O «grande líder» e a «matriz» do PS

Carlos Gonçalves
O Presidente do PS, Dr. Almeida Santos, deu uma entrevista ao DN e TSF, dois empenhados agentes mediáticos das políticas e manobrismos do Governo, que merece atenção, não pelas poucas novidades, mas porque explicita sínteses clarificadoras do que é hoje o pensamento político e ideológico dos responsáveis do PS.
Desde logo - triste figura para um Presidente do PS(!) - são tantos, tão excessivos e pategos os encómios a Sócrates – «um Primeiro-ministro excepcional», «o PS está satisfeito ... como ... com nenhum (outro) líder», «de grande qualidade», «grande prestígio ... europeu», «resolução de problemas concretos, modernismo, tecnologia, ... isso é o Sócrates», «um grande líder», blá, blá, - que apenas repetem o CD da central de comunicação do Governo (não usam cassete), produzido para a propaganda do PS e para as entrevistas de promoção do Primeiro-ministro.
Aliás, fica claro que a entrevista é uma peça da campanha do Governo para arregimentar apoios no PS, que lhe vão decaindo enquanto medram os dos grandes interesses, e no exacto momento em que se consuma a mais brutal ofensiva contra valores democráticos essenciais – o pacote laboral reaccionário e a exploração desenfreada – e em que Sócrates corre o risco real de que a luta de massas e a redução efectiva da base de apoio resultem em derrotas importantes.
E sobre ideologia diz A.Santos – «a UE não tem orientação de esquerda e nós temos de alinhar», «estamos prisioneiros (da UE)», «na Constituição é uma coisa, ... nas possibilidades é outra», «uma coisa é a ideologia, outra é a prática», «o PS ... não tem ... condições ... de ser tão fiel à sua ... matriz», «a matriz gastou-se. O 25 de Abril foi há 34 anos». O «modelo mundial económico», «fábrica de pobreza e desemprego», «está a oprimir» e «não deixa» o PS «ter uma prática ... correspondente à ideologia».
Seria difícil síntese mais clara e confissão mais evidente da rendição e adesão do PS/Sócrates às políticas de direita e aos grandes interesses, «dos governos, nomeadamente dos USA, que mandam no mundo».
Felizmente que foi o Dr. Almeida Santos que assim falou da «matriz» do PS, porque se fossem os trabalhadores - ou os comunistas – seria, nas «modernas» palavras de Sócrates, «preconceito» e «sectarismo».


Mais artigos de: Opinião

Por um canudo

Deixando de lado o que a outros diz respeito e não pretendendo invadir terrenos alheios, já por si e de acordo com o que vem a público sobejamente minados, as directas do PSD não podem deixar de ser observadas com alguma atenção. Não pelo ângulo de uma qualquer expectativa sobre o que dali resulta em termos de solução e...

Fomos à Rota!

Realizou-se no passado Domingo a 23ª Edição da Marcha à Rota, uma importante iniciativa ibérica contra a presença da Base militar norte-americana da Rota em Espanha, na província da Andaluzia. Cumprindo aquilo que para muitos, em cada ano que passa, já se tornou uma jornada de luta obrigatória, activistas da paz...

Desintoxicação

Para o Governo Sócrates a mistificação e a desinformação são duas formas privilegiadas de acção política. Como o são o rasgar de promessas eleitorais e o renegar de posições anteriormente tomadas. Há dias o inenarrável José Lello, confrontado com a contradição entre aquilo que o PS agora pretende impor na revisão da...

A crise dos cereais

Um dos grandes temas da actualidade é o da crise alimentar. O momento que se vive é de facto preocupante. Cerca de dois mil e quinhentos milhões de pessoas sobrevivem com menos de dois dólares por dia.

A vara

Todo o País viu, sobretudo graças ao empenho das televisões a mostrá-lo, como a UGT se estreou neste 1.º de Maio de 2008 na aventura das manifestações de rua: um grupo fardado com bonés de encomenda a descer algo envergonhadamente a Avenida da Liberdade, em Lisboa, onde por junto se concentrou toda a capacidade de...