Italianos saem às ruas
Um dia depois de centenas de milhares de estudantes se terem manifestado por todo o país contra a reforma educativa, os italianos voltaram a sair às ruas no sábado, 11, para contestar as políticas do governo de Berlusconi.
Políticas anti-sociais provocam protestos massivos
Foram mais de 300 mil os participantes na manifestação de dia 11, em Roma, convocada pelos partidos Refundação Comunista, Comunistas Italianos, Esquerda Democrática e Verdes, todos eles sem representação parlamentar desde as eleições de Abril último que deram a maioria absoluta aos partidos da direita liderados por Silvio Berlusconi.
A poderosa manifestação, da qual o Partido Democrático (PD) de Walter Veltroni se desvinculou, teve como objectivo protestar contra as medidas antipopulares da direita no poder, designadamente a reforma da educação recentemente anunciada.
Mas as críticas visaram também o PD por «não fazer oposição e se ter tornado num amigo do governo».
Como notou Franco Giordano, dirigente do PRC, enquanto a esquerda se levanta contra o governo, o Partido Democrático não faz oposição, nem social, nem política».
À margem desta grande jornada de luta, a primeira organizada pelos partidos da esquerda após as eleições de Abril, o líder da Itália dos Valores (IDV), Antonio Di Pietro, promoveu noutro ponto da capital o lançamento de um abaixo-assinado para pedir um referendo sobre a lei que contempla a imunidade para os quatro cargos mais altos do Estado.
Este decreto, que ficou conhecido como «Lei Alfano», nome do ministro da Justiça, Angelino Alfano, foi aprovado em 22 de Julho com o claro propósito de livrar Berlusconi dos vários processos contra ele em tribunal.
Feita à medida do primeiro-ministro, o diploma prevê a suspensão dos processos penais, anteriores ao início dos mandatos, contra o chefe de Estado, o presidente do Governo e os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado.
O antigo juiz anticorrupção, Antonio Di Pietro, defende a abolição desta lei, propondo-se recolher 500 mil assinaturas para exigir a realização de um referendo.
Esta iniciativa da IDV não tem o apoio do PD apesar de ambos os partidos serem aliados no parlamento.
Estudantes mobilizados
Na véspera, sexta-feira, milhares de estudantes manifestaram-se em cerca de uma centena de localidades contra os cortes de oito mil milhões de euros no orçamento do ensino público e a eliminação prevista de 87 mil lugares de professor e outros 44 mil de auxiliares e administrativos.
Esta reforma introduz uma avaliação do comportamento dos alunos, estipulando o chumbo caso a nota comportamental seja inferior a cinco. O ensino básico regressa ao modelo de professor único, abolindo o sistema em vigor há mais de 20 anos que garante três professores por cada duas turmas.
Foi com indignação que o pessoal docente reagiu às afirmações do ministro da Função Pública, Renato Brunetta, segundo o qual, «os professores italianos ganham demasiado». Na verdade o salário médio ronda os 1200 euros e está entre os mais baixos dos países ricos que formam o G-8, caso da Itália.
Segundo dados da OCDE, a Itália é o último dos 29 países desenvolvidos em termos de gastos com a educação, destinando menos de dez por cento das despesas públicas para o sector.
Protestos continuam
Marcada para amanhã, sexta-feira, 17, está uma manifestação nacional de professores, organizada pelos sindicatos de base, Cobas.
Na próxima semana, dia 25, é a vez de o principal partido da oposição parlamentar, o Partido Democrático, organizar a sua jornada de protesto contra as políticas governamentais.
No final do mês, dia 30, todos os sindicatos do sector da Educação anunciaram uma greve nacional com manifestação na capital.
A poderosa manifestação, da qual o Partido Democrático (PD) de Walter Veltroni se desvinculou, teve como objectivo protestar contra as medidas antipopulares da direita no poder, designadamente a reforma da educação recentemente anunciada.
Mas as críticas visaram também o PD por «não fazer oposição e se ter tornado num amigo do governo».
Como notou Franco Giordano, dirigente do PRC, enquanto a esquerda se levanta contra o governo, o Partido Democrático não faz oposição, nem social, nem política».
À margem desta grande jornada de luta, a primeira organizada pelos partidos da esquerda após as eleições de Abril, o líder da Itália dos Valores (IDV), Antonio Di Pietro, promoveu noutro ponto da capital o lançamento de um abaixo-assinado para pedir um referendo sobre a lei que contempla a imunidade para os quatro cargos mais altos do Estado.
Este decreto, que ficou conhecido como «Lei Alfano», nome do ministro da Justiça, Angelino Alfano, foi aprovado em 22 de Julho com o claro propósito de livrar Berlusconi dos vários processos contra ele em tribunal.
Feita à medida do primeiro-ministro, o diploma prevê a suspensão dos processos penais, anteriores ao início dos mandatos, contra o chefe de Estado, o presidente do Governo e os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado.
O antigo juiz anticorrupção, Antonio Di Pietro, defende a abolição desta lei, propondo-se recolher 500 mil assinaturas para exigir a realização de um referendo.
Esta iniciativa da IDV não tem o apoio do PD apesar de ambos os partidos serem aliados no parlamento.
Estudantes mobilizados
Na véspera, sexta-feira, milhares de estudantes manifestaram-se em cerca de uma centena de localidades contra os cortes de oito mil milhões de euros no orçamento do ensino público e a eliminação prevista de 87 mil lugares de professor e outros 44 mil de auxiliares e administrativos.
Esta reforma introduz uma avaliação do comportamento dos alunos, estipulando o chumbo caso a nota comportamental seja inferior a cinco. O ensino básico regressa ao modelo de professor único, abolindo o sistema em vigor há mais de 20 anos que garante três professores por cada duas turmas.
Foi com indignação que o pessoal docente reagiu às afirmações do ministro da Função Pública, Renato Brunetta, segundo o qual, «os professores italianos ganham demasiado». Na verdade o salário médio ronda os 1200 euros e está entre os mais baixos dos países ricos que formam o G-8, caso da Itália.
Segundo dados da OCDE, a Itália é o último dos 29 países desenvolvidos em termos de gastos com a educação, destinando menos de dez por cento das despesas públicas para o sector.
Protestos continuam
Marcada para amanhã, sexta-feira, 17, está uma manifestação nacional de professores, organizada pelos sindicatos de base, Cobas.
Na próxima semana, dia 25, é a vez de o principal partido da oposição parlamentar, o Partido Democrático, organizar a sua jornada de protesto contra as políticas governamentais.
No final do mês, dia 30, todos os sindicatos do sector da Educação anunciaram uma greve nacional com manifestação na capital.