Crise em Madagáscar

O presidente da câmara de Antananarivo, capital de Madagáscar, proclamou-se «encarregado dos assuntos nacionais» e exigiu que o parlamento destitua o presidente em exercício, Marc Ravalomanana.
Perante milhares de pessoas que se concentraram no centro da cidade, Andry Rajoelina disse ainda estar em condições de liderar um governo de transição e apelou aos responsáveis do banco central para que não entreguem mais dinheiro ao executivo, o qual, acusou, levou o país para a ruína e a decadência e pratica uma política suja e injusta no que diz respeito à distribuição da riqueza. Rajoelina contesta ainda o recente negócio feito pelo presidente, que cedeu à multinacional sul-coreana Daewo enormes parcelas de terra para um projecto agro-industrial e para reserva de solos férteis.
A crise política e social em Madagáscar estalou depois do presidente ter ordenado o encerramento da emissora de rádio e televisão dirigida pelo autarca de Antananarivo. A decisão foi tomada na sequência da transmissão de uma entrevista ao ex-chefe de Estado, Didier Ratsiraka, que precedeu Marc Ravalomanana no cargo. Em 2001, Ratsiraka e Ravalomanana envolveram-se numa acesa disputa eleitoral que terminou a favor deste último.
Em resposta ao encerramento dos meios de comunicação social, milhares de pessoas saíram à rua, na segunda-feira, 26, e os protestos rapidamente degeneraram em focos de violência. Os edifícios da estação de televisão pública e da congénere privada, propriedade do presidente da República, um centro comercial e um depósito de petróleo foram incendiados.
Desde então, as manifestações não têm cessado estendendo-se a cidades como Toliara, Antsirabe, Fianarantsoa, Toamasina, Sambava e Mahajanga, informou o Vermelho.org. Fonte oficial citada pela France Press diz que pelo menos 68 pessoas já morreram nos confrontos com a polícia e nos saques, mas o secretário de Estado da antiga potência colonial de Madagáscar, a França, fala em mais de 80 mortos.


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