Salários da miséria
Nas últimas duas décadas as desigualdades sociais na esmagadora maioria dos 30 países da OCDE cresceram a olhos vistos e a parte dos salários no valor acrescentado diminuiu cerca de 10 pontos percentuais.
Salários não garantem existência digna
Em consequência do agravamento das desigualdades nas últimas duas décadas, os ricos estão mais ricos e os pobres mais pobres. A conclusão é da insuspeita Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que reúne o conjunto dos países industrializados, a Coreia do Sul e algumas economias emergentes como a Turquia ou o México.
O relatório divulgado dia 21 indica que o fosso de rendimentos entre as famílias aumentou sete por cento desde os meados dos anos 80 em 24 países que disponibilizaram dados. Esta tendência foi particularmente visível na Alemanha, Estados Unidos, Finlândia, Itália, Noruega, Nova Zelândia e Suécia.
Este aumento da injustiça social é consequência da redução significativa do peso dos salários no valor acrescentado, isto é nos resultados do trabalho. Segundo o estudo, intitulado «Crescimento e desigualdades», desde 1976, em 15 países da OCDE, os salários recuaram 10 pontos percentuais em relação à riqueza criada. Mas em países como a Irlanda, Itália e Japão essa redução atingiu pelo menos 15 pontos percentuais.
Como salientou o secretário-geral da organização, Angel Gurria, «se as desigualdades se agravaram, isso deve-se em grande parte às alterações que se verificaram no mercado de trabalho. É aqui que os governos devem agir (...) aumentar o emprego é a melhor via para reduzir a pobreza».
Paliativos perdem eficácia
Notando um preocupante aumento do risco de pobreza entre as crianças e os jovens adultos, superior em 25 por cento ao da restante população, o relatório destaca o papel importante das prestações sociais na atenuação dos efeitos da pobreza. Sem estas despesas, as desigualdades seriam muito mais acentuadas.
Todavia, segundo observou Angel Gurria na apresentação do estudo, embora a fiscalidade e as transferências sociais continuem a ter um papel importante na redução da pobreza, «os nossos dados confirmam a sua perda de eficácia nos últimos dez anos. Pretender colmatar as lacunas na distribuição dos rendimentos unicamente através do aumento das despesas sociais é o mesmo que tratar os sintomas e não a doença».
E a «doença» é provocada pelo alastramento do trabalho temporário e a tempo parcial, pelos baixos salários e pela crescente concentração da riqueza.
Assim, a OCDE constata que entre 1985 e 2000, a «pobreza monetária» (definida como metade do valor do salário médio) aumentou de menos de 10 para 11 por cento da população no conjunto dos países membros. Nos Estados Unidos atinge 18 por cento e na Turquia eleva-se a 19 por cento.
Na Alemanha, Irlanda, Holanda e Nova Zelândia, este indicador progrediu mais de quatro pontos percentuais. Por isso, «o trabalho remunerado» deixou de ser uma garantia de existência digna para muitos milhões de assalariados.
Ainda segundo o mesmo estudo, 60 por cento das pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza pertencem a agregados familiares em que um ou mais membros estão empregados.
O relatório divulgado dia 21 indica que o fosso de rendimentos entre as famílias aumentou sete por cento desde os meados dos anos 80 em 24 países que disponibilizaram dados. Esta tendência foi particularmente visível na Alemanha, Estados Unidos, Finlândia, Itália, Noruega, Nova Zelândia e Suécia.
Este aumento da injustiça social é consequência da redução significativa do peso dos salários no valor acrescentado, isto é nos resultados do trabalho. Segundo o estudo, intitulado «Crescimento e desigualdades», desde 1976, em 15 países da OCDE, os salários recuaram 10 pontos percentuais em relação à riqueza criada. Mas em países como a Irlanda, Itália e Japão essa redução atingiu pelo menos 15 pontos percentuais.
Como salientou o secretário-geral da organização, Angel Gurria, «se as desigualdades se agravaram, isso deve-se em grande parte às alterações que se verificaram no mercado de trabalho. É aqui que os governos devem agir (...) aumentar o emprego é a melhor via para reduzir a pobreza».
Paliativos perdem eficácia
Notando um preocupante aumento do risco de pobreza entre as crianças e os jovens adultos, superior em 25 por cento ao da restante população, o relatório destaca o papel importante das prestações sociais na atenuação dos efeitos da pobreza. Sem estas despesas, as desigualdades seriam muito mais acentuadas.
Todavia, segundo observou Angel Gurria na apresentação do estudo, embora a fiscalidade e as transferências sociais continuem a ter um papel importante na redução da pobreza, «os nossos dados confirmam a sua perda de eficácia nos últimos dez anos. Pretender colmatar as lacunas na distribuição dos rendimentos unicamente através do aumento das despesas sociais é o mesmo que tratar os sintomas e não a doença».
E a «doença» é provocada pelo alastramento do trabalho temporário e a tempo parcial, pelos baixos salários e pela crescente concentração da riqueza.
Assim, a OCDE constata que entre 1985 e 2000, a «pobreza monetária» (definida como metade do valor do salário médio) aumentou de menos de 10 para 11 por cento da população no conjunto dos países membros. Nos Estados Unidos atinge 18 por cento e na Turquia eleva-se a 19 por cento.
Na Alemanha, Irlanda, Holanda e Nova Zelândia, este indicador progrediu mais de quatro pontos percentuais. Por isso, «o trabalho remunerado» deixou de ser uma garantia de existência digna para muitos milhões de assalariados.
Ainda segundo o mesmo estudo, 60 por cento das pessoas que vivem abaixo do limiar da pobreza pertencem a agregados familiares em que um ou mais membros estão empregados.