Exemplo que fica para o futuro da luta
Uma multidão acompanhou, domingo, o funeral do ex-secretário-geral do Partido Comunista da Índia (Marxista), Harkishan Singh Surjeet, falecido sexta-feira. O PCP expressou aos camaradas indianos os sentimentos «de profundo pesar e de fraternal solidariedade» dos comunistas portugueses.
«Singh Surjeet foi um incansável defensor dos interesses dos oprimidos e explorados»
Comunistas, democratas, populares sem partido e personalidades de quase todos os quadrantes políticos da Índia acompanharam o cortejo fúnebre de Harkishan Singh Surjeet, em Nova Deli, da sede do Comité Central do PCI(M) até ao local onde o corpo do dirigente comunista foi cremado.
Na frente da marcha, conduzindo Surjeet até à sua última morada, 92 militantes comunistas fizeram uma guarda de honra - em alusão à idade do histórico dirigente à data do seu desaparecimento -, seguidos por muitos jovens, trabalhadores e camponeses indianos, alguns dos quais vindos de províncias distantes do país, para quem Surjeet é uma referência de dedicação e firmeza para a luta que continua, e a gratidão não é uma palavra vã.
«O Partido perdeu um dirigente excepcional, e o país perdeu uma autoridade representativa da esquerda e da tradição secular», considerou o Partido Comunista da Índia (Marxista) em nota emitida pelo do Politeburo do Comité Central.
No texto divulgado na página oficial do PCI(M), em www.cpim.org, a direcção comunista sublinha ainda Singh Surjeet como uma proeminente figura do movimento comunista internacional e um incansável defensor dos interesses dos oprimidos e explorados do país.
Uma vida de combate
Nascido a 23 de Março de 1916 na cidade de Phillaur, distrito de Jalandahar, província do Punjab, Singh Surjeet iniciou a sua actividade política em 1932, no movimento independentista influenciado por Bhagat Singh.
A luta contra o colonialismo britânico valeu-lhe a primeira prisão, aos 16 anos, e foi após a sua libertação que toma contacto com o Partido Comunista da Índia (PCI), então ilegal, ao qual adere em 1934.
No ano seguinte, torna-se membro do Partido do Congresso Socialista e assume tarefas de direcção na região de Punjab, donde acaba expulso para Uttar Pradesh. Numa das regiões mais populosas do mundo, funda o jornal Chingari, mas com início da Segunda Guerra Mundial, o militante comunista abandona a actividade legal e «mergulha» na clandestinidade.
Em 1940 é novamente preso, e até ser eleito para o Comité Central e para o Politeburo do PCI, em Janeiro de 1954, no 3.º Congresso do Partido, Surjeet, acumula mais seis anos de vida clandestina e dez de prisão, dos quais oito ainda sob o domínio colonial.
Na década seguinte, é um dos mais destacados dirigentes na construção e reforço do Partido e da luta de massas. Dirige e organiza as lutas camponesas no Punjab, em 1959, experiência que lhe permite escrever duas importantes obras, «A Reforma da Terra na Índia» e «Acontecimentos no Punjab».
Em 1964, ocorre a cisão do PCI, ano a partir do qual ajuda a fundar o Partido Comunista da Índia (Marxista). Mantém-se na sua direcção até ao 19.º Congresso, em 2005, sendo responsável durante mais de três décadas pelas relações internacionais do Partido, e ocupando o cargo de secretário-geral a partir de 1992.
Pela unidade e contra o imperialismo
Tenaz combatente contra a ocupação inglesa, Singh Surjeet foi, após a conquista da autodeterminação, um acérrimo defensor da unidade nacional e dos princípios seculares da União Indiana, assumindo como quadro do Partido tarefas nesse âmbito desde o final dos anos 50 até 2004. Durante este período, desempenhou um importante papel no combate às formações políticas de cariz secessionista ou confessional, nomeadamente no alcance de plataformas de entendimento, em 1989, 1996 e 2004, que permitiram excluí-las do governo.
«Como se um dos nossos se tratasse»
Reagindo à morte do histórico dirigente comunista, o secretário-geral e o secretariado do Comité Central do PCP (ver caixa) enviaram ao Comité Central do Partido Comunista da Índia (M) e ao seu secretário-geral, Prakash Karat, mensagens de condolências.
Na nota enviada a Prakash Karat, Jerónimo de Sousa sublinha que o desaparecimento de Singh Surjeet representa «uma grande perda para os comunista e progressistas de todo o mundo», e, lembra, «porque conhecemos a consideração e amizade que nutria pelos comunistas portugueses e porque sabemos como é respeitado e considerado pelos membros do nosso Partido (...) sentimos a sua morte como se um dos nossos se tratasse».
O secretário-geral do PCP expressa ainda a confiança dos comunistas portugueses de que o PCI(M) «saberá honrar a dedicação, a coerência, a coragem e a determinação com que o camarada Surjeet se entregou, durante toda a sua vida, à luta pela emancipação social do povo trabalhador da Índia e à causa do Socialismo e do Comunismo».
Na frente da marcha, conduzindo Surjeet até à sua última morada, 92 militantes comunistas fizeram uma guarda de honra - em alusão à idade do histórico dirigente à data do seu desaparecimento -, seguidos por muitos jovens, trabalhadores e camponeses indianos, alguns dos quais vindos de províncias distantes do país, para quem Surjeet é uma referência de dedicação e firmeza para a luta que continua, e a gratidão não é uma palavra vã.
«O Partido perdeu um dirigente excepcional, e o país perdeu uma autoridade representativa da esquerda e da tradição secular», considerou o Partido Comunista da Índia (Marxista) em nota emitida pelo do Politeburo do Comité Central.
No texto divulgado na página oficial do PCI(M), em www.cpim.org, a direcção comunista sublinha ainda Singh Surjeet como uma proeminente figura do movimento comunista internacional e um incansável defensor dos interesses dos oprimidos e explorados do país.
Uma vida de combate
Nascido a 23 de Março de 1916 na cidade de Phillaur, distrito de Jalandahar, província do Punjab, Singh Surjeet iniciou a sua actividade política em 1932, no movimento independentista influenciado por Bhagat Singh.
A luta contra o colonialismo britânico valeu-lhe a primeira prisão, aos 16 anos, e foi após a sua libertação que toma contacto com o Partido Comunista da Índia (PCI), então ilegal, ao qual adere em 1934.
No ano seguinte, torna-se membro do Partido do Congresso Socialista e assume tarefas de direcção na região de Punjab, donde acaba expulso para Uttar Pradesh. Numa das regiões mais populosas do mundo, funda o jornal Chingari, mas com início da Segunda Guerra Mundial, o militante comunista abandona a actividade legal e «mergulha» na clandestinidade.
Em 1940 é novamente preso, e até ser eleito para o Comité Central e para o Politeburo do PCI, em Janeiro de 1954, no 3.º Congresso do Partido, Surjeet, acumula mais seis anos de vida clandestina e dez de prisão, dos quais oito ainda sob o domínio colonial.
Na década seguinte, é um dos mais destacados dirigentes na construção e reforço do Partido e da luta de massas. Dirige e organiza as lutas camponesas no Punjab, em 1959, experiência que lhe permite escrever duas importantes obras, «A Reforma da Terra na Índia» e «Acontecimentos no Punjab».
Em 1964, ocorre a cisão do PCI, ano a partir do qual ajuda a fundar o Partido Comunista da Índia (Marxista). Mantém-se na sua direcção até ao 19.º Congresso, em 2005, sendo responsável durante mais de três décadas pelas relações internacionais do Partido, e ocupando o cargo de secretário-geral a partir de 1992.
Pela unidade e contra o imperialismo
Tenaz combatente contra a ocupação inglesa, Singh Surjeet foi, após a conquista da autodeterminação, um acérrimo defensor da unidade nacional e dos princípios seculares da União Indiana, assumindo como quadro do Partido tarefas nesse âmbito desde o final dos anos 50 até 2004. Durante este período, desempenhou um importante papel no combate às formações políticas de cariz secessionista ou confessional, nomeadamente no alcance de plataformas de entendimento, em 1989, 1996 e 2004, que permitiram excluí-las do governo.
«Como se um dos nossos se tratasse»
Reagindo à morte do histórico dirigente comunista, o secretário-geral e o secretariado do Comité Central do PCP (ver caixa) enviaram ao Comité Central do Partido Comunista da Índia (M) e ao seu secretário-geral, Prakash Karat, mensagens de condolências.
Na nota enviada a Prakash Karat, Jerónimo de Sousa sublinha que o desaparecimento de Singh Surjeet representa «uma grande perda para os comunista e progressistas de todo o mundo», e, lembra, «porque conhecemos a consideração e amizade que nutria pelos comunistas portugueses e porque sabemos como é respeitado e considerado pelos membros do nosso Partido (...) sentimos a sua morte como se um dos nossos se tratasse».
O secretário-geral do PCP expressa ainda a confiança dos comunistas portugueses de que o PCI(M) «saberá honrar a dedicação, a coerência, a coragem e a determinação com que o camarada Surjeet se entregou, durante toda a sua vida, à luta pela emancipação social do povo trabalhador da Índia e à causa do Socialismo e do Comunismo».