O sucesso no Iraque
Por mais que Bush fale de «progresso» e de «regresso à vida normal» (1) no Iraque, os números da guerra aí estão a demonstrar como mente. A somar aos números de vítimas e de refugiados da guerra surgem outros dados que nos permitem ter uma ideia da devastação económica e social resultante da ocupação. Daquilo que foi outrora um dos países do Médio Oriente mais desenvolvidos resta esta realidade: 60% dos iraquianos estão desempregados; quase metade da população vive na pobreza extrema; 70% não tem água potável; 80% não tem acesso a esgotos; metade das crianças com menos de cinco anos sofre de malnutrição; as epidemias, os cancros e malformações afectam camadas imensas da população e a quase totalidade dos hospitais iraquianos não tem condições para funcionar. E podíamos continuar…
Considerar, como o fez Dick Cheney em território iraquiano, que «a guerra do Iraque foi esforço bem sucedido» (2) é uma provocação ao povo do Iraque. Importa contudo reflectir porque insistem os dirigentes norte-americanos na tese do «sucesso». É evidente que por um lado está a necessidade de, em fim de mandato presidencial, ocultar o pântano militar e político em que os EUA estão enterrados, mas a realidade mostra-nos que se calhar Bush e Cheney sentem mesmo o que dizem quando falam em sucesso. É que o Eldorado da guerra existe para alguns. Deixamos dois exemplos: 1º - As empresas petrolíferas norte-americanas estão a exportar mais de dois milhões de barris de petróleo por dia (200 milhões de dólares/dia), simultaneamente o Iraque importa petróleo. 2º - «Iraque encomenda 40 aviões Boeing por 5,5 mil milhões de dólares» (3). Boeing, o gigante construtor norte-americano de aeronaves, tradicional fornecedor da força aérea norte-americana. 40 aviões, com a opção de mais 15, para “reabilitar a frota aérea iraquiana” que neste momento se resume a duas aeronaves porque a guerra e as sanções económicas impostas ao Iraque impuseram a destruição da frota da Iraqi Airways e porque os 4 aviões pagos pelo Iraque em 1991 à Airbus no valor de 10 milhões de Dólares nunca chegaram a ser entregues. De facto, para os ladrões e para o capital, a guerra é um sucesso.
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(1) Público, 28 de Março de 2008
(2) Reuters, 17 de Março de 2008
(3) AFP, 31 Março de 2008
Considerar, como o fez Dick Cheney em território iraquiano, que «a guerra do Iraque foi esforço bem sucedido» (2) é uma provocação ao povo do Iraque. Importa contudo reflectir porque insistem os dirigentes norte-americanos na tese do «sucesso». É evidente que por um lado está a necessidade de, em fim de mandato presidencial, ocultar o pântano militar e político em que os EUA estão enterrados, mas a realidade mostra-nos que se calhar Bush e Cheney sentem mesmo o que dizem quando falam em sucesso. É que o Eldorado da guerra existe para alguns. Deixamos dois exemplos: 1º - As empresas petrolíferas norte-americanas estão a exportar mais de dois milhões de barris de petróleo por dia (200 milhões de dólares/dia), simultaneamente o Iraque importa petróleo. 2º - «Iraque encomenda 40 aviões Boeing por 5,5 mil milhões de dólares» (3). Boeing, o gigante construtor norte-americano de aeronaves, tradicional fornecedor da força aérea norte-americana. 40 aviões, com a opção de mais 15, para “reabilitar a frota aérea iraquiana” que neste momento se resume a duas aeronaves porque a guerra e as sanções económicas impostas ao Iraque impuseram a destruição da frota da Iraqi Airways e porque os 4 aviões pagos pelo Iraque em 1991 à Airbus no valor de 10 milhões de Dólares nunca chegaram a ser entregues. De facto, para os ladrões e para o capital, a guerra é um sucesso.
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(1) Público, 28 de Março de 2008
(2) Reuters, 17 de Março de 2008
(3) AFP, 31 Março de 2008