Tempos de esperança, luta e confiança

Rui Fernandes (Membro da Comissão Política)
O XVIII Congresso confirmou um Partido que não renega a sua história, a sua memória e a sua luta. Mas confirmou também, e por isso mesmo, um Partido que, consciente das dificuldades, está disposto a ir à luta para as vencer.

Há que de­sen­volver uma ampla acção de con­tacto com mi­lhares de por­tu­gueses

A fonte da crise que atinge a nossa sociedade, e de um modo mais geral o mundo, não está nos problemas que hoje se põem à Humanidade. Está nas respostas que lhes dá o capital.
Vivemos um momento marcado por uma forte ofensiva no plano dos direitos sociais, políticos, económicos e ideológicos, em que se acentua a luta de classes e em que está cada vez mais visível a falência das teses e profecias dos seguidores do neoliberalismo, de que era possível civilizar e humanizar o capitalismo, ou as teorias do mal menor e de que já não eram necessários partidos de classe. A vida aí está para provar o contrário.
As exigências do ano que temos pela frente, no quadro da necessária resposta política à desastrosa política do Governo PS, conduzem à necessidade de um maior envolvimento e participação partidária na exaltante tarefa que constitui a luta por uma sociedade sem exploradores nem explorados.
A ideia de que mudam-se os governos mas mantêm-se as políticas, mantêm-se as benesses para os do costume e os sacrifícios para os mesmos, vai conquistando novas e novas consciências. Mas a questão decisiva e central é que a essa elevação da consciência corresponda o passo de reforçar o PCP.
Um pouco por todo o País, vem-se assistindo ao fecho de empresas com o consequente aumento do desemprego e à crescente agonia de alguns sectores – vidro, cerâmica, cablagens, pescas e agricultura, têxteis, etc. É hoje iniludível o quadro recessivo da economia portuguesa. Mas também é hoje evidente a postura sobranceira e arrogante que marca o PS, bem patente na forma como tem lidado com os trabalhadores da administração pública, com os militares, com os professores.
A esta política incendiária do aparelho produtivo nacional e atentatória de direitos tão duramente conquistados têm reagido, reagem e reagirão os trabalhadores. E mais importante se torna a acção, visando o reforço da organização e intervenção do Partido nas empresas e locais de trabalho.

Sim! É pos­sível

Decidiu o Comité Central do Partido lançar uma acção nacional de esclarecimento assente no lema «Sim! É possível». Com a unidade, coesão e determinação dos trabalhadores e das massas, com a acção combativa e persistente dos comunistas, é possível interromper a aplicação de um Código do Trabalho que, ao contrário do que o Governo e o patronato pretendem, não é um caso arrumado; lutar em defesa do Serviço Nacional de Saúde; defender a Escola Pública; melhorar as condições de vida.
«Sim! É possível» e necessário desenvolver uma ampla acção de contacto com muitos milhares de portugueses, atingidos por esta política e pelas falsas promessas, e trazê-los ao espaço da CDU e ao reforço do PCP.
Tal acção ampla de contacto e esclarecimento deve ser entendida como parte constitutiva da acção geral de reforço do Partido e não como um compartimento estanque. Acção geral de Reforço do Partido que constitui uma trave mestra das decisões adoptadas pelo nosso XVIII Congresso.

«Avante! Por um PCP mais forte»

É este o lema adoptado pelo Congresso para essa acção geral de reforço do Partido e que tem de ter da parte de cada organização a necessária atenção e adopção de medidas visando a sua concretização, com particular destaque para o reforço da estrutura partidária nas empresas e sectores profissionais, alargamento da rede de contacto com os militantes, na responsabilização de mais camaradas, no reforço da intervenção das organizações no tratamento dos problemas dos trabalhadores e das populações, no aumento das receitas do Partido.
No quadro das exigentes e complexas tarefas que temos diante de nós, mas assentes no nosso projecto e valores, na vitalidade dos nossos ideais, este é um reforçado momento de ir junto de milhares de trabalhadores, amigos, vizinhos e com verdade dizer-lhes como somos, o que pensamos, como actuamos, como lutamos, o que propomos. Enfim, dizer-lhes que o PCP é o seu Partido. Estes são tempos de esperança, luta e confiança!


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