Desemprego com respostas curtas

O desemprego mereceu uma particular atenção dos deputados comunistas, preocupados que estão com este flagelo para o qual, acusam, não estão a ser tomadas as medidas correspondentes à sua gravidade.
Criticado foi ainda o facto de ser o próprio Governo o «responsável directo pela maior destruição de postos de trabalho alguma vez verificada ao nível do Estado». Disse-o o deputado Bruno Dias, aludindo aos mais de 50 mil trabalhadores que saíram da administração pública de 2005 a 2008. E como se não bastasse, lembrou, o Governo prepara-se para destruir mais 56 mil até 2011.
Em termos gerais, contas feitas, para o PCP, com o activo que já leva a destruição do nosso tecido económico, a taxa efectiva de desemprego andará nunca menos do que 11 por cento, qualquer coisa como mais de 600 mil desempregados.
Responsabilizando em boa parte o Governo por estes números - «não só devido à sua política económica mas também pela sua acção directa», frisou Bernardino Soares - , a questão assume no entanto foros de escândalo quando é o próprio Governo que decide, perante o aumento do desemprego para níveis inéditos desde há 30 anos, alterar as regras do subsídio de desemprego excluindo dele centenas de milhares de trabalhadores, mais de metade do desemprego efectivo. E com isso, lembrou o presidente da formação comunista, entre o orçamento de 2007 e o de 2009, enquanto milhares de desempregados se viram a braços com dificuldades crescentes, o Governo poupou 400 milhões de euros de verbas para esta prestação.
As mais recentes medidas anunciadas pelo Executivo, depois de este ter rejeitado há cerca de quinze dias um projecto do PCP de alteração das regras do subsídio, visando permitir o seu acesso a mais trabalhadores, foram entretanto desvalorizadas pela bancada do PCP, que as considerou insuficientes.
«Tirando os novos gabinetes que daqui a uns meses começarão a funcionar, repetem descaradamente com um novo grafismo e um recauchutado ar de novidade aquilo que o Governo já tinha anunciado há dois meses atrás e teimam em não intervir nos problemas fundamentais das regras do subsídio de desemprego», acusou Bernardino Soares.


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