Prosseguem os protestos do secundário

Estudantes na rua

Em protestos descentralizados, largas centenas de estudantes manifestaram-se, na passada semana, contra as políticas educativas do Governo.

Os alunos não são ouvidos sobre aulas de substituição

Na Covilhã, os estudantes das escolas secundárias Quinta das Palmeiras, Frei Heitor Pinto e Campos de Melo percorreram, dia 19, as principais ruas em direcção ao centro da cidade.
O protesto saiu para a rua apesar de a ministra da Educação ter assinado um despacho que desobriga os alunos com faltas justificadas à realização de um exame suplementar, «mas os problemas das escolas não se resumem ao regime de faltas».
«A ministra fez esse despacho para evitar as manifestações. Era bom que o problema da escola pública fosse só o regime de faltas», disse João Mineiro, aluno e membro da organização do protesto.
Entre as outras razões de queixa estão a falta de aulas de educação sexual nas escolas, «num País com elevada taxa de gravidez na adolescência», «sobrelotação de turmas, falta de condições materiais e humanas, com degradação das escolas e o facto de os alunos não serem ouvidos», lamentou.
«Os alunos não são ouvidos sobre aulas de substituição, sobre exames nacionais ou o sobre o próprio estatuto do aluno», concluiu.
No dia anterior, 18 de Novembro, a Escola Secundária D. Duarte, em Coimbra, foi fechada a cadeado pelos alunos que protestavam contra a política educativa do Governo. «O ensino está todo virado do avesso», disse à Lusa António Domingos, acrescentando que o despacho ministerial que clarificou o regime de faltas «não inspira segurança» aos estudantes. «Ministra para a rua» e «Não às faltas» foram algumas das palavras de ordem que se ouviam durante a manifestação.
No dia 17, os alunos da Escola Básica 2/3 Azeredo Perdigão, de Viseu, acusaram a ministra Maria de Lurdes Rodrigues de estar a prejudicar os estudantes sobrecarregando os professores com o processo de avaliação. Durante o protesto, Daniela Bento sublinhou que «os professores andam cansados, não conseguem dar aulas, não passam tempo com a família, só andam com reuniões atrás de reuniões».
«Os nossos professores chegam às aulas cansados, mal nos conseguem ouvir e dar a matéria. Os professores têm muitas turmas e muitas reuniões», lamentou outra aluna, Beatriz Santos.
Já Raquel Araújo queixou-se enquanto aluna e filha de uma professora. «A minha mãe chega a casa cansada das reuniões, não consegue fazer o jantar, quase nunca estou com ela. Ela só está na escola, com reuniões, e quando está em casa é no computador para trabalhar para a escola», contou.

«10 mil assinaturas»

A autodenominada Plataforma Estudantil «Directores Não!» lançou um abaixo-assinado reclamando a demissão da ministra da Educação. À Lusa, Luís Baptista disse que o abaixo-assinado visa conseguir «10 mil assinaturas» para demitir Maria de Lurdes Rodrigues e conseguir «uma mudança de políticas» do Governo.
A Plataforma, que no passado dia 5 de Novembro juntou cerca de 1500 estudantes frente ao Ministério da Educação, opõe-se ao Estatuto do Aluno por causa do regime de faltas, afirmando que, «mesmo com faltas justificadas», obriga os alunos a «fazerem uma prova que pode contar para efeitos de passagem de ano». Os estudantes estão ainda contra a criação da figura do director de escola.
Luís Baptista salientou ainda que as escolas do País têm carências «de professores, de funcionários, de materiais didácticos, gimnodesportivos e mesmo comodidades básicas, como aquecimento».


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