França só responde com repressão
O grande patronato de Guadalupe não aceita o acordo assinado entre pequenos proprietários e grevistas. Ao lado do capital, o governo francês responde com um processo contra o líder sindical local e com repressão em Martinica. A revolta alastra já à ilha de Reunião, no Índico.
Milhares manifestaram-se na ilha de Reunião
Alvo de um inquérito judicial por parte das autoridades francesas por alegadamente ter incitado ao ódio racial e à intimidação, o líder do Colectivo Contra a Exploração (LKP), Elie Domota, respondeu acusando o governo de montar mais uma manobra de intimidação às forças que se opõem ao regime de exploração e miséria em Guadalupe, e afirmou que se for instado a comparecer em tribunal fará do acto «uma grande denúncia pública sobre a realidade social, histórica e cultural no território».
Domota insurgiu-se contra as grandes multinacionais agroalimentares e os grupos internacionais do turismo que se recusam a aplicar o acordo assinado, a semana passada, entre o LKP e uma associação patronal de Guadalupe. O texto estabelece, entre outras conquistas, aumentos de 200 euros para os salários mais baixos e a redução dos preços de alguns produtos de primeira necessidade. Os grandes empresários «podem abandonar Guadalupe, pois não passam de um bando de bekes que pretendem reestabelecer a escravatura», disse o sindicalista.
Em reacção às declarações de Domota, o secretário do Ultramar, Yves Jégo, qualificou de inaceitável o acordo estabelecido porque este classifica (no preâmbulo) a economia da ilha como «de plantação», expressão que, no seu entender, indica uma economia esclavagista. Colocando-se ao lado do grande capital que domina Guadalupe e da maior associação patronal, a MEDEF (não signatária), Jégo defendeu ainda que um documento que «coloca em causa a história» não é válido e que a presença de membros do executivo local nas negociações não vincula o Estado francês ao acordo, uma vez que os seus representantes estavam ali somente como mediadores.
Revolta crescente
A troca de acusações entre Jégo e a MEDEF, por um lado, e o LKP, por outro, representa um volte-face nas informações que davam conta do fim da greve em Guadalupe ao cabo de 44 dias de luta. Mas patente fica também que o governo de Paris só sabe responder com repressão às reivindicações populares.
Na outra colónia francesa nas Antilhas, Martinica, enquanto se prolongam as negociações envolvendo representantes sindicais e patrões, a paralisação mantém-se. As lojas estão fechadas, as estradas barricadas e a falta de combustível está a provocar sérios prejuízos.
Simultaneamente, sexta-feira, 6, um grupo de empresários e proprietários rurais saiu às ruas de Forte-de-France para exigir o direito a trabalhar. O protesto foi entendido pela população como um acto provocatório, mas a violência só parece ter-se desencadeado quando a polícia interveio alegadamente em defesa dos manifestantes bekes. Os confrontos rapidamente alastraram a todo o centro da capital e os grevistas viram-se obrigados a procurar refúgio na sede do colectivo organizador da revolta social que varre Martinica há mais de um mês.
Entre tiros, bastonadas e granadas de gás lacrimogéneo, nem o presidente da Câmara escapou à fúria dos gendarmes. De acordo com informações divulgadas pela agência France Press, Serge Letchimy procurava desde o início da tarde acalmar os ânimos mas acabou hospitalizado, depois de uma das muitas cargas policiais que varreram a cidade.
Entretanto, na ilha de Reunião, no Oceano Índico, milhares de pessoas manifestaram-se pelos mesmos motivos que as populações de Guadalupe e Martinica: contra a exploração, a discriminação, os salários extremamente baixos que contrastam com os preços exorbitantes dos géneros fundamentais.
Caso as 62 reivindicações não sejam satisfeitas, os promotores do protesto previam voltar anteontem às ruas, iniciando uma greve no território de 750 mil habitantes.
Domota insurgiu-se contra as grandes multinacionais agroalimentares e os grupos internacionais do turismo que se recusam a aplicar o acordo assinado, a semana passada, entre o LKP e uma associação patronal de Guadalupe. O texto estabelece, entre outras conquistas, aumentos de 200 euros para os salários mais baixos e a redução dos preços de alguns produtos de primeira necessidade. Os grandes empresários «podem abandonar Guadalupe, pois não passam de um bando de bekes que pretendem reestabelecer a escravatura», disse o sindicalista.
Em reacção às declarações de Domota, o secretário do Ultramar, Yves Jégo, qualificou de inaceitável o acordo estabelecido porque este classifica (no preâmbulo) a economia da ilha como «de plantação», expressão que, no seu entender, indica uma economia esclavagista. Colocando-se ao lado do grande capital que domina Guadalupe e da maior associação patronal, a MEDEF (não signatária), Jégo defendeu ainda que um documento que «coloca em causa a história» não é válido e que a presença de membros do executivo local nas negociações não vincula o Estado francês ao acordo, uma vez que os seus representantes estavam ali somente como mediadores.
Revolta crescente
A troca de acusações entre Jégo e a MEDEF, por um lado, e o LKP, por outro, representa um volte-face nas informações que davam conta do fim da greve em Guadalupe ao cabo de 44 dias de luta. Mas patente fica também que o governo de Paris só sabe responder com repressão às reivindicações populares.
Na outra colónia francesa nas Antilhas, Martinica, enquanto se prolongam as negociações envolvendo representantes sindicais e patrões, a paralisação mantém-se. As lojas estão fechadas, as estradas barricadas e a falta de combustível está a provocar sérios prejuízos.
Simultaneamente, sexta-feira, 6, um grupo de empresários e proprietários rurais saiu às ruas de Forte-de-France para exigir o direito a trabalhar. O protesto foi entendido pela população como um acto provocatório, mas a violência só parece ter-se desencadeado quando a polícia interveio alegadamente em defesa dos manifestantes bekes. Os confrontos rapidamente alastraram a todo o centro da capital e os grevistas viram-se obrigados a procurar refúgio na sede do colectivo organizador da revolta social que varre Martinica há mais de um mês.
Entre tiros, bastonadas e granadas de gás lacrimogéneo, nem o presidente da Câmara escapou à fúria dos gendarmes. De acordo com informações divulgadas pela agência France Press, Serge Letchimy procurava desde o início da tarde acalmar os ânimos mas acabou hospitalizado, depois de uma das muitas cargas policiais que varreram a cidade.
Entretanto, na ilha de Reunião, no Oceano Índico, milhares de pessoas manifestaram-se pelos mesmos motivos que as populações de Guadalupe e Martinica: contra a exploração, a discriminação, os salários extremamente baixos que contrastam com os preços exorbitantes dos géneros fundamentais.
Caso as 62 reivindicações não sejam satisfeitas, os promotores do protesto previam voltar anteontem às ruas, iniciando uma greve no território de 750 mil habitantes.