Braga é um espelho das políticas do Governo PS

Problemas uns atrás dos outros

Cerca de 50 mil desempregados (70 % dos quais de longa duração), elevada precariedade, fluxo crescente de emigrantes (em particular para a Galiza), dezenas de empresas encerradas e centenas em risco de falência, baixos salários (o segundo pior do país) e baixas pensões, crescimento das manchas de pobreza.
Esta é a realidade que define hoje em larga medida o distrito de Braga, reflectindo, como sublinhou no Parlamento o deputado comunista Agostinho Lopes, as políticas do Governo PS/Sócrates.
Foi também este o quadro que os deputados comunistas puderam constatar nas suas recentes Jornadas Parlamentares em Braga, no decurso das quais mantiveram um intenso programa de contactos e visitas que lhes permitiu concluir que também naquele distrito a obsessão do Governo pelo défice, com drásticas reduções no investimento público e nas despesas sociais, penalizou dura e generalizadamente as suas gentes.
Agostinho Lopes, em declaração política proferida na passada semana em nome da sua bancada, demonstrou-o através de numerosos exemplos e testemunhos reveladores de como nestes últimos anos ocorreu uma degradação dos serviços públicos, acentuando-se a carência de recursos humanos, bem como a insuficiência de equipamentos e instalações em áreas fundamentais como a saúde e o ensino.

Código do patronato

Outro plano fundamental a merecer a atenção dos deputados comunistas nas suas Jornadas foi o novo Código do Trabalho, matéria que valeu acesas e duras críticas ao PS sobre quem recaiu a acusação de rasgar compromissos eleitorais e de descredibilizar o regime democrático, uma vez que faz no Governo o contrário do que propunha na oposição. Isso mesmo lembrou Agostinho Lopes, que advertiu para o facto de grandes empresas estarem já a tentar aplicar as alterações propostas pelo PS, enquanto outras, como a Blaupunkt, vêem aproximar-se a hora das suas práticas ilegítimas serem legalizadas pela mão do Governo.

Basta de exploração

«Um escândalo», assim foi classificada, por outro lado, a opção governativa de continuar a financiar o défice à custa de cortes nas pensões e reformas, à custa da negação do complemento solidário de idosos ou da poupança no subsídio de desemprego e no subsídio social de desemprego (ver pág. 15). Defendendo que não podem ser os mesmos de sempre a pagar a factura da actual crise financeira, o parlamentar do PCP – fazendo eco das conclusões das Jornadas Parlamentares – considerou por isso que o próximo OE não pode voltar a penalizar os trabalhadores e a generalidade da população, devendo conter medidas que respondam à prolongada estagnação da economia.

A falência do capitalismo

Agostinho Lopes responsabilizou por fim as maiorias parlamentares e governos das últimas décadas pelas políticas que, cumprindo os mandamentos do neoliberalismo, impulsionaram as privatizações, a liberalização dos mercados, a desregulamentação da vida económica, a livre circulação de capitais, «dando total curso ao regabofe do sector financeiro e à economia de casino». E frisou que «não é aceitável que tudo acabe por mais uns supervisores e regras de supervisão, por mais uns códigos de boas práticas e ética empresarial», quando, sustentou, o que está hoje em causa é o próprio sistema capitalista e o quadro neoliberal.


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