A derrocada
O governo norte-americano de George W. Bush decidiu «comprar» por 700 mil milhões de dólares (cerca de 480 mil milhões de euros) as dívidas de qualquer entidade financeira nos próximos dois anos, isto com o objectivo confesso de as salvar da falência. O professor Marcelo Rebelo de Sousa, com judiciosa displicência, já traduziu o acto por «nacionalização» - no que tem sido secundado pelos comentadores encartados do costume -, e o extraordinário é que tão vilipendiado «palavrão» não segregou o menor engulho: aparentemente, as tenebrosas nacionalizações que de há 30 anos para cá foram erigidas pelos governos do PS e do PSD (com umas colaborações do CDS) em «inimigo público n.º 1» em Portugal, passaram de repente, nas vozes do dono que campeiam pelo panorama informativo nacional, a trivialidade não apenas aceitável, mas credora de elogios.
Percebe-se porquê: toda esta gente está farta de saber que tão monstruosa injecção de capital nada tem a ver com as clássicas nacionalizações, onde os Estados assumem o controlo económico e político dos sectores nacionalizados, que assim ficam a salvo da gula dos privados e passam a ser geridos em nome dos interesses colectivos.
O que Bush fez - e também é tranquilamente reconhecido - foi utilizar os recursos públicos de que os EUA dispõem para cobrir as escandalosas perdas financeiras a que a especulação desenfreada conduziu a generalidade do sistema financeiro norte-americano. Fez isto para salvar da falência um sistema confirmadamente corrupto e venal, pagando com dinheiros públicos - ou seja do povo norte-americano em geral - os desmandos e os prejuízos de um capitalismo já não apenas irreformável, mas que tomou o freio nos dentes.
Entretanto, como se assinala noutro local desta edição, neste «plano dos 700 mil milhões» não há qualquer referência a contrapartidas devidas ao Estado por parte das empresas beneficiárias da ajuda pública (portanto, tão gigantesca ajuda à banca privada é totalmente «grátis»), tal como a administração Bush, tão solícita com os banqueiros, não reserva um cêntimo desta verba colossal para ajudar os milhões de famílias norte-americanas que já perderam, ou estão em risco de perder, as suas casas em consequência directa desta crise.
Nacionalização... só se for a das brutais perdas desta especulação financeira, cujo pagamento será feito pelo povo norte-americano na forma de uma colossal dívida pública, para já violentamente acrescentada com 700 mil milhões de dólares. Para se ter uma ideia da enormidade desta verba, bastará dizer que é o triplo do PIB português (actualmente nos 232 mil milhões de dólares/ano) e supera os orçamentos anuais conjuntos dos ministérios norte-americanos da Defesa, Educação e Saúde.
É tempo de recordar que esta derrocada é da completa responsabilidade do famoso «mercado liberalizado» e o desastre capitalista que por aí progride demonstra, na crueza dos factos, que afinal o mercado não se «auto-regula», como nos têm andado a impingir.
Deixado à rédea-solta - qual novo dogma do neoliberalismo em estertor -, o que fatalmente daí resulta é o desastre e a miséria, com as minorias do costume a apropriarem-se já desbragadamente dos recursos e a maioria a mergulhar descontroladamente na miséria.
Entretanto, multiplicam-se os avisos de que a actual crise ainda não acabou. Ah pois não! Diríamos mesmo que mal começou...
Percebe-se porquê: toda esta gente está farta de saber que tão monstruosa injecção de capital nada tem a ver com as clássicas nacionalizações, onde os Estados assumem o controlo económico e político dos sectores nacionalizados, que assim ficam a salvo da gula dos privados e passam a ser geridos em nome dos interesses colectivos.
O que Bush fez - e também é tranquilamente reconhecido - foi utilizar os recursos públicos de que os EUA dispõem para cobrir as escandalosas perdas financeiras a que a especulação desenfreada conduziu a generalidade do sistema financeiro norte-americano. Fez isto para salvar da falência um sistema confirmadamente corrupto e venal, pagando com dinheiros públicos - ou seja do povo norte-americano em geral - os desmandos e os prejuízos de um capitalismo já não apenas irreformável, mas que tomou o freio nos dentes.
Entretanto, como se assinala noutro local desta edição, neste «plano dos 700 mil milhões» não há qualquer referência a contrapartidas devidas ao Estado por parte das empresas beneficiárias da ajuda pública (portanto, tão gigantesca ajuda à banca privada é totalmente «grátis»), tal como a administração Bush, tão solícita com os banqueiros, não reserva um cêntimo desta verba colossal para ajudar os milhões de famílias norte-americanas que já perderam, ou estão em risco de perder, as suas casas em consequência directa desta crise.
Nacionalização... só se for a das brutais perdas desta especulação financeira, cujo pagamento será feito pelo povo norte-americano na forma de uma colossal dívida pública, para já violentamente acrescentada com 700 mil milhões de dólares. Para se ter uma ideia da enormidade desta verba, bastará dizer que é o triplo do PIB português (actualmente nos 232 mil milhões de dólares/ano) e supera os orçamentos anuais conjuntos dos ministérios norte-americanos da Defesa, Educação e Saúde.
É tempo de recordar que esta derrocada é da completa responsabilidade do famoso «mercado liberalizado» e o desastre capitalista que por aí progride demonstra, na crueza dos factos, que afinal o mercado não se «auto-regula», como nos têm andado a impingir.
Deixado à rédea-solta - qual novo dogma do neoliberalismo em estertor -, o que fatalmente daí resulta é o desastre e a miséria, com as minorias do costume a apropriarem-se já desbragadamente dos recursos e a maioria a mergulhar descontroladamente na miséria.
Entretanto, multiplicam-se os avisos de que a actual crise ainda não acabou. Ah pois não! Diríamos mesmo que mal começou...