10º Encontro de Partidos Comunistas e Operários

Uma força que cresce e avança

O socialismo é a alternativa ao capitalismo, sistema social envolto numa crise que desnuda a sua natureza exploradora e opressora de classe e as suas insanáveis contradições e limites históricos, proclamaram os partidos comunistas e operários, reunidos em São Paulo, no passado fim-de-semana.

Assume relevância a influência dos comunistas na luta

Seis dezenas e meia de Partidos Comunista e Operários oriundos de mais de meia centena de países participaram, entre 20 e 23 de Novembro, no 10º Encontro de Partidos Comunistas e Operários, que este ano teve como anfitrião o Partido Comunista do Brasil.
Sintoma da importância da realização do Encontro naquele país, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, enviou uma saudação que, fazendo notar tratar-se de mais que um acto protocolar e de cortesia, expressou «reconhecimento à luta de todos os partidos comunistas e operários em defesa dos trabalhadores e dos povos por uma sociedade mais justa, e ao seu empenho pela construção de uma nova ordem económica internacional».
O Partido Comunista Português fez-se representar por Ângelo Alves, membro da Comissão Política e da Secção Internacional, que aproveitou a participação na assembleia de formações comunistas para realizar diversos encontros bilaterais com partidos irmãos.
Sob o lema «Novos fenómenos no quadro internacional. Contradições e problemas nacionais, sociais, ambientais e interimperialistas em agravamento. A luta pela paz, a democracia, a soberania, o progresso e o socialismo e a unidade de acção dos partidos comunistas e operários», o Encontro foi um marco na história das reuniões plenárias pela significativa resposta que deu face à crise capitalista, de natureza sistémica, global, e, simultaneamente, pela unidade de pensamento dos presentes em torno da análise de que, a par dos grandes perigos que comporta, a crise abre igualmente enormes potencialidades de transformação e progresso social.
«A crise actual demonstra a completa falência e o colapso do neoliberalismo. Mas não representa o fim automático do capitalismo, pelo contrário, as burguesias dos países mais desenvolvidos tratam de pôr em marcha uma operação de “salvação” do capitalismo. Tais medidas não darão um rumo virtuoso ao sistema, antes, visam fazer com que os trabalhadores paguem novamente a factura da crise. A crise do capitalismo deita por terra a proclamação do capital, de que a contra-revolução de 1989-1991 seria definitiva e irreversível. Ela expressa e patenteia os limites deste sistema social e a necessidade de sua superação revolucionária», sublinha-se no comunicado de imprensa do Encontro.
Neste contexto, em que se apresentam oportunidades de avanço das forças progressistas e revolucionárias e de afirmação do socialismo como alternativa, frisou-se, aumenta a importância e assume maior centralidade o papel dos comunistas e a sua influência na luta dos trabalhadores e dos povos.

Reforçar acção comum

Aprovando por aclamação a Proclamação de São Paulo – documento que publicamos na íntegra – os partidos comunistas e operários decidiram ainda reforçar o processo dos Encontros, a coordenação entre partidos (através do grupo de Trabalho, reconduzido em São Paulo) visando acções comuns e a divulgação das suas iniciativas e conclusões. Assim, foi aprovada a edição de um boletim internacional com o objectivo de dar a conhecer o Encontro junto dos trabalhadores e dos povos.
No que a acções concretas diz respeito, os partidos comunistas e operários decidiram levar a cabo, entre outras iniciativas, uma jornada de ações e debates sobre crise do capitalismo e uma semana mundial de luta, em data a anunciar, cujo tema central é a afirmação do socialismo como alternativa; uma campanha de solidariedade com Cuba, por ocasião dos 50 anos da Revolução Cubana, e uma outra contra a NATO por ocasião dos 60 anos de sua fundação; e, por fim, a organização por parte dos partidos de caravanas de solidariedade à Faixa de Gaza, na Palestina.

Solidariedade sem fronteiras

A situação no Médio Oriente, «representada pela tentativa de reconfiguração da região por parte do imperialismo norte-americano, pela guerra de ocupação do Iraque e a continuada opressão de Israel contra o povo palestino», como se diz na nota de imprensa, foi um dos temas abordados.
Em destaque no Encontro, também, os processos contra-hegemónicos em curso em diversas regiões e envolvendo moldes diversificados de cooperação. Na América Latina, «o ascenso das lutas populares e as vitórias alcançadas por forças democráticas, progressistas e anti-imperialistas» foram celebradas com a aprovação de uma Declaração de Solidariedade aos Povos da América Latina.
Na noite de sábado, realizou-se ainda um acto de solidariedade para com a luta dos povos do subcontinente, uma acção de massas que contou com a adesão entusiástica da juventude e com a presença de outras forças políticas brasileiras, caso do Partido dos Trabalhadores, do Partido Socialista Brasileiro e do Partido Democrático Trabalhista.


Mais artigos de: Internacional

«O socialismo é a alternativa!»

«O mundo está confrontado com uma grave crise económica e financeira de grandes proporções. Uma crise do capitalismo, indissociável da sua natureza própria e das suas insanáveis contradições, porventura a mais grave desde a Grande Depressão iniciada com o crash de 1929. Como sempre são os trabalhadores e os povos as suas...

Actividade Internacional do PCP

No quadro das relações de cooperação e solidariedade com partidos comunistas e forças progressistas, o PCP desenvolveu nos últimos dias uma intensa agenda internacional além-fronteiras. Assim, o Partido esteve presente no XX Congresso do Partido Comunista Colombiano, realizado em Bogotá de 14 a 16 de Novembro, através de...

Povo vota pela revolução

O Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) venceu as eleições de domingo no país, um triunfo que indica que a maioria do povo está com a revolução bolivariana.

Geórgia renova tensão

A Geórgia acusou as forças de interposição russas de atacarem a caravana onde seguia o presidente do país, Mikhail Saakachvili, e o homólogo polaco, Lech Kaczynski, junto à fronteira com a Ossétia do Sul.Em conferência de imprensa, Saakachvili classificou de «bárbaros» os métodos empregues pelas tropas de Moscovo, ao...

Governo cercado

O primeiro-ministro tailandês, Somchai Wongsawat, classificou de «rebelião» o cerco que lhe foi montado por milhares de pessoas junto à sua residência provisória, e afirmou que o protesto promovido pela Aliança do Povo para a Democracia é anticonstitucional e antidemocrático.Os manifestantes exigem a demissão do chefe do...

Acordo no centro

As duas maiores formações políticas da Áustria, o partido social-democrata (SPÖ) e o partido popular (ÖPV) chegaram a acordo, dia 22, para formar uma nova coligação de governo, dois meses após as legislativas realizadas dia 28 de Setembro.Neste escrutínio, convocado antecipadamente na sequência da ruptura do governo em...

Crise sobre rodas

Na semana de 17 de Novembro, os administradores executivos (CEOs) da General Motors, Ford e Chrysler, juntamente com o presidente da United Auto Wokers [o sindicato, UAW] Ron Gettelfinger, testemunharam perante o Congresso a necessidade de um balão de oxigénio do governo dos EUA para a indústria automóvel. Pediram 25 mil...