A crise dá para tudo

Não podem ser sempre os mesmos a pagar

Só com a luta é possível aos trabalhadores defenderem os direitos e os postos de trabalho, afirma o PCP. Nas empresas, aproveita-se a crise para reduzir e eliminar direitos.

O Governo não fiscaliza a legalidade da actuação das empresas

O início de 2009 está a ser marcado por um elevado número de despedimentos, lay-off, encerramentos, suspensões da produção e dos contratos em muitas empresas. Devido à crise ou à boleia dela, o patronato procura aumentar os níveis de exploração, reduzir ou eliminar direitos, diminuir salários e remunerações, criar o medo e a resignação entre os trabalhadores.
O Governo sacode responsabilidades e nada faz. As medidas «anticrise» que apresentou destinam-se fundamentalmente ao apoio aos mais poderosos, penalizando aqueles que não têm quaisquer responsabilidades na actual situação – os trabalhadores e outras camadas desfavorecidas da população. A fiscalização à legalidade dos expedientes aplicados nas empresas é nula, ou perto disso, e a insistência na aplicação das alterações ao Código do Trabalho dá o mote para a exploração desenfreada.
De todo o País chegam notícias semelhantes. A Direcção da Organização Regional de Aveiro, reunida no dia 24 de Janeiro, exigiu a adopção de medidas de emergência para o distrito, para fazer face à dramática situação que se vive. Na Ecco, foram despedidos 200 trabalhadores; na Janosa e na Facol, há ordenados em atraso; a incerteza reina em centenas de trabalhadores do sector automóvel; muitas empresas corticeiras vivem uma situação difícil; a Trecar está a tentar rescindir com os trabalhadores; a Isabel Ramalho, de São João da Madeira, encerrou.
A Aerosoles, que ao que consta teria uma carteira de encomendas de 400 mil pares de sapatos para este ano, continua a alegar não ter condições para adquirir matéria-prima para a laboração.
Os comunistas de Aveiro solidarizam-se com a luta dos trabalhadores da Subercor, na luta pelos salários; da CPK, em luta contra o encerramento da empresa; da Ecco, em luta pelos postos de trabalho; da Phillips, em luta contra a deslocalização.

De Norte a Sul

Na Guarda, a direcção regional do Partido realça o encerramento recente de importantes empresas da região – Beiralã, em Seia; António João, em Maçainhas; Solavra, na Guarda. Na Dura e na Toiguarda foram despedidos trabalhadores efectivos e precários, enquanto na Delphi foram para o desemprego vários trabalhadores precários. A Sodecia aplicou recentemente o lay-off a 60 trabalhadores.
O Executivo da Direcção da Organização Regional de Évora do PCP, reunido no dia 15 de Janeiro, denuncia a suspensão dos contratos de trabalho na Tyco, em Évora, e da Karmann Ghia Portugal, em Vendas Novas, ficando estes trabalhadores a receber apenas dois terços do salário. E assinalam também a ameaça de despedimentos da Fapradiv, em Arraiolos, e na Metalorigor, em Évora. A responsabilidade é do Governo, realça a DOREV.
No Seixal, no distrito de Setúbal, a célula do PCP na Lusosider e SN Seixal (resultantes da privatizada e segmentada Siderurgia Nacional) está a denunciar, no seu boletim trimestral, os ataques aos direitos dos trabalhadores naquelas duas empresas. Na SN Seixal, foi decido suspender a produção entre 22 de Dezembro e 22 de Janeiro, tendo os trabalhadores sido obrigados a gozar as suas férias nesse período.
Na Lusosider, a administração anunciou, em Dezembro, a intenção de interromper a produção e suspender, por três meses, os contratos a 90 por cento dos trabalhadores. Confrontados com esta intenção, os trabalhadores mobilizaram-se em defesa dos seus direitos.
Após várias reuniões entre a administração e a Comissão de Trabalhadores e diversos plenários sindicais, a administração passou a reconhecer um conjunto de prestações regulares aos trabalhadores durante o período de suspensão, que antes não estavam garantidas.


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