.
Acresce que os cerca de 100 dólares distribuídos em senhas por pessoa não são suficientes para cobrir a despesa do cabaz básico. Muitas famílias, ao fim de duas semanas, recorrem por isso a instituições de caridade que distribuem refeições gratuitas.


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