«Não» ganha terreno
Uma recente sondagem sobre o referendo ao tratado de Lisboa na Irlanda mostra uma notável subida do «não» e uma descida do «sim», que surgem agora separados apenas por quatro pontos percentuais.
A vitória do «Não» é agora uma possibilidade real
Os resultados do inquérito, publicados dia 27 de Abril, pelo jornal irlandês Sunday Business Post, revelam que o apoio ao tratado baixou de 43 por cento em Fevereiro para 35 por cento actualmente. Neste período, o «não» progrediu de 24 por cento para 31 por cento. A parte dos indecisos eleva-se a 34 por cento.
O jornal observa que estes resultados estão a causar preocupação entre os governos europeus, que contavam superar facilmente a etapa obrigatória do referendo irlandês, e agora se apercebem, pelo contrário, que o «Não» tem possibilidades reais de vencer no próximo dia 12 de Junho.
Esta alteração no eleitorado deve-se em parte à oposição crescente dos agricultores irlandeses às políticas comunitárias, designadamente em relação às concessões que a Comissão Europeia tem vindo a fazer no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ainda no dia 17 de Abril, aproveitando uma visita do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, milhares de agricultores concentraram-se no centro de Dublin, acusando o comissário Mendelson de usar agricultura como moeda de troca nas negociações da OMC.
Tentando manipular o referendo, a União Europeia não só suspendeu todos os processos em curso que possam desagradar aos eleitores irlandeses como já adoptou medidas que respondem a reivindicações sectoriais. De acordo com o diário espanhol El Pais (05.05), as medidas adoptadas por Bruxelas incluem o adiamento da harmonização fiscal, o aumento dos entraves às importações de carne extra-comunitária, o adiamento da reforma orçamental comunitária e o protelamento do relatório sobre os símbolos da Europa.
O mesmo diário revela que Durão Barroso deu instruções para retardar o debate sobre a reforma do orçamento comunitário, alargando o período de consultas até 15 de Junho. Não é segredo que a Comissão Europeia pretende reduzir no próximo orçamento as ajudas agrícolas que representam 40 por cento da despesa.
Barroso deu ainda garantias aos empresários de que o Tratado de Lisboa não implicará a harmonização do imposto sobre os lucros, que é apenas de 12,5 por cento na Irlanda, valor muito abaixo da média europeia (39,5%).
A Comissão deu ainda ordens às autoridades sanitárias para não molestarem os criadores irlandeses e reforçaram as restrições à entrada de carne originária do Brasil, medida que favorece em especial os produtores irlandeses.
PCP saúda apoiantes do «não»
Numa mensagem de solidariedade enviada, dia 2, ao Partido Comunista da Irlanda, o Secretariado do Comité Central do PCP salienta que «milhões de trabalhadores e os povos da UE olham para o referendo irlandês com a esperança de encontrar aí aquilo que lhes foi negado – uma ocasião para afirmarem que não querem um federalismo supranacional, neoliberal e militarista na União Europeia; que não querem uma União Europeia ao serviço do grande capital, da exploração, dos lucros, da guerra e da opressão de outros povos».
Lembrando que a Irlanda é o único país onde, por imperativo constitucional, se realizará uma consulta sobre o tratado de Lisboa, o PCP «saúda todas as forças políticas, sindicais e populares progressistas da Irlanda que estão empenhadas em derrotar a imposição do Tratado das classes dirigentes da União Europeia. Uma vitória do «Não» no referendo irlandês constituirá uma grande vitória de todos os trabalhadores e povos dos países da União Europeia.»
O jornal observa que estes resultados estão a causar preocupação entre os governos europeus, que contavam superar facilmente a etapa obrigatória do referendo irlandês, e agora se apercebem, pelo contrário, que o «Não» tem possibilidades reais de vencer no próximo dia 12 de Junho.
Esta alteração no eleitorado deve-se em parte à oposição crescente dos agricultores irlandeses às políticas comunitárias, designadamente em relação às concessões que a Comissão Europeia tem vindo a fazer no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Ainda no dia 17 de Abril, aproveitando uma visita do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, milhares de agricultores concentraram-se no centro de Dublin, acusando o comissário Mendelson de usar agricultura como moeda de troca nas negociações da OMC.
Tentando manipular o referendo, a União Europeia não só suspendeu todos os processos em curso que possam desagradar aos eleitores irlandeses como já adoptou medidas que respondem a reivindicações sectoriais. De acordo com o diário espanhol El Pais (05.05), as medidas adoptadas por Bruxelas incluem o adiamento da harmonização fiscal, o aumento dos entraves às importações de carne extra-comunitária, o adiamento da reforma orçamental comunitária e o protelamento do relatório sobre os símbolos da Europa.
O mesmo diário revela que Durão Barroso deu instruções para retardar o debate sobre a reforma do orçamento comunitário, alargando o período de consultas até 15 de Junho. Não é segredo que a Comissão Europeia pretende reduzir no próximo orçamento as ajudas agrícolas que representam 40 por cento da despesa.
Barroso deu ainda garantias aos empresários de que o Tratado de Lisboa não implicará a harmonização do imposto sobre os lucros, que é apenas de 12,5 por cento na Irlanda, valor muito abaixo da média europeia (39,5%).
A Comissão deu ainda ordens às autoridades sanitárias para não molestarem os criadores irlandeses e reforçaram as restrições à entrada de carne originária do Brasil, medida que favorece em especial os produtores irlandeses.
PCP saúda apoiantes do «não»
Numa mensagem de solidariedade enviada, dia 2, ao Partido Comunista da Irlanda, o Secretariado do Comité Central do PCP salienta que «milhões de trabalhadores e os povos da UE olham para o referendo irlandês com a esperança de encontrar aí aquilo que lhes foi negado – uma ocasião para afirmarem que não querem um federalismo supranacional, neoliberal e militarista na União Europeia; que não querem uma União Europeia ao serviço do grande capital, da exploração, dos lucros, da guerra e da opressão de outros povos».
Lembrando que a Irlanda é o único país onde, por imperativo constitucional, se realizará uma consulta sobre o tratado de Lisboa, o PCP «saúda todas as forças políticas, sindicais e populares progressistas da Irlanda que estão empenhadas em derrotar a imposição do Tratado das classes dirigentes da União Europeia. Uma vitória do «Não» no referendo irlandês constituirá uma grande vitória de todos os trabalhadores e povos dos países da União Europeia.»