EUA chamam sucesso ao genocídio
Mais de um milhão de iraquianos mortos e cinco milhões de refugiados e deslocados é o preço de sangue e dor por cinco anos de ocupação do Iraque pelos EUA.
«A substituição de Saddam Hussein não trouxe qualquer alívio ao povo»
A estimativa das vítimas desde a ocupação consta do relatório divulgado em Janeiro pela empresa britânica ORB e baseia-se num trabalho levado a cabo em colaboração com uma instituição iraquiana independente (IIACSS). O terrível balanço, que apresenta um número dez vezes superior ao admitido pelas entidades oficiais, ratifica os resultados de dois estudos anteriores realizados pela Escola de Saúde Pública Bloomberg da Universidade Johns Hopkins de Baltimore (EUA) e publicados pela revista médica The Lancet, em Outubro de 2006. Na época, o Pentágono classificou o número de «exagerado» e Bagdad considerou-o «ridículo». Depois disso, deixaram de fazer contas.
Hoje, 20 de Março, quando passam cinco anos da invasão do Iraque, só a administração Bush e os seus títeres iraquianos consideram que estes anos foram «difíceis, de desafio, mas um esforço bem sucedido», como afirmou esta segunda-feira o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, na sua «visita surpresa» a Bagdad.
Cheney, um dos mentores da guerra, elogiou as «mudanças fenomenais» registadas no país, considerando «especialmente significativo» o facto de «poder voltar para assinalar o quinto aniversário do início da campanha que libertou o povo do Iraque da tirania de Saddam Hussein». As declarações foram proferidas após uma reunião com o primeiro-ministro, Nuri Al Maliki, na chamada zona verde, a área bunker onde norte-americanos e iraquianos têm a sua sede de governo.
O cenário negro no país real
«Carnificina e desespero, o Iraque cinco anos depois», é o elucidativo título dado pela Amnistia Internacional (AI) ao seu último relatório sobre o Iraque. No documento, que está longe de ser exaustivo, lê-se que «centenas de pessoas são mortas mensalmente na violência omnipresente, enquanto um número incalculável de vidas são ameaçadas todos os dias pela pobreza, cortes de electricidade e de abastecimento de água, falta de alimentos e de remédios, e pela crescente violência contra mulheres e jovens raparigas».
Ainda segundo a AI, «actualmente três iraquianos em quatro ainda não têm acesso seguro a água potável e perto de um terço da população – cerca de oito milhões de pessoas – depende da ajuda de urgência para sobreviver». Acresce que metade da população activa está desempregada e quatro iraquianos em cada 10 vivem com menos de um dólar por dia.
Para Malcolm Smart, director para o Médio Oriente e Norte de África da Amnistia Internacional, sob o governo de Saddam Hussein não havia respeito pelos direitos humanos, «mas a sua substituição não trouxe qualquer alívio ao povo iraquiano».
Os dados divulgados pelas agências da ONU e outras instituições independentes coincidem no diagnóstico:
– Cerca de 43% dos iraquianos vivem na pobreza extrema; entre 60 a 70% da população activa não tem trabalho; seis milhões de pessoas dependem da ajuda humanitária, incluindo a alimentação (o dobro do registado em 2004). A situação vai agravar-se a partir de Junho, pois o governo – cedendo às pressões do Banco Mundial – decidiu suprimir as rações de comida garantidas pelo Estado (a cobertura era universal antes da invasão, mas agora já só abrange 60% dos iraquianos), bem como os subsídios aos combustíveis.
– A subnutrição infantil aumentou desde a ocupação: metade das crianças com menos de cinco anos sofrem os seus efeitos; a falta de peso das crianças triplicou, afectando agora cerca de 11% dos nados vivos.
– Cerca de 70% da população não tem acesso adequado a água potável e 80% não dispõe de saneamento básico; a cólera afecta actualmente metade das 18 províncias do país.
– Após a invasão, o Iraque passou a integrar os 60 países do mundo com as mais elevadas taxas de mortalidade infantil, mortalidade de menores de cinco anos e mortalidade materna.
A catástrofe não se fica por aqui. Com a destruição das instituições, o empobrecimento da população, a desintegração social, alimenta-se o caldo de cultura dos conflitos étnicos, da corrupção, do tráfico de influências, do domínio de mafias locais e internacionais.
No seu discurso à nação, para assinalar cinco anos de guerra, Bush não falará de nada disto. Nem é preciso esperar para saber que vai anunciar ao como é florescente a «democracia» no Iraque.
Hoje, 20 de Março, quando passam cinco anos da invasão do Iraque, só a administração Bush e os seus títeres iraquianos consideram que estes anos foram «difíceis, de desafio, mas um esforço bem sucedido», como afirmou esta segunda-feira o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, na sua «visita surpresa» a Bagdad.
Cheney, um dos mentores da guerra, elogiou as «mudanças fenomenais» registadas no país, considerando «especialmente significativo» o facto de «poder voltar para assinalar o quinto aniversário do início da campanha que libertou o povo do Iraque da tirania de Saddam Hussein». As declarações foram proferidas após uma reunião com o primeiro-ministro, Nuri Al Maliki, na chamada zona verde, a área bunker onde norte-americanos e iraquianos têm a sua sede de governo.
O cenário negro no país real
«Carnificina e desespero, o Iraque cinco anos depois», é o elucidativo título dado pela Amnistia Internacional (AI) ao seu último relatório sobre o Iraque. No documento, que está longe de ser exaustivo, lê-se que «centenas de pessoas são mortas mensalmente na violência omnipresente, enquanto um número incalculável de vidas são ameaçadas todos os dias pela pobreza, cortes de electricidade e de abastecimento de água, falta de alimentos e de remédios, e pela crescente violência contra mulheres e jovens raparigas».
Ainda segundo a AI, «actualmente três iraquianos em quatro ainda não têm acesso seguro a água potável e perto de um terço da população – cerca de oito milhões de pessoas – depende da ajuda de urgência para sobreviver». Acresce que metade da população activa está desempregada e quatro iraquianos em cada 10 vivem com menos de um dólar por dia.
Para Malcolm Smart, director para o Médio Oriente e Norte de África da Amnistia Internacional, sob o governo de Saddam Hussein não havia respeito pelos direitos humanos, «mas a sua substituição não trouxe qualquer alívio ao povo iraquiano».
Os dados divulgados pelas agências da ONU e outras instituições independentes coincidem no diagnóstico:
– Cerca de 43% dos iraquianos vivem na pobreza extrema; entre 60 a 70% da população activa não tem trabalho; seis milhões de pessoas dependem da ajuda humanitária, incluindo a alimentação (o dobro do registado em 2004). A situação vai agravar-se a partir de Junho, pois o governo – cedendo às pressões do Banco Mundial – decidiu suprimir as rações de comida garantidas pelo Estado (a cobertura era universal antes da invasão, mas agora já só abrange 60% dos iraquianos), bem como os subsídios aos combustíveis.
– A subnutrição infantil aumentou desde a ocupação: metade das crianças com menos de cinco anos sofrem os seus efeitos; a falta de peso das crianças triplicou, afectando agora cerca de 11% dos nados vivos.
– Cerca de 70% da população não tem acesso adequado a água potável e 80% não dispõe de saneamento básico; a cólera afecta actualmente metade das 18 províncias do país.
– Após a invasão, o Iraque passou a integrar os 60 países do mundo com as mais elevadas taxas de mortalidade infantil, mortalidade de menores de cinco anos e mortalidade materna.
A catástrofe não se fica por aqui. Com a destruição das instituições, o empobrecimento da população, a desintegração social, alimenta-se o caldo de cultura dos conflitos étnicos, da corrupção, do tráfico de influências, do domínio de mafias locais e internacionais.
No seu discurso à nação, para assinalar cinco anos de guerra, Bush não falará de nada disto. Nem é preciso esperar para saber que vai anunciar ao como é florescente a «democracia» no Iraque.