«Conspiração por bem»
Ana Sá Lopes, Luís Delgado, Carlos Magno e João Barreiros oferecem-nos, semanalmente, um primoroso exemplo de bom debate político em Portugal.
Os quatro especialistas (ou direi politólogos?), juntam-se todas as sextas na Antena 1, para fazer o
«Contraditório», programa onde concordam no essencial, e têm ligeiras nuances em matérias acessórias.
Esta semana o tema em que, «contraditoriamente», mais concordaram, foi o novo Tratado da União Europeia que leva o nome de Lisboa.
Partindo da premissa de que ninguém no país estaria interessado em debater tal assunto (fingindo não conhecer a intervenção do PCP, denunciando os seus conteúdos federalista, militarista e neoliberal, e exigindo que o povo seja consultado), resolveram explicar com uma sinceridade que até assusta, os meandros que levam à sua adopção.
Assumindo a tarefa como se de uma missão se tratasse, não se pouparam a argumentos para, por um lado, justificarem a estafada tese de que a aprovação do dito texto é o único caminho possível para Portugal, para a Europa, e para tudo à volta, e por outro para justificarem a vigarice política que a ratificação nas costas do povo constitui.
E, sem pretenderem esconder o que preside a este enorme logro, explicaram que o Tratado está escrito de tal forma inacessível, exactamente para que ninguém o compreenda e, como ninguém o compreende, dificilmente pode ser discutido com e pelo povo.
Chegaram ao ponto de clarificar que se estava perante uma espécie de conspiração dos poderosos da Europa para garantir que esta coisa passaria sem sobressaltos. «Uma conspiração por bem», dizia Ana Sá Lopes, entusiasmada. Não fosse o diabo tecê-las.
E, presumo eu que não lhes vi as feições, dizem isto tudo sem corar, como se falassem de boas acções praticadas por escuteirinhos.
Entretanto, depois de se borrifarem no direito do povo português a pronunciar-se sobre esta questão tão importante para o seu destino colectivo, passaram à frente opinando sobre quem será o primeiro Presidente da União Europeia.
Os quatro contundentes não explicaram para que é que o novo Tratado serve, nem em que é que ele beneficia o povo Português. Também não interessa. Porque, daqui por diante, ficamos nas mãos das «conspirações por bem».
Os quatro especialistas (ou direi politólogos?), juntam-se todas as sextas na Antena 1, para fazer o
«Contraditório», programa onde concordam no essencial, e têm ligeiras nuances em matérias acessórias.
Esta semana o tema em que, «contraditoriamente», mais concordaram, foi o novo Tratado da União Europeia que leva o nome de Lisboa.
Partindo da premissa de que ninguém no país estaria interessado em debater tal assunto (fingindo não conhecer a intervenção do PCP, denunciando os seus conteúdos federalista, militarista e neoliberal, e exigindo que o povo seja consultado), resolveram explicar com uma sinceridade que até assusta, os meandros que levam à sua adopção.
Assumindo a tarefa como se de uma missão se tratasse, não se pouparam a argumentos para, por um lado, justificarem a estafada tese de que a aprovação do dito texto é o único caminho possível para Portugal, para a Europa, e para tudo à volta, e por outro para justificarem a vigarice política que a ratificação nas costas do povo constitui.
E, sem pretenderem esconder o que preside a este enorme logro, explicaram que o Tratado está escrito de tal forma inacessível, exactamente para que ninguém o compreenda e, como ninguém o compreende, dificilmente pode ser discutido com e pelo povo.
Chegaram ao ponto de clarificar que se estava perante uma espécie de conspiração dos poderosos da Europa para garantir que esta coisa passaria sem sobressaltos. «Uma conspiração por bem», dizia Ana Sá Lopes, entusiasmada. Não fosse o diabo tecê-las.
E, presumo eu que não lhes vi as feições, dizem isto tudo sem corar, como se falassem de boas acções praticadas por escuteirinhos.
Entretanto, depois de se borrifarem no direito do povo português a pronunciar-se sobre esta questão tão importante para o seu destino colectivo, passaram à frente opinando sobre quem será o primeiro Presidente da União Europeia.
Os quatro contundentes não explicaram para que é que o novo Tratado serve, nem em que é que ele beneficia o povo Português. Também não interessa. Porque, daqui por diante, ficamos nas mãos das «conspirações por bem».