Solução está em mudar de política
O Secretário-geral do PCP acusou o Governo de omitir as «verdadeiras causa da crise» e, por essa via, fugir às suas próprias responsabilidades.
Há que romper com o Pacto de estabilidade centrado no défice
No debate quinzenal realizado fez ontem quinze dias, Jerónimo de Sousa desafiou o primeiro-ministro a encarar «a crise de frente», o que passa por mudar de política, nomeadamente em relação ao Pacto de Estabilidade, à valorização dos salários e pensões e à suspensão das alterações para pior do Código do Trabalho.
Com a crise financeira e económica internacional em pano de fundo, José Sócrates foi ao Parlamento afirmar a sua vontade de agir sobre a economia real, anunciando para o efeito três medidas de apoio às empresas e famílias. Um aumento em mil milhões de euros na linha de crédito às PME, uma redução do IRC dos actuais 25% para 12,5% nos primeiros 12 500 euros de matéria colectável e o alargamento a todas as famílias (actualmente são só as do primeiro escalão da Segurança Social) do 13º abono de família pago em Setembro para apoio às despesas escolares. Sendo certo que sobre as duas primeiras medidas há que esperar para ver o seu impacte, já em relação à terceira é fácil perceber que não são mais duas ou três escassas dezenas de euros por ano que resolvem as aflições originadas pelos magros orçamentos das famílias.
Sobre as questões de fundo que estão na base da crise, algumas das quais foram oportunamente referenciadas pelo líder comunista (ver caixa), sobre essas, Sócrates manteve um profundo mutismo.
Nada disse, por exemplo, apesar da insistência de Jerónimo de Sousa, sobre o que pensa dos off-shores, «válvula de escape» para a fuga ao fisco e a lavagem de dinheiro. Interpretando-a como uma questão de vital importância, o dirigente do PCP observou que enquanto se mantiverem os off-shores «não há solução de regulação ou supervisão que resolva o problema».
Sem resposta ficou, por outro lado, a questão de saber como vai o Governo levar a cabo a sua proclamada vontade de acção em enfrentar a crise e, simultaneamente, como tudo indica, assumir as orientações emanadas da recente reunião dos quatro grandes da Europa.
Para o dirigente comunista resulta claro, pois, que o caminho é outro e, perante a crise, o que há a fazer, «acima de tudo, é mudar de política, aqui e na Europa», rompendo com o «colete de forças» que é o Pacto de Estabilidade centrado no défice, com vista a dinamizar o investimento e, com ele, o crescimento e o emprego.
As causas profundas
Para Jerónimo de Sousa a actual situação não é explicável apenas pelo rebentamento da crise do crédito hipotecário (sub-prime). Para o estado de coisas a que se chegou - «lá fora e cá dentro do país», sublinhou várias vezes - existem outras razões que, em sua opinião, «exigem outras medidas». Enumerando algumas dessas causas, elegeu à cabeça a crescente financeirização da economia, em detrimento da produção real. Responsabilizadas foram, por outro lado, as práticas especulativas do grande capital financeiro, ao qual, sublinhou, «tudo é permitido».
Para o dirigente do PCP, a crise é ainda «o resultado da contínua desvalorização dos salários e da sua substituição pelo incentivo ao endividamento».
Com a crise financeira e económica internacional em pano de fundo, José Sócrates foi ao Parlamento afirmar a sua vontade de agir sobre a economia real, anunciando para o efeito três medidas de apoio às empresas e famílias. Um aumento em mil milhões de euros na linha de crédito às PME, uma redução do IRC dos actuais 25% para 12,5% nos primeiros 12 500 euros de matéria colectável e o alargamento a todas as famílias (actualmente são só as do primeiro escalão da Segurança Social) do 13º abono de família pago em Setembro para apoio às despesas escolares. Sendo certo que sobre as duas primeiras medidas há que esperar para ver o seu impacte, já em relação à terceira é fácil perceber que não são mais duas ou três escassas dezenas de euros por ano que resolvem as aflições originadas pelos magros orçamentos das famílias.
Sobre as questões de fundo que estão na base da crise, algumas das quais foram oportunamente referenciadas pelo líder comunista (ver caixa), sobre essas, Sócrates manteve um profundo mutismo.
Nada disse, por exemplo, apesar da insistência de Jerónimo de Sousa, sobre o que pensa dos off-shores, «válvula de escape» para a fuga ao fisco e a lavagem de dinheiro. Interpretando-a como uma questão de vital importância, o dirigente do PCP observou que enquanto se mantiverem os off-shores «não há solução de regulação ou supervisão que resolva o problema».
Sem resposta ficou, por outro lado, a questão de saber como vai o Governo levar a cabo a sua proclamada vontade de acção em enfrentar a crise e, simultaneamente, como tudo indica, assumir as orientações emanadas da recente reunião dos quatro grandes da Europa.
Para o dirigente comunista resulta claro, pois, que o caminho é outro e, perante a crise, o que há a fazer, «acima de tudo, é mudar de política, aqui e na Europa», rompendo com o «colete de forças» que é o Pacto de Estabilidade centrado no défice, com vista a dinamizar o investimento e, com ele, o crescimento e o emprego.
As causas profundas
Para Jerónimo de Sousa a actual situação não é explicável apenas pelo rebentamento da crise do crédito hipotecário (sub-prime). Para o estado de coisas a que se chegou - «lá fora e cá dentro do país», sublinhou várias vezes - existem outras razões que, em sua opinião, «exigem outras medidas». Enumerando algumas dessas causas, elegeu à cabeça a crescente financeirização da economia, em detrimento da produção real. Responsabilizadas foram, por outro lado, as práticas especulativas do grande capital financeiro, ao qual, sublinhou, «tudo é permitido».
Para o dirigente do PCP, a crise é ainda «o resultado da contínua desvalorização dos salários e da sua substituição pelo incentivo ao endividamento».