Concentração simbólica na Guarda

Basta de sacrifícios

Perante a destruição crescente de postos de trabalho e de empresas no distrito, trabalhadores e dirigentes sindicais exigiram, dia 12, diante do Governo Civil, «uma política mais a favor dos trabalhadores».

Só dando força à luta será possível contrariar o Governo

«Basta de sacrifícios, é tempo de governar a favor dos trabalhadores e das populações», foi o lema central da concentração simbólica de protesto promovida pela União dos Sindicatos da Guarda.
Na resolução aprovada no fim da acção da CGTP-IN, exigiu-se do Governo PS uma mais justa distribuição da riqueza através de «políticas orientadas para o sector produtivo», que criem emprego e combatam as desigualdades sociais, por meio de «um plano integrado de desenvolvimento sustentado para o distrito».
Ao salientar que cabe ao Governo PS a adopção de medidas que garantam a manutenção e o fomento de postos de trabalho, nos sectores público e privado, a resolução traça um retrato da situação social e laboral no distrito, considerando «notórios os problemas do sector têxtil, com o aumento do encerramento de empresas e dos despedimentos colectivos, das paragens de produção por falta de encomendas e dificuldades no escoamento dos produtos».
É igualmente salientada a crise no sector metalúrgico, acentuada com mais «despedimentos de jovens com trabalho precário», mas também no comércio tradicional que, face à concorrência com as grandes superfícies, «impõe condições de trabalho sem quaisquer direitos».
À perda da qualidade do emprego soma-se uma generalizada e crescente destruição de postos de trabalho. Segundo os últimos dados oficias, datados de Novembro, o desemprego já atinge mais de sete mil trabalhadores, tendo 38,2 por cento idades até aos 34 anos, e sendo 60 por cento, mulheres. Caso não se tomem medidas, estes dados vão agravar-se, avisa a resolução.

Apelo à luta

Além das reivindicações aprovadas para enfrentar a crise económica e social que se vive na Guarda, os participantes comprometeram-se a apoiar as lutas nacionais dos trabalhadores, designadamente a dos professores, mobilizar para a acção nacional de luta da CGTP-IN, convocada para 13 de Março, exigir que o Código do Trabalho «seja expurgado de inconstitucionalidades e injustiças», e todas as acções por melhores salários e pensões, e políticas que reforcem a coesão social».
A degradante situação vivida pelos pensionistas, cuja «esmagadora maioria recebe pensões mais baixas do que o salário mínimo nacional», com tendência para agravar-se, designadamente através da actual fórmula de cálculo, foram igualmente repudiadas na concentração que também considerou fundamental a salvaguarda e o reforço das funções sociais do Estado.
Igualmente contestada foi a política do Executivo de José Sócrates para a Administração Pública, onde «os trabalhadores têm sido altamente prejudicados», com a redução efectiva dos salários nos últimos dez anos, a imposição do Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas, o novo Sistema de Avaliação de Desempenho com as quotas, a destruição de carreiras, a proliferação da precariedade e o incremento de falsos recibos verdes.


Mais artigos de: Trabalhadores

Intensificar o protesto

O Plenário de Sindicatos da CGTP-IN decidiu dar prioridade, em 2009, à intervenção sindical nos locais de trabalho e exortou todos os trabalhadores à luta «por uma mudança de políticas e de modelo de sociedade».

Outra lição dos professores

Com a greve nacional de dia 19, que teve uma adesão média de 91 por cento, e a entrega de um novo abaixo-assinado, apoiado por mais de 70 mil subscritores, os docentes deram «uma grande lição» ao Governo, disse Mário Nogueira.

Liberdade perseguida

Nesta terça-feira coincidiram três procedimentos judiciais, tendo por alvo participantes em protestos contra a política do Governo. Para a USB/CGTP-IN, foi «um dia negro para o regime democrático».

Em luta pelo emprego

Como por todo o País, a cada dia que passa surgem mais encerramentos de empresas, despedimentos e trabalhadores desempregados na Guarda e Castelo Branco, distritos onde os sectores têxtil e automóvel têm um importante papel nos respectivos tecidos produtivos.Na fabricante de componente automóveis, Sodecia, na Guarda,...

Culpas do Governo na <i>Controlinveste</i>

O Sindicato dos Jornalistas (SJ) pediu a intervenção da Entidade Reguladora para a Comunicação Social e responsabilizou, dia 15, a administração da Controlinveste, o Governo e o Partido Socialista por não terem convocado antecipadamente as organizações representativas dos trabalhadores para discutirem alternativas ao...

Associações de militares<br>querem ser ouvidas na AR

A Associação Nacional de Sargentos considerou «uma monstruosa falácia e um evidente desrespeito pelas leis da República e pela própria Assembleia da República» o facto de o ministro da Defesa, na sexta-feira, na apresentação de um pacote legislativo sobre defesa e forças armadas, ter afirmado que as associações...

Protesto da <i>Bordalo Pinheiro</i>

Os mais de 150 trabalhadores da fábrica de faianças Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, decidiram deslocar-se, ontem, e manifestar-se, em Lisboa, em defesa dos postos de trabalho e para exigirem medidas do Governo que salvaguardem o futuro da empresa e os postos de trabalho. Salientam que está também em causa o...

Plenários na CP

A partir de segunda-feira, dia 26, vão realizar-se plenários e reuniões nos locais de trabalho da CP, por todo o País, para «esclarecer, organizar e agir», face à proposta do conselho de gerência para revisão do Acordo de Empresa. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sector Ferroviário, que recebeu sexta-feira a...