Homer Simpson censura Hugo Chavez

Na Venezuela, a Comissão Nacional de Telecomunicações decidiu recomendar que a série de desenhos animados «Os Simpson» não fosse passada em horário infantil (como não o é na maioria dos países do mundo, incluindo o nosso). O Canal – privado – acatou a decisão, e colocou no horário antes ocupado pelos Simpson a série «Marés Vivas».
Umas horas depois, a Imprensa Internacional começa a noticiar «Venezuela proíbe os Simpson», depressa evolui para «Chavez proíbe os Simpson», até atingir o actual nível «Chavez proíbe Simpson e coloca 'Marés Vivas' no seu lugar».
A Comunicação Social dominada cá do burgo - acéfala caixa de repetição das mentiras e intoxicações «made in USA» - não podia deixar de amplificar a campanha. Imediatamente, esta acção se reflecte na chamada «blogoesfera», e em centenas de blogs, milhares de cidadãos melhor ou pior intencionados comentam e censuram a atitude de Chavez. E em milhões de locais da esfera real onde vivemos, milhões reproduzem e comentam esta informação. Nascem anedotas, sedimentam-se preconceitos, tiram-se conclusões.
De uma mentira torpe, de uma falsificação grosseira, a máquina conseguiu que milhões saibam que Chavez fez o que não fez, saibam que pensa o que não pensa, e concluam o que os donos da máquina querem que concluam.
Como Homer Simpson faria, sem reflectir, sem previamente criticar a informação recebida, milhões hoje censuram a Hugo Chavez um acto que não praticou, e extrapolam-no para a prática «dos comunistas».
E «factos» como este são criados e disparados às dezenas todos os dias.
Assim funciona a máquina triturante do pensamento único. Contra ela atiramos todos os dias a VERDADE. Às vezes parece um esforço inútil, mas não o é. Nesta luta, a verdade actua como a brisa do mar quando roça o casco de qualquer navio – parece que o navio segue indiferente à brisa, mas todos sabemos que é a brisa que participa na inexorável destruição do navio.


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