Comentário

Pela paz

Ilda Figueiredo
Está a tornar-se cada vez mais claro que ao capitalismo já não basta o recurso à ideologia para impor as suas regras. É crescente o recurso à ingerência interna, à provocação, ao conflito armado, à invasão, à guerra, para controlar recursos naturais – petróleo, gás, água – ou rotas e vias de acesso a fontes estratégicas, no que pode ser considerado um novo período de colonização por parte dos que têm maior poder. Os pretextos têm sido os mais variados, mas os objectivos são sempre os mesmos, seja no Iraque e no Afeganistão, seja nos Balcãs ou no Cáucaso, no Médio Oriente, em África ou na América Latina.
A história já nos ensinou que o imperialismo é sempre insaciável. Foi assim com todos os impérios. Mas, também por isso, geraram as contradições que levaram à sua própria destruição. É que também sempre os povos explorados lutaram contra a exploração de que foram vítimas, na defesa da sua dignidade. Só que, por vezes, isso custou muito sofrimento e milhões de mortos.
Por isso, importa retirar ensinamentos da história e actuar, enquanto é tempo, na defesa da paz justa, inseparável da democracia participativa, da justiça social, da valorização do trabalho, do progresso e desenvolvimento ao serviço dos povos, no respeito pela soberania dos Estados, promovendo a via do diálogo para a resolução dos conflitos, nomeadamente no quadro da ONU, e lutando contra a nova corrida aos armamentos.
Na fase que estamos a viver, as grandes potências já não tentam apenas impor a ideologia dominante do capitalismo. Querem que haja um pensamento único, utilizando a comunicação social que controlam, com especial enfoque para as televisões, reduzindo ao mínimo possível, excluindo, na prática, os que se opõem consequentemente ao capitalismo e à guerra e que apresentam alternativas ao sistema explorador, como faz o PCP.

Políticas perigosas

Nalguns países da União Europeia, onde Portugal não está impune, retornam os ataques a liberdades e direitos fundamentais, regressam velhas campanhas anticomunistas, medra um fascismo rastejante que é preciso extirpar enquanto é tempo.
Hoje é claro que EUA e União Europeia querem impor também uma ordem mundial baseada na exploração dos mais fracos pelos mais fortes, seja no âmbito da Organização Mundial do Comércio – OMC, seja utilizando a NATO, com apoio conjunto americano e europeu. Para isso, estão a recorrer frequentemente à força das armas e a uma nova corrida aos armamentos.
Os recentes acontecimentos no Cáucaso são mais um exemplo de toda esta situação. A actuação provocatória do presidente da Geórgia, que iniciou as hostilidades, só pode ser entendida num quadro que serve os interesses da NATO e dos EUA, os quais, entretanto, já aproveitaram o pretexto para enviar para a zona a poderosa força naval americana. Simultaneamente, os EUA instalam o sistema de defesa antimíssel na Polónia e na República Checa e insistem em alargar a NATO até às fronteiras da Rússia, o que pode contribuir para agravar o conflito actual e transformar-se em mais um sério perigo para a paz.
Apesar da importante rejeição do projecto da dita constituição europeia, e, mais recentemente, do seu filho que dá pelo cognome de «Tratado de Lisboa», no referendo da Irlanda, os líderes da União Europeia continuam a pôr em prática uma política crescentemente militarista e cada vez mais enfeudada aos interesses dos EUA, mesmo que, por vezes, tenham grande dificuldade em explicar aos seus povos as mortes dos seus soldados no Iraque, no Afeganistão ou noutro lado qualquer. Veja-se o que ainda há dias aconteceu em França com os seus mortos no Afeganistão.
Por isso, é preciso avisar toda a gente, é preciso mobilizar todos os democratas contra estas políticas muito perigosas para a paz na Europa e no Mundo.


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