Plano de salvação do capital

Para a banca nunca falta

Que o Governo está sempre pronto a pôr a mão por baixo aos poderosos, como é o caso dos bancos, não lhes regateando ajudas e benesses traduzidas em milhões, já o sabíamos, como já se sabia que o mesmo Governo faz exactamente o contrário quando se trata de valorizar os salários e pensões, apoiar quem mais precisa, alargar o âmbito da prestação social devida aos desempregados ou facilitar a vida às micro, pequenas e médias empresas. Nestes casos, aqui del-rei, soam as trombetas e logo surge um qualquer governante a dizer que o dinheiro não chega, que os recursos são limitados, que o governo faz o que pode… contentem-se por isso com as migalhas.
Exemplos concretos desta realidade foram, uma vez mais, introduzidos no debate pela bancada do PCP, constituindo, por si, um autêntico libelo acusatório contra uma política cuja natureza de classe nenhuma roupagem consegue já dissimular.
O deputado comunista José Alberto Lourenço falou de um sector que «tem sido conduzido ao colo pelo Governo», dando variadíssimos exemplos desta postura curvada ao serviço do capital.«Foram os 20 mil milhões de euros de avales que o Estado disponibilizou para garantirem o seu financiamento no exterior, foram os 4,5 mil milhões aprovados para reforço do capital do sector, foi a intervenção do Estado na nacionalização do BPN que já custou cerca de 1,8 mil milhões de euros à CGD, foi a intervenção no BPP em que o Estado foi o garante de um empréstimo da Banca na ordem dos 600 milhões de euros», enumerou o parlamentar comunista.
«Só para a banca é que o Governo tem resposta», sintetizou, contundente, o líder parlamentar do PCP, sublinhando que entre o terceiro trimestre de 2007 e o terceiro trimestre de 2008, já por conseguinte em plena crise económica internacional, os lucros dos cinco principais grupos financeiros nacionais atingiram os 1,4 mil milhões de euros. O maná não se resume porém ao sector financeiro. Lembrados foram igualmente os 2,1 mil milhões de euros de lucros relativos só aos principais grupos económicos nacionais dos sectores da energia e telecomunicações - EDP, REN, GALP Energia, PT e ZON.
Só que este quadro de desafogo e abundância, pelos vistos, parece não ser suficiente para tranquilizar o Governo. Apostado que está em salvar o capital, mesmo que isso comporte riscos para o Estado e para a economia, não lhe falta com nada, a começar por mais dinheiro, entregue sem contrapartidas e garantias.
O que levou Bernardino Soares a reagir com veemência contra esta pouca vergonha, fazendo notar que no momento em que «no mundo se começa a falar na solução bad bank, o que vemos é que é nisso que o Governo PS está a transformar a Caixa Geral de Depósitos». É que, explicou, «já lá vão 1800 milhões de euros enterrados no BPN, três vezes e meia mais do que o Governo anuncia gastar no programa de apoio ao emprego».


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