Venezuela vai a votos

Pedro Campos
Dentro de poucos dias – especificamente a 23 de Novembro – o processo revolucionário será submetido a uma das provas mais decisivas desde o triunfo de Hugo Chávez em Dezembro de 1998. O povo venezuelano será chamado a decidir sobre as novas autoridades do poder local, na primeira votação nacional depois da derrota – por margem pírrica, mas derrota ao fim e ao cabo – do processo bolivariano a 2 de Dezembro de 2007.
Tendo em vista construir a mais ampla unidade das forças políticas e sociais da revolução, o Partido Comunista da Venezuela, no seu XXI Congresso, aprovou a primeira lista de precandidaturas a ser apresentada à Aliança Patriótica, ao mesmo tempo que afirmou ter presente as «premissas políticas» para «fazer frente a esta importante tarefa no seio do processo revolucionário: 1.º Contribuir com a Unidade das forças revolucionárias; 2.º Contribuir para uma vitória contundente das forças do progresso». Para que tal aconteça é fundamental que todas as forças políticas e sociais do processo se mantenham unidas «porque nos processos eleitorais, por um voto se pode perder uma eleição». Numa situação de inevitáveis contradições e onde é impossível avançar sempre em linha recta, o PCV alertou para o facto de que «se não construirmos as alianças necessárias que envolvam todas e todos os actores, poderemos deixar espaços, por uma ausência, omissão ou acção consciente de exclusão, para a possibilidade de uma vitória das forças opostas ao processo».
Trata-se, então, sublinhou o Congresso, de «construir a mais ampla unidade das forças políticas e sociais da revolução na perspectiva de construir a ampla frente patriótica nacional de que necessita o processo» já que «num contexto de acção e ofensiva da reacção é necessário, cada vez mais, unir organicamente e construir esta ampla frente de forças que possa fazer avançar as tarefas da revolução e a existência dessa direcção colectiva que reclama a revolução».

Identificar o inimigo principal

Numa Declaração de Princípios mais recente (2 de Junho), o PCV recorda que «as forças democráticas progressistas e revolucionárias, que em diferentes alcances, tempos e maneiras temos sido e somos expressão política da construção revolucionária (...) estamos comprometidas com o aprofundamento da mudança social iniciada; com as transformações anti-imperialistas, libertadoras e democráticas; com o desenvolvimento independente que termine com a influência dos monopólios, especialmente os estrangeiros, e finalmente os elimine; com a democratização da economia; com o povo trabalhador para ser parte integrante da direcção do Estado para benefício das maiorias historicamente excluídas e exploradas; com a libertação do nosso povo (...) para fazer nascer as bases das transformações socialistas».

Depois de identificar o imperialismo dos Estados Unidos e os monopólios como «o principal inimigo da Revolução», o PCV identifica o «amplo leque das classes e camadas sociais interessadas nas mudanças em curso, especialmente as massas trabalhadoras do campo e da cidade, técnicos, estudantes, cientistas, trabalhadores da cultura, profissionais e artesãos, pequenos e médios proprietários, ou seja a imensa maioria do povo venezuelano».
Considerando a necessidade de «consolidar o processo anti-imperialista», a Declaração recorda que «se convocou as forças democráticas, progressistas e revolucionárias para constituir a Aliança Patriótica, como espaço permanente de coordenação de políticas (...) uma instância não conjuntural nem restringida à arena eleitoral, com visão estratégica caracterizada por uma dinâmica interna que estimule a discussão política e ideológica de fundo (...) respondendo ao princípio de unidade na diversidade» com a decidida liderança do comandante Hugo Chávez.
Como conclusão dos objectivos gerais fundamentais da Aliança Patriótica, entre os quais se destaca a «defensa irrestrita da pátria e da Revolução frente aos inimigos internos e externos e a unidade dos povos latino-americanos e das Caraíbas sobre a base da igualdade, a solidariedade e o respeito mútuo e a defesa comum contra o imperialismo», a Declaração de Princípios afirma que «somente no socialismo se poderá configurar uma forma de organização da sociedade que aprofunde as conquistas alcançadas na actual fase de transição e permita desenvolver todas as suas potencialidades».


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