Crise dá mote para aumentar a exploração

Defender direitos

Na edição de Novembro do boletim O Complexo, da célula dos trabalhadores comunistas do Parque Industrial da Autoeuropa, o PCP denuncia a situação existente na Inapal, onde os trabalhadores estão a ser confrontados com uma tentativa de despedimento colectivo. Uma medida «sem justificação», que já levou o Sindicato das Indústrias Químicas a actuar junto da Autoridade para as Condições de Trabalho, que deu razão ao sindicato.
O PCP realça ainda que aqueles trabalhadores «têm vindo a sofrer e a resistir a uma série de atropelos aos seus direitos». Recentemente, a administração marcou faltas injustificadas aos trabalhadores que participaram no plenário de 1 de Outubro, «numa clara tentativa de amedrontar os trabalhadores quando assumem a defesa dos seus direitos». Na Faurécia, «além do afastamento dos trabalhadores contratados a prazo, estão a pressionar os trabalhadores efectivos a rescindir os seus contratos», acusa o PCP. Para os comunistas, a «rápida denúncia destas situações por parte dos trabalhadores junto do seu sindicato é fundamental para que o patronato sinta que os trabalhadores estão dispostos a defender o seus direitos». Da parte do PCP, a situação dos trabalhadores da Inapal já foi exposta na Assembleia da República pelo Grupo Parlamentar comunista.

Despedimentos e salários em atraso

Os comunistas de Leiria distribuíram, no dia 10, um comunicado aos trabalhadores da Key Plastics, onde cerca de uma centena de trabalhadores precários saiu já da empresa. Há muito que o PCP vem denunciando a precariedade existente na empresa e alerta para a extrema dependência do sector automóvel.
O PCP afirma que empresas como a Key Plastics vêem na precariedade um «importante instrumento de condicionamento à intervenção em defesa dos direitos e de fazer baixar o valor da venda da força de trabalho». Assim, apela, «é tempo dos trabalhadores se organizarem e lutarem».
Para os comunistas, os trabalhadores cujo contrato ainda é válido devem lutar pela integração nos quadros da empresa, enquanto os que são contratados pela Valsol deverão lutar pelo direito a um vínculo efectivo e com direitos. Os trabalhadores efectivos da empresa deverão «ser solidários», pois a experiência mostra que um dia poderão ser eles os atingidos.
Também no distrito de Leiria, mas em Porto de Mós, o PCP esteve junto à Val do Sol Cerâmicasa a participar numa acção de solidariedade com os trabalhadores, que estão com salários e subsídios em atraso. No comunicado distribuído, os comunistas acusam o Governo de «fazer vista grossa» e de permitir que as autoridades fiscalizadoras não actuem em defesa dos trabalhadores.
Se, por um lado, é verdade que as empresas do sector cerâmico têm sido prejudicadas pelas políticas de destruição do aparelho produtivo, também o é que algumas delas têm boa viabilidade económica, exigindo até que os trabalhadores trabalhem ao fim-de-semana e façam horas extraordinárias.
Algumas, como a Val do Sol, por exemplo, «aproveitam este momento de crise para aumentar a exploração, não pagando salários e subsídios e exigindo mais horas de trabalho».


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